Pecuaristas orgânicos do Pantanal criam protocolo com critérios produtivos e socioambientais

O protocolo será lançado nesta terça-feira em Campo Grande (MS) pela Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO) e pelo WWF-Brasil

  
  

A pecuária orgânica do Mato Grosso do Sul dá um passo importante no processo de certificação com uma iniciativa inédita para o segmento: a criação de um protocolo interno de processos produtivos e responsabilidade socioambiental.

O protocolo será lançado nesta terça-feira (28 de abril) em Campo Grande (MS) pela Associação Brasileira de Pecuária Orgânica (ABPO) e pelo WWF-Brasil e tem por objetivo regulamentar as atividades da ABPO e de seus associados tornando públicos seus processos produtivos e de responsabilidade socioambiental.

Desde 2003, a ABPO e o WWF-Brasil vêm atuando conjuntamente no estímulo à pecuária orgânica certificada no Pantanal. O objetivo principal da parceria é buscar alternativas que permitam aliar a atividade produtiva da pecuária e a conservação dos recursos naturais do Pantanal.

Para a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú, o protocolo representa um passo importante na parceria entre o WWF-Brasil e a ABPO. “O protocolo é um avanço. Por meio dele, os pecuaristas assumem o compromisso de adotar critérios que vão além das exigências da lei e da certificação e que também são importantes para a conservação ambiental”, destaca Hamú.

Entre as inovações do protocolo, está a criação de um sistema interno de auditoria para fiscalizar periodicamente as fazendas, além das visitas anuais que já são realizadas pela empresa certificadora. O documento também traz avanços no que se refere à lei ambiental como, por exemplo, a proibição de se desenvolver atividade de carvoaria em suas propriedades e o apoio à criação de um corredor ecológico das fazendas orgânicas por meio da conectividade de Reservas Legais e Áreas de Preservação Permante (APPs).

Em relação ao manejo do sistema produtivo, destaca-se o compromisso de seguir as boas práticas produtivas e de bem estar animal fornecidas pelo departamento técnico da ABPO e as recomendações da Embrapa Pantanal quando for necessário substituir pastagens nativas por espécies plantadas. Por meio do protocolo, os pecuaristas também se comprometem a incentivar o desenvolvimento de pesquisas e novas técnicas complementares homeopáticas e fitoterápicas, visando o estabelecimento de um bom manejo sanitário.

O presidente da ABPO, Leonardo Leite de Barros, explica que o Pantanal tem vocação para produzir produtos e serviços sustentáveis e foi essa identidade cultural que levou os pecuaristas da região a se interessarem pela certificação orgânica. “O protocolo representa mais uma etapa nesse trabalho da associação, com o objetivo de produzir uma carne orgânica de qualidade, com padronização e com critérios sociambientias bem definidos”, ressalta Barros.

Os compromissos que integram o documento, que agora deverão ser adotados por todos os integrantes da ABPO, foram definidos com a participação e o envolvimento de instituições de pesquisa, ONGs, parceiros comerciais da ABPO e representantes do setor produtivo da pecuária.

A adesão dos atuais e futuros associados da ABPO ao protocolo é obrigatória e eles terão um prazo de até três anos a partir do lançamento da publicação para se adequarem aos compromissos firmados. O cumprimento dos compromissos assumidos será monitorado pelo Programa de Auditoria Interna (PAI - ABPO).

O que é a pecuária orgânica?

O manejo orgânico visa o desenvolvimento econômico e produtivo que não polua, não destrua o meio ambiente e que valorize o homem. A pecuária de corte orgânica tem como objetivo uma produção que mantenha o equilíbrio ecológico englobando os componentes produtivos, ambiental e social, a partir de normas estabelecidas pelas instituições certificadoras.

Na criação, o gado orgânico é rastreado desde seu nascimento até o abate, com registro de peso, alimentação, vacinas, entre outras informações, em fichas individuais.

A alimentação dos animais é observada com especial atenção. Além da pastagem, outros ingredientes compõem o cardápio do gado orgânico como casca de soja não transgênica e farelo de algodão. Esses alimentos têm procedência garantida ou são produzidos pelos próprios pecuaristas de acordo com as normas da certificação.

Outra preocupação é quanto ao bem-estar dos animais. As fazendas trabalham com sombreamento das pastagens e currais em formato circular para que o gado não se machuque.

Uma das prioridades das certificadoras é garantir a segurança alimentar. Por isso, é exigida e monitorada a vacinação, inclusive contra febre aftosa. Em caso de alguma enfermidade, o gado orgânico é tratado com produtos fitoterápicos e homeopáticos.

Também é proibido o uso de uréia na alimentação e de hormônios para engorda. Com relação ao meio ambiente, também é proibido o uso de fogo para manejar as pastagens.

Números

Atualmente, existem 16 fazendas certificadas ou em fase de certificação no Mato Grosso do Sul (associadas à ABPO) e 10 no Mato Grosso (ASPRANOR), totalizando 26 propriedades. As fazendas certificadas ocupam uma área total de 131,2 mil hectares e possuem um rebanho de 99,8 mil cabeças.

Fonte: WWF

  
  

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