Projeto Arara Azul completa 22 anos. Uma vitória para a preservação da espécie

Em 1990 eram contabilizadas apenas 1.500 araras-azuis na região. Hoje este número passa de 5.000 indivíduos graças aos esforços do projeto

  
  
Projeto Arara Azul completa 22 anos

No final do mês de novembro o projeto Arara Azul comemorou 22 anos de atividades contra a extinção da espécie no Pantanal Sul Mato-Grossense. Em 1990 eram contabilizadas apenas 1.500 araras-azuis na região. Hoje este número passa de 5.000 indivíduos graças aos esforços do projeto. Na estação reprodutiva deste ano, que teve início no final de julho, até o momento foram monitorados 110 ninhos, 57 naturais e 53 artificiais.

Deste total, 45 ninhos apresentaram postura de ovos e o nascimento de filhotes, sendo 42 ninhos de araras-azuis e três de araras-vermelhas. As perdas de ovos e filhotes ocorreram tanto por condições naturais (predação) como por alterações ambientais, como mudanças climáticas bruscas, altas temperaturas e fortes chuvas.

Segundo Neiva Guedes, bióloga, professora do Curso de Mestrado em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional da Universidade Anhanguera-Uniderp e idealizadora do projeto, um fato interessante registrado pela equipe de campo neste período foi a predação de um ninho com ovos por um tucano, que foi flagrado pelas araras-azuis e morto por bicadas. “A fúria foi tão grande, que elas arrancaram a parte superior do bico do tucano, que ficou encurralado dentro do ninho”, afirma a bióloga.

Dos filhotes sobreviventes, 59% irão voar de ninhos artificiais, ou seja, desenvolvidos e instalados por profissionais do projeto Arara Azul, demonstrando a eficácia das ações. Os ninhos são constantemente monitorados durante o ano todo, graças à capacidade off-road das três Hilux (patrocinadas pela Toyota), utilizadas para realizar essa atividade, pois possibilita à equipe do projeto chegar a locais de difícil acesso ou alagados. Somente nesta estação reprodutiva, foram realizadas cerca de 590 escaladas (subidas aos ninhos) até o momento.

Ainda, visando contribuir com a continuidade das pesquisas, o turismo de observação vem sendo praticado no Refúgio Ecológico Caiman, onde está localizada a maioria dos ninhos (87%) e também a sede do projeto Arara Azul.

Nestas visitas, as pessoas podem acompanhar um dia de campo da equipe e observar as araras em seu habitat. Este ano, o local já recebeu as visitas do diretor do filme Rio, Carlos Saldanha, e o premiado fotógrafo, Sebastião Salgado.

Para reforçar as atividades de preservação da espécie, a equipe realiza trabalhos de conscientização, engajamento e educação ambiental com a população local nas fazendas que possuem ninhos naturais cadastrados ou artificiais instalados, bem como em Campo Grande e outras cidades do entorno do Pantanal. Outros projetos relacionados à proteção do Meio Ambiente também são realizados na região, como o Arte de Fazer e Reciclar.

Mais informações a respeito da Araras Azuis: Projeto Arara Azul
“O projeto Arara Azul representa uma vitória para a preservação da espécie, que estava na iminência da total extinção há vinte anos. As ações de campo combinadas com a conscientização ambiental estão cooperando para a proteção da espécie e redução do tráfico de animais na região”, afirma Ricardo Bastos, presidente da Fundação Toyota do Brasil.

Fonte: Portal Bonito

  
  

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