Cajueiro da Praia, no Piauí, avalia criação de unidade de conservação

O projeto iniciado em 2006 é de iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio.

  
  

A comunidade de Cajueiro da Praia, 384 Km, de Teresina discutiu neste domingo (20), com os órgãos ligados ao meio ambiente como Instituto Chico Mendes, Secretaria do Meio Ambiente, IBAMA, Secretaria de Turismo do Piauí a proposta de criação de uma unidade de conservação “Refúgio da Vida Silvestre Peixe-Boi Marinho”. O projeto iniciado em 2006 é de iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio.

A Consulta Pública analisou a proposta de conservação dos estuários dos rios Timonha/Ubatuba e Cardoso/Camurupim, zona costeira e manguezais locais onde vive uma das últimas populações do peixe-boi marinho, mamífero aquático mais ameaçado de extinção do Brasil. No Piauí a área corresponde a 23 quilômetros de refúgio da vida silvestre e no Ceará sete quilômetros.

O secretário estadual de Turismo, Silvio Leite, disse que é a favor da preservação do peixe-boi marinho e o que preocupa são as restrições que dificultarão o desenvolvimento do turismo na região. “Precisamos preservar nossas belezas e também desenvolver o turismo, aproveitar as potencialidades, mas pensando principalmente no homem, no emprego, na renda da juventude, no município que tem um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano do Brasil, 0.6%. Nós concordamos que seja criada essa unidade, mas que fique restrita a foz dos rios onde tem alimentação para o peixe-boi”, disse o secretário.

O superintendente do Meio Ambiente, Carlos Moura Fé, propôs que fosse incluído dentro da Área de Proteção Ambiental Delta do Parnaíba, a APA, certos refúgios de animais silvestres que estão na proposta de proteção. O que é considerado pelo vice-prefeito de Luiz Correia, Luiz Neto, como de bom senso e acredita que as fiscalizações sejam mais urgentes. “Todo o nosso litoral está contribuindo muito com a preservação, já está tendo muito prejuízo em função da APA. Existem coisas muito mais graves em nosso litoral como a pesca predatória de barcos que vem de outros estados para fazer arrastões, degradar o nosso meio ambiente”, reclamou.

Girvaldo Albuquerque, prefeito de Cajueiro da Praia afirmou que o peixe-boi é bem tratado. Há cerca de oito anos existiam quatro animais, hoje são em torno de 35 exemplares e não está de acordo com os 51 mil hectares de preservação da área de preservação. “Nós queremos é que se desenvolva um turismo sustentável para a população”. Quanto ao tamanho da área, a analista do Centro de Mamíferos Aquáticos, Patrícia Passos Claro, colocou que é uma das demandas que vão receber e buscar negociar em relação às preocupações dos interessados. “Existe a possibilidade de haver adaptações. Agente, exatamente, fazendo a primeira consulta pública para ter as demandas das pessoas da comunidade das associações e organizações de natureza econômica”.

Para a coordenadora regional do instituto Chico Mendes, Eugênia Medeiros, esta é a oportunidade que as pessoas têm de adequar esse projeto aos interesses das comunidades tanto do ponto de vista das atividades que podem ser desenvolvidas na área quanto dos limites. “A proposta não está fechada, pode-se discutir os limites, discutir as atividades e de que forma isso vai se dar dentro da área do refúgio”. Ela considera a discussão válida para que as pessoas possam conciliar essas atividades e tirar dúvidas. Medeiros afirmou que muita coisa do que está sendo falado não é verdade, não é o que está sendo proposto pelo instituto.

Fonte: Secretaria de Turismo do Piauí

  
  

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