Ibama vai criar o segundo maior parque do País

O Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis deve iniciar na próxima semana uma consulta pública para criação do segundo maior parque nacional do País. A unidade, prevista para ser inaugurada já no início de 2005,

  
  

O Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis deve iniciar na próxima semana uma consulta pública para criação do segundo maior parque nacional do País.

A unidade, prevista para ser inaugurada já no início de 2005, deverá abranger 3 milhões de hectares entre o norte de Mato Grosso e o sudeste do Amazonas - o equivalente a 120 vezes a área do município de São Paulo (SP) - bem de frente para uma das principais rotas de avanço da agropecuária sobre a floresta.

O projeto foi tema de uma reunião na quinta-feira (9/12)entre representantes do Ibama e o secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso, Moacir Pires de Miranda, que deu luz verde para criação do parque.

Pela proposta apresentada, o parque cobriria quase todo o bico orte do Estado, delimitado pelos Rios Juruena e Teles-Pires. A maior parte, entretanto, se espalharia pelo sudeste do Amazonas, onde o projeto ainda está sendo negociado com o governo estadual.

Nesse formato, o Parque Nacional do Juruena, como está sendo chamado, perderia apenas para o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá, com 3,8 milhões de hectares. `O sinal que obtivemos do governo de Mato Grosso foi positivo`, disse a diretora de Ecossistemas do Ibama, Cecília Ferraz.

Levantamentos no local indicam que a região é praticamente desabitada, com altos índices de biodiversidade. `A vegetação é muito diversificada, de florestas tropicais densas até cerrado`, explica o engenheiro agrônomo Sérgio Brant.

A área é tida como uma das prioridades para a conservação da biodiversidade brasileira por causa da extrema riqueza de paisagens, fisionomias vegetais, recursos hídricos, espécies da fauna,da flora e microorganismos.

O parque de Juruena é formado por florestas ombrófila densa, ombrófila aberta, floresta decidual e cerrado.

As primeiras expedições realizadas pelo Ibama na área demonstram a importância ambiental do futuro parque. Já foram registradas 13 espécies de primatas pertencentes a dez gêneros diferentes; 84 espécies de anfíbios, entre os quais a perereca Phrynohyas resinifictrix, capaz de sobreviver somente em ambientes muito bem preservados.

Existem na região cerca de 500 espécies de aves nos levantamentos preliminares. Muitas dessas espécies estão listadas como ameaçadas de extinção.

Registros de aves como o gavião-real (Harpia harpija), predador que se alimenta preferencialmente de preguiças e macacos, indica a existência de fauna diversificada, pois os níveis mais altos da cadeia trófica (alimentar) estão bem preservados.

Devido às características naturais, os pesquisadores acreditam que a região possua um grande potencial para a ocorrência de novas espécies, devido ao intrincado sistema de relevo, recortado por rios e com áreas que possibilitam o surgimento de formas de vida insuspeitas.

A área chama a atenção dos estudiosos desde o século XIX. Os primeiros cientistas a percorrem a região pertenciam à expedição do barão Langsdorff, (1832), um dos pioneiros a mapear as regiões centrais do Brasil.

Área de risco :

Apesar de seu bom estado de conservação, a área é considerada de risco pelo Ibama. `As ameaças incluem retirada ilegal de madeira, desmatamentos, queimadas e garimpo, além de um organizado e forte processo de apropriação de terras públicas por particulares`, diz um dos documentos que sustentam a criação do parque.

O norte de Mato Grosso é uma das principais frentes de avanço da fronteira agrícola sobre a Amazônia, principalmente em função da soja. O projeto faz parte do programa nacional contra o desmatamento na Amazônia. A consulta pública é o primeiro passo para criação do parque.

Fonte: Ibama

  
  

Publicado por em

Antonis

Antonis

04/05/2009 20:23:59
Eu achei muito legal o que o Ibama fez!!!!!!!!!!!!!!!!