Pesquisa simulou a influência dos ventos na dispersão do efluente

Com o objetivo de estudar a melhor maneira de liberar o esgoto na baía de Santos, sem causar danos ambientais às praias, uma equipe do Laboratório de Hidráulica do Centro Tecnológico de Hidráulica (CTH), da Escola

  
  

Com o objetivo de estudar a melhor maneira de liberar o esgoto na baía de Santos, sem causar danos ambientais às praias, uma equipe do Laboratório de Hidráulica do Centro Tecnológico de Hidráulica (CTH), da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), reproduziu em laboratório a região litorânea e parte do mar que vai da Praia da Enseada, no Guarujá, até a parte norte da Praia Grande. Trata-se de um tanque de 750 metros quadrados, que reproduz, em escala, uma área real de 1.000 quilômetros quadrados.

O primeiro resultado das pesquisas foi a conclusão de que o emissário submarino de quatro quilômetros, que lança o esgoto na baía de Santos, daria maior segurança de não retorno do efluente em direção às praias (em condições meteorológicas adversas), se tivesse sua extensão aumentada em um quilômetro.

No tanque, além da geografia e da topografia da região, inclusive com o canal do porto de Santos, são simuladas ondas de tempestades de até 3,5 metros e o movimento das marés. A cada nove minutos se reproduz um ciclo das marés, que representam 12 horas e 25 minutos na realidade. O tanque também tem um emissário em miniatura, que em vez de esgoto lança na água o corante azul de metileno.

“Com isso, nós conseguimos analisar o funcionamento e a dispersão dos efluentes lançados na baía pelo emissário submarino”, explica Emília Arasaki, pesquisadora do CTH e sub-coordenadora do projeto.

“O que nos permitiu concluir que, em dias de tempestade, a pluma do esgoto pode retornar em direção à praia, mas dificilmente chegará até ela.”

Mesmo assim, a recomendação é de que o emissário seja prolongado. “É para tranqüilizar as pessoas, garantido que o esgoto nunca chegue até os banhistas”, diz Emília. Mas, segundo ela, mesmo que chegasse causaria poucos problemas.

“Antes de se aproximar das praias, o material é previamente tratado”, assegura. “Noventa por cento do que é liberado é água doce. Por isso, as bactérias que estão no esgoto morrem quando entram em contado com água salgada do oceano.”

Recursos :

Segundo Emília, o projeto foi apresentado e proposto pela Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH) ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e ao Comitê da Bacia da Baixada Santista.

“Agora estamos esperando que o Fehidro libere sua parte dos recursos, que é de R$ 160 mil, para continuar o projeto”, diz Emília.

“O valor da nossa contrapartida é de R$ 240 mil, aí incluídos o aluguel do laboratório e o trabalho dos pesquisadores. Com esse dinheiro, vamos ampliar as pesquisa para o emissário do Guarujá e os dois da Praia Grande.”

O coordenador técnico do projeto, o professor Paolo Alfredini, ressalta o caráter inovador da pesquisa. “Pela primeira vez, em um modelo físico, é reproduzido o efeito de vento sobre a mancha de esgoto”, afirma.

Ele explica que, no modelo, além da mancha de esgoto, que é representada pelo corante, um exaustor suga o ar a uma velocidade calibrada para simular os ventos de tempestade que empurram o efluente para as praias.

Fonte: Acadêmica Agência de Comunicação

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