Agricultura sem agrotóxico é superior a que usa transgênicos, afirma Capra

O físico Fritjof Capra disse que cientistas do Brasil e do exterior apresentaram ao governo Lula muitos exemplos da superioridade da agricultura ecológica em relação ao cultivo de transgênicos durante o evento “Diálogos para um Brasil Sustentável

  
  

O físico Fritjof Capra disse que cientistas do Brasil e do exterior apresentaram ao governo Lula muitos exemplos da superioridade da agricultura ecológica em relação ao cultivo de transgênicos durante o evento “Diálogos para um Brasil Sustentável”.

Foi uma tentativa de reforçar a posição da ministra Marina Silva, que defende o princípio da precaução em relação aos alimentos transgênicos. A ministra tem sido derrotada dentro da nova Administração Federal pelo ministro Roberto Rodrigues, da Agricultura, que prega abertamente a favor dos transgênicos.

“Programas sociais do governo Lula, como o Fome Zero, não serão bem-sucedidos se os transgênicos forem liberados”, completou Capra.

As declarações de Capra foram feitas a jornalistas na segunda-feira (11/8), em São Paulo (SP), após participar pela manhã de evento promovido pelo Idesa - Instituto de Desenvolvimento Socioambiental e pelo Instituto Ecoar com o tema “Novos paradigmas para uma vida sustentável: economia, ecologia e ser humano”.

Os “Diálogos para um Brasil Sustentável”, que começaram na terça-feira (12/8) e terminou na quinta- feira (15/8), em Brasília, nasceram de uma sugestão apresentada por Capra à ministra Marina Silva durante o 3º Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre (RS) em janeiro deste ano.

O encontro reuniu pensadores e cientistas do Brasil e do exterior para discutir e propor projetos nos seguintes temas: `educação para a sustentabilidade`;`ecodesign-desenhando projetos sustentáveis`; `produzindo energias limpas e renováveis` e `agroecologia- alimentos para a vida`.

Durante sua exposição e ao longo do debate com jornalistas e a platéia, formada por cerca de 400 pessoas, principalmente executivos do setor privado, Capra condenou duramente os pilares da “nova economia” e o capitalismo globalizado, como o livre fluxo financeiro, que, segundo ele, adquiriu precedência sobre os direitos humanos, a proteção do meio ambiente e a democracia.

Em contraposição ao capitalismo global, o físico apontou o fortalecimento de um novo tipo de sociedade civil, que tem como desafios reconstruir as regras da globalização, para priorizar a dignidade humana e a sustentabilidade ecológica, liderar a oposição aos alimentos geneticamente modificados (transgênicos) e fomentar o “ecodesign”, promovendo novos processos industriais, ambientalmente amigáveis.

Capra mais uma vez defendeu o incremento das pesquisas com células de hidrogênio como alternativa limpa aos combustíveis fósseis nos automóveis. Mas reconheceu que o gás natural deverá ter seu uso ampliado na fase de transição à economia do hidrogênio, embora também emita carbono, ainda que em menor volume que o petróleo.

Para ele, o petróleo deverá perder sua importância econômica à medida que as reservas do combustível tendem a se concentrar no Oriente Médio. A instabilidade política da região está provocando aumento significativo nos custos militares dos Estados Unidos para proteger as reservas e canais de distribuição do óleo. É nessa dificuldade geopolítica que o hidrogênio deverá ganhar terreno, na visão do físico.

Segundo Capra, a multiplicação de núcleos de ecoalfabetização em escolas e universidades brasileiras será discutida no encontro de Brasília. A alfabetização ecológica, ou ecoalfabetização, é um dos projetos mais bem-sucedidos de Capra.

Fonte: Ecoagência de Notícias

  
  

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