Parque Ecológico do Tietê-SP abriga insetos transmissores de doenças

Cercado por habitações irregulares e apresentando, além de rios poluídos, terrenos onde a água da chuva se acumula, o Parque Ecológico do Tietê – que está localizado na Grande São Paulo e recebe cerca de 40 mil visitantes por mês – oferece con

  
  

Cercado por habitações irregulares e apresentando, além de rios poluídos, terrenos onde a água da chuva se acumula, o Parque Ecológico do Tietê – que está localizado na Grande São Paulo e recebe cerca de 40 mil visitantes por mês – oferece condições propícias à disseminação de enfermidades.

Os culicídeos – insetos popularmente chamados de mosquitos, pernilongos, muriçocas ou carapanãs – conseguem se adaptar ao ambiente das cidades, onde passam a transmitir uma série de doenças ao homem.

Essa adaptação dos insetos é facilitada pela existência de reservas ambientais inseridas em centros urbanos.É o que sugere pesquisa realizada no Parque Ecológico do Tietê, localizado na periferia de Guarulhos, na Grande São Paulo. Carmen Lagos, do Centro Universitário Fundação Santo André, e Delsio Natal, da Universidade de São Paulo verificaram que a fauna de culicídeos do parque é bastante diversificada.

Em um período de dois anos, os pesquisadores coletaram mais de 53 mil mosquitos, pertencentes a 25 espécies diferentes, muitas delas transmissoras de doenças.As espécies de culicídeos mais freqüentes e abundantes foram Ochlerotatus scapularis, Culex quinquefasciatus e Culex declarator.

O inseto O. scapularisparece transmitir arbovírus como o Rocio, que causa encefalite (inflamação naparte do sistema nervoso central contida no crânio). Já o mosquito C. quinquefasciatus pode estar envolvido na transmissão do verme Wuchereria brancofti, que obstrui vasos linfáticos e provoca filariose bancroftiana(elefantíase).

Por sua vez, o inseto C. declarator possivelmente transmite o verme Dirofilaria immitis, causador da dirofilariose. Esta doença afeta, sobretudo, cães, mas, eventualmente, pode atingir humanos, causando problemas no coração e nos pulmões. Em resumo, “as espécies mais freqüentes e abundantes têm-se demonstrado eficientes na transmissão de agentes patogênicos ao homem em outras regiões”, afirmam Carmen e Delsio em artigo publicado na Revista de Saúde Pública em junho de 2003.

“Atenção deve ser dada a esses culicídeos, pois o local investigado, ao lado de um complexo urbano, reúne condições favoráveis àdisseminação de doenças por vetores”, dizem.

O risco de disseminação de doenças é acentuado pelo fato de existirem cerca de quatro mil pessoas morando em habitações irregulares construídas ao redor do Parque Ecológico do Tietê, que recebe, em média, 40 mil visitantes por mês.

Na paisagem do parque, junto à mata, existem espaços abertos e terrenos planos, onde a água da chuva se acumula, formando ambientes favoráveis ao desenvolvimento do O. scapularis.Já a grande quantidade de mosquitos C. quinquefasciatus e C. declarator está relacionada à existência de lagoas e córregos poluídos na reserva e em suas vizinhanças.

Fonte: Notisa

  
  

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