Brasil perdeu o equivalente ao estado do Rio de Janeiro de áreas protegidas

Quarenta e cinco mil quilômetros quadrados. Essa é a dimensão da perda de áreas protegidas no Brasil, em 30 anos. O tamanho equivale, aproximadamente, ao estado do Rio de Janeiro

  
  
A pesquisa, que ainda não foi publicada em revistas científicas, não levou em consideração os territórios indígenas, apenas unidades de conservação estaduais e federais

Quarenta e cinco mil quilômetros quadrados. Essa é a dimensão da perda de áreas protegidas no Brasil, em 30 anos. O tamanho equivale, aproximadamente, ao estado do Rio de Janeiro. E se as informações parecem assustadoras, é válido ressaltar que tem outra notícia: nos últimos cinco anos, a história se complicou, devido, sobretudo, as obras de infraestrutura ligadas ao setor elétrico, realizadas pelo governo federal na Amazônia.

Os dados fazem parte de um estudo realizado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que contabilizou todos os eventos de redução, declassificação e reclassificação (RDR) em unidades de conservação do país desde 1981. Segundo os pesquisadores, cerca de 70% dos casos de RDR aconteceram a partir de 2008.

“O que era para ser uma exceção vai se tornar a regra? Essa é a dúvida”, questionou ao Estadão, um dos autores do estudo, Enrico Bernard, do Departamento de Zoologia da UFPE.

O setor elétrico foi o maior motivador da destruição, com a marca de 21 eventos (equivalente a 44%, do total), incluindo 11 declassificações (em que unidades de conservação deixaram de existir), nove reduções e uma reclassificação.

“A maior parte desses eventos ocorreu a partir de 2010, com a publicação do plano de energia do governo, que aponta a Amazônia como grande reservatório de energia do Brasil”, pontuou Bernard. Especulação imobiliária e agronegócios também fazem parte da lista das causas da perda de áreas protegidas.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) defendeu que, apesar do impacto causado, as construções realizadas nestes locais refletiram no crescimento do país. “Entendo que a tendência é estabilizar o número de ações em unidades de conservação. Uma coisa era o país há cinco ou dez anos. O grosso da afetação está concluído”, analisou.

A pesquisa, que ainda não foi publicada em revistas científicas, não levou em consideração os territórios indígenas, apenas unidades de conservação estaduais e federais.

Fonte: Portal EcoD

  
  

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