Parque Nacional das Emas voltará a ter conexão com rio Araguaia

Os dois ambientes foram isolados a partir da década de 1970 em decorrência dos dois fatores que mais contribuíram para a fragmentação do Cerrado por todo o país: a expansão da fronteira agrícola e a construção de rodovias.

  
  
O empresário do agronegócio Milton Fries disponibilizará aproximadamente 150 ha de sua propriedade, sediada nos limites do PNE, para reflorestamento com espécies nativas daquele ambiente

Após mais de três décadas de isolamento físico, o Parque Nacional das Emas - PNE, a mais importante unidade de conservação do bioma Cerrado, voltará a ter conexão com o rio Araguaia. O empresário do agronegócio Milton Fries disponibilizará aproximadamente 150 ha de sua propriedade, sediada nos limites do PNE, para reflorestamento com espécies nativas daquele ambiente, o que permitirá a reconstituição de um corredor ecológico entre o parque e o rio.

Milton Fries é um dos proprietários de terras que aderiu ao Programa de Revisão, Regularização e Monitoramento das Áreas de Reserva Legal e de Preservação Permanente - Prolegal, assinando Termo de Ajustamento de Conduta com o Ibama/GO e MPF/GO. O proprietário, que já vem cumprindo seu acordo Prolegal, vai além das exigências do TAC quando, espontaneamente, cede parte produtiva de sua propriedade. Segundo o superintendente do Ibama/GO, Ary Soares, trata-se de decisão altruísta e de grande importância para a conservação ambiental.

Mapa indica a situação atual do uso do solo
Neste mapa é possível visualizar a área total a ser recuperada

Um dos maiores problemas ecológicos do Cerrado é a fragmentação de seus habitats. Esta ocorrência entre o PNE e o rio Araguaia é um claro exemplo. Os dois ambientes foram isolados a partir da década de 1970 em decorrência dos dois fatores que mais contribuíram para a fragmentação do Cerrado por todo o país: a expansão da fronteira agrícola e a construção de rodovias. Segundo o chefe do PNE, o analista ambiental do ICMBio Marcos Cunha, essa conexão, relegada quando da regularização fundiária da UC, será restabelecida graças às sensibilidade de um produtor.

Os diretores do Instituto Onça-Pintada - IOP, Leandro Silveira e Anah Jácomo, avaliam que a decisão do proprietário é crucial para a união do Parque Nacional das Emas com o Rio Araguaia. “A localização da área a ser reflorestada é a melhor opção de ligação entre os dois ambientes, já que a drenagem, o relevo e a proximidade que unem os dois lados favorecem a melhor formação de um corredor natural”, analisam.

As ONG Instituto Onça-Pintada, Instituto de Desenvolvimento Econômico e Sócio-Ambiental - Idesa e o Earthwatch Institute, juntamente com o Ibama/GO, conceberam e estão implementando o Projeto “Corredor de Biodiversidade do rio Araguaia”. O restabelecimento da conexão PNE/Araguaia é tida como de fundamental importância para que o referido projeto alcance seus objetivos.

Ary Soares informa que as instituições parceiras do Projeto Corredor de Biodiversidade do Rio Araguaia, juntamente com Milton Fries, preparam, para breve, a apresentação oficial do projeto de recuperação da área, que demonstrará de forma concreta que é possível conciliar conservação e produção pela sustentabilidade ambiental. Acrescentou ainda que este projeto deverá induzir adequações nas rodovias que margeiam o Parque, visando à diminuição de atropelamentos de animais silvestres.

Fonte; Ibama

  
  

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