Agente patológico da toxoplasmose será mapeado

Mapear o agente causador da toxoplasmose em diferentes espécies de animais e analisar as variações do protozoário em animais infectados no estado de São Paulo. Este é o objetivo da pesquisa desenvolvida pela FMVZ - Faculdade de Medicina Veterinária e Zoot

  
  

Mapear o agente causador da toxoplasmose em diferentes espécies de animais e analisar as variações do protozoário em animais infectados no estado de São Paulo. Este é o objetivo da pesquisa desenvolvida pela FMVZ - Faculdade de Medicina Veterinária e Zootécnica da USP - Universidade de São Paulo em parceria com o United States Departament of Agriculture, dos Estados Unidos.

Iniciado há poucos meses, o estudo já apresentou resultados surpreendentes que obrigaram os especialistas a rever as informações sobre a doença. Amostras de galinhas enviadas aos Estados Unidos apresentaram o isolado tipo 1 do protozoário, que até então era encontrado apenas em humanos.

“Isso causou grande espanto entre os pesquisadores, uma vez que se supunha que esse isolado não atingisse animais domésticos”, explica a professora e coordenadora do projeto Solange Maria Gennari.

Hoje, a experimentação está na fase de captação de animais para caracterização biológica e genética do protozoário em gatos, ovinos, caprinos e capivaras. Os pesquisadores querem obter pelo menos 20 amostras de isolados de cada uma das espécies animais e já esperam outras surpresas.

“Coletaremos animais soros positivos e analisaremos o tipo de isolado envolvido. Depois dos resultados surpreendentes em galinhas, não sabemos o que vamos encontrar”, afirma Solange Gennari.

O primeiro animal analisado será o gato, peça chave no ciclo do protozoário, por se tratar de um hospedeiro definitivo onde o ciclo se completa. O Toxoplasma gondii pode ser encontrado em três variações, chamados de isolados tipo 1, 2 e 3, cujas diferenças são notadas apenas na estrutura molecular.

O tipo 1 é considerado o mais perigoso e constitui a principal fonte de infecção dos humanos.Segundo a professora, outros mamíferos e aves podem funcionar como hospedeiros intermediários, ingerindo os oocistos – forma do protozoário que pode viver por meses no ambiente – e formando cistos do agente em seus tecidos musculares. A carne desses animais, quando consumida crua ou mal cozida, pode infectar o homem.

“O que mais nos preocupa são os animais que servem ao consumo humano, como ovelha, cabra, galinha, boi, capivara ou porco”.

A toxoplasmose é uma zoonose - doença transmitida entre animais e homens. Cerca de 70% da população adulta brasileira já teve a doença ou entrou em contato com seu agente.

A toxoplasmose congênita, transmitida da mãe para o feto, acontece em um a cada mil partos, podendo provocar abortos ou lesões nervosas ou visuais no bebê.

Segundo Heitor Franco de Andrade Júnior, professor do Instituto de Medicina Tropical da USP, a doença também atinge portadores do vírus da Aids, sendo responsável por 20% das mortes nessa população.

“Apesar de ser discreta, a toxoplasmose é muito perigosa”, alerta.

Os resultados da etapa de caracterização genética e biológica estão previstos para os próximos 12 meses. Nesse período, será possível definir quais dos três tipos de isolados são encontrados nas diversas espécies animais e qual delas é a mais infectante.

Fonte: Agência Brasil

  
  

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