Créditos de carbono da Prefeitura são arrematados em leilão por R$ 34,05 milhões

A holandesa Fortis Bank NV/SA arrematou os créditos de carbono negociados pela Prefeitura nesta quarta-feira (26/09). Foram arrecados cerca de R$ 34 milhões que serão investidos na melhoria socio-ambiental da reigão do aterro B

  
  

A holandesa Fortis Bank NV/SA arrematou os créditos de carbono negociados pela Prefeitura nesta quarta-feira (26/09). Foram arrecados cerca de R$ 34 milhões que serão investidos na melhoria socio-ambiental da reigão do aterro Bandeirantes.

ATUALIZADA ÀS 17h50 - A Prefeitura garantiu nesta quarta-feira (26/09) recursos da ordem de R$ 34,05 milhões para aplicação em projetos sócio-ambientais na região de Perus e Pirituba (Zona Norte). A soma foi o resultado do leilão de 808.450 créditos de carbono do município, realizado na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). O lote foi arrematado pelo Fortis Bank NV/SA, da Holanda, que pagou 16,20 euros por tonelada de carbono equivalente, o que representou um ágio de 27,5% sobre o preço mínimo de 12,70 euros que havia sido fixado pela Prefeitura. Nove empresas ofertaram lances no leilão, feito via internet.

Esses créditos de carbono são resultado do controle de gases que deixaram de ser lançados na atmosfera pelo Aterro Sanitário Bandeirantes, localizado em Perus. O volume de 808.450 toneladas de dióxido de carbono corresponde ao que foi emitido no período de dezembro de 2003 a dezembro de 2006. No Bandeirantes foi instalado um complexo sistema de captação dos gases produzidos pela decomposição das toneladas de lixo urbano ali depositadas. Esses gases – principalmente o metano e o gás carbônico – são os maiores causadores do efeito estufa.

No aterro Bandeirantes, 80% dos gases são absorvidos e transformados em matéria-prima para a geração de energia elétrica em uma usina com capacidade para gerar 175 mil MWh por ano. Isso faz do Bandeirantes o aterro com melhor performance no mundo em redução de emissão de gases que provocam o efeito estufa, de acordo com a certificação dos órgãos técnicos da Organização das Nações Unidas (ONU).

O projeto se insere no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) instituído pelo Protocolo de Kyoto, por meio do qual os países desenvolvidos, além de assumirem metas locais de redução de gases poluentes, podem adquirir créditos de carbono gerados por países em desenvolvimento, financiando, assim, as metas globais.

“Todo recurso arrecadado nesse leilão será revertido para a população, que durante anos teve de conviver com esse aterro”, afirmou o prefeito de São Paulo, referindo-se aos moradores de Perus e Pirituba, vizinhos do Bandeirantes. “É uma maneira de a cidade restituir a contribuição dessa comunidade para a cidade. Durante anos, conviveram com o aterro. Serão criados parques e praças, e programas intensos para melhorar a qualidade de vida dos moradores”, completou.

O prefeito também garantiu que o valor arrecadado com o leilão não trará redução no orçamento da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA). “No Orçamento de 2008 vamos manter ou aumentar o valor de 170 milhões de reais, independentemente do que entrará por meio dos leilões de créditos de carbono”, assegurou.

De acordo com o secretário do Verde e do Meio Ambiente, já estão definidos oito projetos para a região, incluindo três parques lineares, criação de ciclovias, viveiro, hospital veterinário, escola de marcenaria em parque, novas praças e programas de coleta seletiva e de educação ambiental. Os oito projetos foram definidos após a realização de consultas públicas à população. Serão investidos R$ 48,1 milhões, dos quais R$ 34,05 milhões são provenientes do leilão desta quarta-feira.

O investimento restante será feito com o resultado de futuros leilões de crédito de carbono. Já existem mais 300 toneladas de dióxido de carbono medidas no período de janeiro a junho deste ano, em fase de certificação pela ONU. A Prefeitura pretende leiloar esse volume até o final do ano.

O leilão superou as expectativas da Prefeitura. “Esperávamos obter entre 13 e 13,50 euros por crédito e conseguimos um valor significativamente superior”, afirmou a secretária adjunta do Governo Municipal, coordenadora do projeto. “Isso significará recursos preciosos para a Prefeitura aplicar em projetos específicos e melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivenciaram diariamente o aterro”.

O preço obtido foi comemorado pelo secretário adjunto de Finanças. “Rompemos uma barreira importante porque a Prefeitura conseguiu obter um valor superior ao praticado nas transações de balcão”, destacou. Para ele, foi surpreendente o número de participantes do leilão. “Esperávamos quatro ou cinco participantes e tivemos 14, o que demonstra que o projeto implantado em São Paulo é atrativo para o mercado internacional por seu forte conteúdo ecológico e social”, acrescentou.

Foi o primeiro leilão de créditos de carbono realizado por um órgão público no Brasil. Quatorze empresas se credenciaram para o leilão, depositando, cada uma, 1 milhão de euros como garantia para a participação. Nove delas ofereceram lance: Fortis Bank NV/AS, Merrill Lynch Commodities (Europa) Limited, ABN AMRO Bank NV, Ixis Corporate & Investment Bank, Ecosecurities Capital Ltd., Kredintanstalt Für Wiederaufbau, Electrabel S A, Goldman Sachs International, e Morgan Stanley & Co International PLC.

fonte: Portal da Prefeitura de São Paulo

  
  

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