Projeto quer reduzir degradação ambiental em São Félix do Xingu

Trata-se de Um projeto piloto de Redução de Emissão de Gases do Efeito Estufa por Desmatamento e Degradação Florestal

  
  

Um projeto piloto de Redução de Emissão de Gases do Efeito Estufa por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD) em São Félix do Xingu, município da Região do Araguaia, foi anunciado na última segunda-feira (23) pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) e a organização ambientalista The Nature Conservancy (TNC).

A iniciativa foi apresentada a instituições locais que participaram do seminário “Perspectivas e potencial de aplicação do mecanismo de REDD no Estado do Pará”.

Para os coordenadores do projeto, a área tem potencial para reduzir significativamente as emissões de gases do efeito estufa (GEE), entre os quais se destaca o dióxido de carbono (CO2).

Idenise Garcia, coordenadora da TNC, explicou que, entre os critérios que nortearam a definição de parte do âmbito do projeto e a escolha da área, está o fato de São Félix do Xingu apresentar diferentes tipos de uso da terra, com a presença de grandes e pequenos produtores rurais, e áreas protegidas, distribuídas entre unidades de conservação e terras indígenas.

O município ocupa a 40ª posição no ranking dos que mais desmatam a floresta, mantendo ao mesmo tempo uma grande área remanescente, com significativa quantidade de estoque de carbono. Além disso, a região também é considerada prioritária para a conservação da biodiversidade, com registros de espécies ameaçadas de extinção.

Conhecimento - De acordo com Valmir Ortega, titular da Sema, o projeto em São Félix do Xingu compõe uma série de iniciativas voltadas ao acúmulo de conhecimento e experiências, que podem ajudar o Pará a se posicionar nas negociações atuais e futuras.

Ele também citou que protocolos de entendimentos foram assinados com outras organizações não-governamentais (ONGs) para a implantação de novos projetos experimentais, assim como o intercâmbio com Estados amazônicos e de outros países para o desenvolvimento de metas e estratégias de mercado, associadas ao desmatamento evitado.

“Ainda é muito cedo para desenharmos uma estratégia estadual de REDD apostando em um caminho único. Este é o momento de fazermos um conjunto de instrumentos, parcerias e iniciativas que sejam capazes de gerar background para nos capacitar para o futuro, quando este tema estiver melhor posicionado no globo”, ponderou o secretário.

Mecanismos – As discussões no seminário mostraram as indefinições técnicas em relação aos mecanismos de REDD. Há ainda grandes dificuldades sobre como se estabelecer formas de medir ou calcular a quantidade de carbono estocado pelas florestas e o solo, assim como os créditos gerados pela renúncia ao desmatamento e as metas de redução a serem assumidas pelos países em desenvolvimento.

A diretora do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Ima Vieira, destacou a necessidade de reforçar entre os especialistas algumas discussões científicas ligadas à viabilidade de REDD.

A primeira refere-se ao monitoramento do carbono, cujas avaliações apresentam alto grau de complexidade para se chegar a estimativas reais do que é estocado nas florestas. A outra à definição de degradação, que dá origem a interpretações diferenciadas e, por isso, precisa de nivelamento conceitual entre as instituições.

Em relação aos aspectos sociais, ela também ressaltou a necessidade de se estabelecer mecanismos justos de pagamento por desmatamento evitado. “Acho que está é uma questão importantíssima do ponto de vista oficial, porque se ficarmos atrelados somente à questão de mercado certamente traremos uma injustiça enorme aos setores que têm trajetórias mais corretas do ponto de vista ambiental, como o extrativista, que é o que mantém a floresta efetivamente em pé”, frisou.

Philip Fearnside, doutor em Ciências Biológicas e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), defende a implantação de projetos de REDD como um dos mecanismos de pagamento pelos serviços ambientais prestados pela floresta amazônica, apesar das incertezas teóricas.

Segundo ele, o que está em jogo é um “prêmio” de mais de 100 bilhões de toneladas de carbono armazenadas na floresta amazônica. “É importante, em termos de tomada de decisão, pensar sobre qual é o lugar da incerteza. Se realmente der certo o REDD, o prêmio é muito grande, então temos que descartar essas incertezas, arriscar e fazer”, disse Philip Fearnside.

De acordo com Jonas Veiga, diretor de Pesquisas e Estudos Ambientais do Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp) e um dos coordenadores do evento, “o tema REDD é bastante complexo e, por isso, é necessário o diálogo e o intercâmbio de idéias entre os diversos setores da sociedade, de forma a esclarecer os pontos de divergências e transpor os obstáculos para a sua implementação”.

Comissão - A fim de continuar as discussões, uma comissão deve ser criada para subsidiar o Estado na definição das diretrizes dos programas de REDD. Outras rodadas de debates devem ser promovidas no decorrer do ano, com o envolvimento de diferentes setores da sociedade.

O seminário “Perspectivas e potencial de aplicação do mecanismo de REDD no Estado do Parᔠresultou da parceria entre Sema, Idesp, TNC, MPEG, Embrapa Amazônia Oriental e Universidade do Estado do Pará (Uepa).

Fonte: Agência Pará de Notícias

  
  

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