Parques Nacionais no sul do país sofrem prejuízos depois de chuvas intensas

Trilhas parcialmente destruídas, perda de biodiversidade e do recobrimento de florestas de mata atlântica, dificuldade de acesso, pontes destruídas e cerca de 17 pontos onde ocorreram deslizamentos de terra (entre grandes e pequenos).

  
  

Trilhas parcialmente destruídas, perda de biodiversidade e do recobrimento de florestas de mata atlântica, dificuldade de acesso, pontes destruídas e cerca de 17 pontos onde ocorreram deslizamentos de terra (entre grandes e pequenos). Estas são algumas das principais conseqüências das intensas chuvas na região sul do país, depois do Carnaval, em dois Parques Nacionais e em suas respectivas zonas de amortecimento.

Em vistorias realizadas entre os dias 04 e 08 de março para observar os estragos causados pelas chuvas na encosta da Serra Geral, área dos Parques Nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral, o analista ambiental e chefe dos parques, Deonir Geolvane Zimmermann, fez um levantamento de como está, neste momento, a situação no local. Segundo Deonir, a maior concentração da chuva foi entre a região de São Francisco de Paula a Cambará do Sul/RS e de Jacinto Machado, em Santa Catarina, até Maquiné (RS). Foram 10 dias de chuvas intensas com precipitação de 240 mm. “Isso pode ser observado nas imagens obtidas em diversas vistorias realizadas a pé, de veículo e helicóptero”, afirma. A Trilha do Cotovelo, que tem seu início em uma ponte de madeira sobre o Arroio Perdizes, “teve suas cabeceiras completamente destruídas, necessitando de reparos urgentes”.

Em seu relatório ele explica ainda que “em muitos locais ainda não foi possível chegar, como os Cânions do Faxinalzinho (PNAS/PNSG) e Josafaz, além do município de Jacinto Machado. Uma das trilhas mais conhecidas, a Trilha do Rio do Boi está fechada temporariamente. A previsão é de que, logo que iniciarem as obras para recuperação do leito da estrada de acesso até o início da trilha, uma vistoria de inspeção de segurança será realizada pela equipe técnica das unidades, acompanhados do Conselho Consultivo da UC, das associações de guias e condutores locais. Outras trilhas de interior de cânion, que já haviam sido vistoriadas em 2006 e 2007, como as Piscinas do Malacara, Tigre Preto e Cânion da Pedra (Macuco), deverão ser revistas, devido às alterações provocadas pelas enchentes”. Elas não estão autorizadas para utilização pública.

Segundo Deonir, o quadro atual é de impossibilidade de acesso com veículo até os pontos de controle do Rio do Boi e Rio Mampituba, sendo que a troca semanal dos vigilantes ali lotados foi providenciada através de horas caminhando entre estradas completamente destruídas, barreiras e pontes danificadas, atravessando rios, muitas vezes com corredeiras. “Não existe previsão para conclusão dos reparos, visto que a estrada até o ponto de controle do Rio Mampituba possui um deslizamento em local com poucas possibilidades de recuperação, sendo a melhor saída, a construção de uma ponte”.

No caso do ponto de controle do Rio do Boi, “deve se refazer toda estrada a partir da ponte sendo que se não forem autorizadas obras de retificação de leitos dentro do PNAS, as próximas enchentes (menores) levarão novamente o material depositado, pois o rio alterou seu leito para onde antigamente passava a estrada”.

Deonir Zimmermann informa ainda que está buscando junto à coordenação estadual do Prevfogo a possibilidade de obtenção de recursos para manutenção de estradas de serviço internas, algumas seriamente danificadas pelas fortes chuvas, “o que dificulta o acesso rápido de veículos aos locais de incêndios”.

Segundo o responsável pelo Núcleo de Unidades de Conservação, José Paulo Fitarelli, embora estes deslizamento de encostas sejam resultantes de causas naturais (chuvas intensas), eles demonstram a impossibilidade de utilização das encostas por atividades humanas.

Fonte: Maria Helena Firmbach Annes/Ibama

Editoria: Guto Bertagnolli

  
  

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