Pescador deve avisar Itaipu se fisgar peixe com marcador

A partir das informações repassadas, será possível promover novas ações que visem ao fortalecimento e à preservação das espécies

  
  
Os cartazes serão distribuídos em pontos de pesca ao longo do reservatório, até a região da usina hidrelétrica de Porto Primavera, e também à jusante do lago, no Rio Paraná / Divulgação

O pescador que retornou aos rios da região e ao Lago Itaipu, com o fim do período da piracema, no último dia 29, deve ficar atento.

Todo peixe retirado da água com marcador, um pequeno dispositivo de identificação, deverá ser comunicado à Itaipu Binacional, que monitora a rota de migração das espécies.

Nesta semana, um cartaz com informações básicas sobre o assunto começou a ser distribuído. O projeto tem apoio da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e da Entidade Binacional Yacyreta (Argentina e Paraguai).

A comunicação é importante porque os marcadores servem para revelar a rota de deslocamento dos peixes migradores e, principalmente, a eficiência do Canal da Piracema de Itaipu.

Com a análise dos dados, a partir das informações repassadas pelos pescadores, será possível ajustar ou promover novas ações que visem ao fortalecimento e à preservação das espécies.

“Os dois meses seguintes ao final da piracema são os mais produtivos para a pesca. Por isso, a incidência de pescadores é muito grande”, explicou o gerente da Divisão de Reservatório (MARR.CD), Matheus Romero Neto.

Segundo ele, os cartazes serão distribuídos em pontos de pesca ao longo do reservatório, até a região da usina hidrelétrica de Porto Primavera, e também à jusante do lago, no Rio Paraná

, chegando à usina de Yacyreta.

A orientação é simples: caso um peixe com marcador seja retirado da água, o pescador deverá entrar em contato pelo telefone 0800-6452002; ou enviar, sem custo, a marca para a caixa postal 2001 – CEP 85866-900, Foz do Iguaçu (PR), constando no envelope nome, numero da marca, endereço, local e data da captura. De preferência, com o peso do peixe, o tamanho e o tipo de
material usado na captura.

Além de contribuir com a biodiversidade, o pescador receberá em casa um brinde-surpresa. “As informações [dos marcadores] são todas constantes de bancos de dados digitais. A partir delas, são emitidos relatórios técnicos e científicos sobre a migração de peixes na região”, comentou Romero Neto.

“Determinadas espécies precisam fazer deslocamentos para que a reprodução tenha sucesso”.

Os tipos:

São três os principais tipos de marcadores. O mais simples, de plástico, chamado Dart Tag, tem cores azul e vermelha e mede aproximadamente 10 centímetros. Ele é facilmente identificado porque está inserido na parte externa do peixe.

No marcador, constam apenas o número de identificação e o telefone para contato. Mais de dois mil peixes foram marcados com Dart Tag somente neste ano.

O outro marcador que pode ser encontrado na região é o Pit tag, de vidro e com cerca de 3 centímetros, inserido dentro do peixe. Esse tipo de marcador, cujo projeto é desenvolvido em parceria com a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), campus de Toledo, reflete o sinal emitido por antenas instaladas ao longo do lago, idêntico aos dispositivos de segurança fixados, por exemplo, em roupas de lojas de departamento.

O terceiro marcador, mais sofisticado, é chamado de rádio transmissor, por emitir sinais de radiofrequência captados no Canal da Piracema. Ele é produzido em resina plástica e foi introduzido no abdômen dos peixes, com um fio visível na parte externa.

Histórico:

Responsável pelo programa na Itaipu, Sandro Alves Heil, da MARR.CD, diz que o trabalho de marcação de peixes começou em 1996, antes mesmo da formação do Canal da Piracema, em 2002. O objetivo inicial era conhecer a rota e o deslocamento das espécies de peixes migradores.

Hoje, a marcação também serve como ferramenta para avaliar o sistema de transposição de Itaipu, que é o maior em extensão e desnível do mundo.

“Estamos localizados em uma região neotropical, com inúmeras espécies de peixes migradores. Aproximadamente 17 delas são consideradas migradores de longa distância”, comentou Heil.

Entre as espécies de peixes migradores de maior frequência na região estão o dourado, a piapara, o pintado, a curimba, o piau e o pacu. A estimativa do setor é que cerca de 850 pescadores profissionais atuam no lago – sem contar os pescadores esportivos.

“Para que esse projeto caminhe, a gente precisa do apoio do pescador”, reforçou.

Sandro Heil acrescenta que o principal objetivo do canal é a troca de material genético das populações que foram isoladas pela barragem – à jusante e à montante.

“Para melhorar determinada espécie, ou manter o seu vigor, você precisa colocar indivíduos de outra população nesse grupo. Por isso é importante que o peixe tenha livre trânsito”, explicou.

O responsável pelo programa lembra de uma história exemplar. Uma piapara que recebeu a marca no canal foi recapturada no Rio do Peixe, no Estado de São Paulo. Ou seja, migrou aproximadamente 650 km, superando o Canal de Itaipu, o reservatório, a planície do Rio Paraná, subindo a escada de peixes da hidrelétrica de Primavera. Nadou até um tributário do reservatório da usina, tudo isso em três meses. “O melhor é que isso não é história de pescador”, brincou.

O que é:

A piracema, período de desova dos peixes reofílicos (que realizam migração reprodutiva), geralmente ocorre de novembro a fevereiro. O Canal da Piracema de Itaipu, com 10 quilômetros de extensão, foi projetado para que os peixes possam vencer o desnível de 120 metros entre o Rio Paraná e o reservatório.

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Fonte: Itaipu

  
  

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