Agrônomo da USP indica agricultura como reforço no combate ao efeito estufa

O IEA - Instituto de Estudos Avançados da USP - Universidade de São Paulo promoveu a palestra Mudanças Climáticas e Mitigação pela Agricultura, com o engenheiro agrônomo Carlos Clemente Cerri, pesquisador do Cena - Centro de Energia Nuclear na Agricultura

  
  

O IEA - Instituto de Estudos Avançados da USP - Universidade de São Paulo promoveu a palestra Mudanças Climáticas e Mitigação pela Agricultura, com o engenheiro agrônomo Carlos Clemente Cerri, pesquisador do Cena - Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP - Universidade de São Paulo.

Ele aponta a agricultura como força auxiliar contra o efeito estufa, fenômeno causado pela emissão de gases que provoca aumento da temperatura global.A palestra integra o projeto Conferência do Mês do IEA.

“O sistema de plantio direto - que utiliza técnicas que procuram interferir o mínimo possível no solo - e a colheita mecanizada da cana-de-açúcar podem ajudar a minimizar as mudanças no clima mundial”, explica.

Emissão de carbono:

Em termos mundiais, apenas a análise das entradas e saídas dos ecossistemas terrestres mostra que 1,4 bilhão de toneladas de carbono são fixadas na vegetação todos os anos. A queima de combustível fóssil lança na atmosfera, também anualmente, 6,3 bilhões de toneladas de carbono.

“Do total, além do 1,4 bilhão, mais 1,7 bilhão retornam para a Terra e se fixam, por difusão, nas águas do mar”, informou.

Os 3,2 bilhões de toneladas não fixadas ficam na atmosfera e acabam provocando o efeito estufa e alterando o clima do planeta.As estimativas das taxas de emissão de carbono, feitas para o Brasil, mostram que, anualmente, 12,65 milhões de toneladas são lançadas na atmosfera.

Nesta conta, estão consideradas apenas as atividades agrícolas relacionadas às mudanças no uso da terra.Pelos cálculos do agrônomo, o plantio direto e a colheita mecanizada da cana-de-açúcar poderiam contribuir para a redução de 10,5 milhões de toneladas de carbono emitidas todos os anos.

Plantio direto:

“Não há dificuldades para se instalar o sistema de plantio direto no Brasil. A adoção dessa prática está aumentando em termos de área”. O engenheiro graduado pela Unesp - Universidade Estadual Paulista e com mestrado e doutorado pelo Instituto de Geociências da USP, acredita que hoje, no Brasil, são utilizados 18 milhões de hectares.

“A tendência é passar para 25 milhões nos próximos cinco anos”, disse.Na questão da cana-de-açúcar, o cenário também é positivo. Segundo o pesquisador, a área de cultivo deste vegetal é de 5 milhões de hectares e 20% deles já são coletados mecanicamente.

Apesar da mecanização das lavouras ajudar o meio ambiente, em países como o Brasil, lembra o pesquisador, a questão social, da geração de empregos, também deve ser considerada.

Fonte: Agência Fapesp

  
  

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