Projeto Tamar salva mais de 1,2 milhão de filhotes de tartarugas marinhas por ano

O Projeto Tamar fechou a 31ª temporada reprodutiva das tartarugas marinhas no continente com aproximadamente 17 mil ninhos registrados e protegidos

  
  
A maior tartaruga marinha de todas

O Projeto Tamar, desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Tartarugas Marinhas (Tamar), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), fecha a 31ª temporada reprodutiva das tartarugas marinhas (2011/2012) no continente com aproximadamente 17 mil ninhos registrados e protegidos, gerando cerca de 1 milhão e 200 mil filhotes.

Na temporada que ocorreu entre setembro e março, estendendo-se em algumas praias até o mês de abril, o número de desovas das tartarugas de couro (Dermochelys coriacea) e das olivas (Lepidochelys olivacea) tiveram crescimento. Para as gigantes, o aumento foi de cinco vezes em relação à temporada anterior, passando de 16 para 95 ninhos registrados. A população das tartarugas de couro que desovam no Brasil é a menor de todas, tornando a espécie uma das mais ameaçadas de extinção. As desovas de olivas tiveram um aumento de 12%, passando de 6.621 para 7.373 ninhos.

Durante a temporada, foram flagradas cerca de 1.500 fêmeas em processo reprodutivo, incluindo indivíduos marcados em temporadas anteriores (242 fêmeas) e encontrados pela primeira vez (839 fêmeas). A taxa de manutenção de ninhos in situ (no lugar) permaneceu em torno de 70%. Na praia do Forte, na Bahia, local de maior concentração de desovas de cabeçudas (Caretta caretta) no país, houve um aumento do conhecimento de suas taxas demográficas, o que deverá compor uma melhor avaliação sobre a espécie. Em Sergipe, houve a marcação com transmissores via satélite em indivíduos possivelmente híbridos, para estudo de comportamento.

Na praia de Pipa, no Rio Grande do Norte, continuam as pesquisas com as tartarugas de pente (Eretmochelys imbricata). Recapturas de animais marcados e estudos genéticos demonstraram que a espécie também é capaz de realizar viagens tão longas como as demais. A espécie vem sendo estudada pela médica veterinária Daphne Wrobel, em tese de doutorado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O estudo correlaciona o peso corporal de fêmeas em reprodução, seus níveis séricos de grelina e leptina e os parâmetros bioquímicos e hematológicos indicadores do seu estado nutricional.

Continuam os estudos sobre os dados de incubação dos ninhos, principalmente em relação ao tempo de incubação que juntamente com uma série de dados históricos, pode indicar ou não variações decorrentes de mudanças climáticas e, consequentemente, atualizar e aprimorar as medidas de mitigação. Duas pesquisas com as tartarugas de couro foram realizadas para dissertação de mestrado de Jordana Borini Freire, sob orientação do professor Paulo Dias Ferreira Júnior da Sociedade Educacional do Espirito Santo da Universidade de Vila Velha. Uma sobre a concentração de metais pesados em ovos e filhotes de Dermochelys coriacea no Espírito Santo e a outra sobre a temperatura de incubação de ovos desta espécie.

O resultado do trabalho de conservação é realizado pelo ICMBio/Tamar através de 16 bases de pesquisa instaladas em áreas prioritárias de desova monitoradas no litoral de cinco estados brasileiros: Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe e Rio Grande do Norte. O trabalho envolve ações de educação e sensibilização ambiental, envolvimento comunitário e o monitoramento das praias. Os resultados referem-se à temporada no continente, nas áreas de reprodução. As ilhas estão fora, assim como áreas de alimentação, onde não há desovas, como Ubatuba e Ceará, por exemplo. Em breve, os dados das ilhas oceânicas serão divulgados.

Fonte: ICMBio

  
  

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