Ar condicionado contribui para o efeito estufa, diz especialista

Os aparelhos de ar condicionado, comuns em países tropicais como o Brasil, são um desastre para a atmosfera e contribuem para que as temperaturas subam ainda mais no futuro. Instalados em casa, no automóvel ou num local público, esses aparelhos emitem

  
  

Os aparelhos de ar condicionado, comuns em países tropicais como o Brasil, são um desastre para a atmosfera e contribuem para que as temperaturas subam ainda mais no futuro.

Instalados em casa, no automóvel ou num local público, esses aparelhos emitem gases responsáveis pelo efeito de estufa, segundo um especialista da Ademe, agência francesa para o ambiente e controle da energia.

Isso porque eles funcionam com fluidos produtores de frio à base de hidrofluorocarbonos (HFC), substâncias com poder de aquecimento 1.300 vezes superior ao do gás carbônico (CO2), o mais conhecido dos gases responsáveis pela mudança do clima.

Segundo Jean-Louis Plazy, diretor-adjunto da Ademe, a liberação de HFC é inerente ao funcionamento do ar condicionado. Circuitos, juntas e tubos deixam escapar quantidades consideráveis de gás, estima-se que um carro com ar condicionado libere três quilos de gases estufa depois de rodar 100 quilômetros.

Consumo de energia

Os aparelhos de ar condicionado também consomem muita energia, produzida normalmente por fontes de alto impacto ambiental. Calcula-se que o mesmo automóvel climatizado gaste 25% a 35% mais combustível na cidade e 10% a 20% mais na estrada.

Instalado em casa durante um verão `normal`, estima-se que o ar condicionado aumente o consumo de eletricidade em cerca de 2.000 quilowatts em três meses numa pequena área de 45 metros quadrados, fazendo subir a conta de luz entre 20% e 25%.

Finalmente, a manutenção desses aparelhos é rara, e o fluido, que acaba por ser despejado, provoca uma nova fuga de gás.

Efeito estufa

O aumento das concentrações destes gases na atmosfera deverá provocar um aumento da temperatura média na superfície do globo entre 1,4ºC e 5,8ºC até ao fim do século, segundo um grupo de peritos que trabalham para a ONU.

Atualmente existem pesquisas para substituir os HFC, na medida em que o seu uso é limitado pelo Protocolo de Kyoto sobre a diminuição dos gases com efeito de estufa, e a União Européia planeja proibi-los até 2008.

Mas enquanto se aguardam inovações tecnológicas, há meios para reduzir o impacto do ar condicionado no ambiente.Não o regular para muito frio, por exemplo, já que uma diferença de cinco graus em relação à temperatura exterior basta muitas vezes para garantir conforto.

Além disso, baixar a temperatura em apenas um grau numa superfície de 45 metros quadrados já baixa o consumo de eletricidade em 7% ou 8% em três meses, diz Jen-Louis Plazy.Outra recomendação, em particular para os veículos, é mandar fazer revisões regulares aos aparelhos para limitar vazamentos.

Fonte: Agência Lusa

  
  

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