Três parques terão trilhas monitoradas

Apenas 200 quilômetros separam a capital paulista do maior remanescente protegido de Mata Atlântica no país, o Parque Estadual da Serra do Mar.

  
  

Apenas 200 quilômetros separam a capital paulista do maior remanescente protegido de Mata Atlântica no país, o Parque Estadual da Serra do Mar. Abrangendo 23 municípios e com 315 mil hectares, o parque abriga quase metade das 1.523 espécies de animais já descobertos no bioma, segundo Avaliação Ecológica Rápida realizada em sua área.

Muitos dessas espécies estão ameaçados de extinção como o muriqui, o maior primata das américas, o papagaio-da-cara-roxa, o gato maracajá, a onça-pintada, a jaguatirica e a lontra.

“Ver um animal selvagem se alimentando livremente e sem fugir é um espetáculo incrível e o nosso desafio na gestão dos parques”, explica a gerente de Conservação Ambiental da Fundação Florestal, Adriana Mattoso. “Isso resume tudo, a proteção, a visitação organizada e a riqueza da biodiversidade”, ressalta.

Adriana explica que quanto maior o controle para evitar a degradação dos remanescentes, maior a chance de avistar os animais. Assim, o ecoturismo, como uma atividade organizada nos parques, acaba reforçando as ações de proteção.

Encravado numa das regiões mais urbanizadas do país, o parque é ameaçado com a ocupação irregular, a caça de animais silvestres, a retirada de plantas nativas, especialmente o corte de palmito, além de projetos de infraestrutura como linhas de transmissão de energia e gasodutos, que têm impactos na integridade das áreas.

Segundo Adriana, o Parque Estadual da Serra do Mar recebe 85 mil visitantes registrados por ano. Uma de suas 40 trilhas fará parte dos testes para aprimorar o monitoramento da visitação nos parques paulistas.

Vale do Ribeira
Outro pólo de biodiversidade no estado de São Paulo é o Vale do Ribeira sobre o qual será realizado estudo de acompanhamento de duas trilhas, uma delas no Parque Estadual de Itinguçu.

A área de 8.148 hectares, com 2.420 hectares de faixa marinha, é um das maiores trechos costeiros protegidos no estado, e tem atraído 45 mil visitantes por ano, motivados por suas cachoeiras, praias de excelente balneabilidade e beleza da paisagem. O local é também privilegiado para o avistamento de aves. Só de beija-flores e pica-paus foram identificadas quase 30 espécies diferentes na região.

A criação do parque é bastante recente. Antes de 2006 a área fazia parte da Estação Ecológica de Juréia-Itatins sendo a visitação proibida. Com a recomposição em várias categorias de proteção, foi estabelecido o Mosaico de Juréia Itatins e, nos últimos três anos, permitida a visitação pública na área que ficou registrada como parque como forma de ordenar a atividade.

Hoje é uma das unidades de conservação mais visitadas do estado e um dos focos para o planejamento do desenvolvimento sustentável e geração renda para a comunidade de Peruíbe e Iguape.

A trilha da Cachoeira do Paraíso, que fará parte da pesquisa para aprimorar o manejo, concentra quase toda a visitação do parque, recebendo, em períodos de pico, até seis mil visitantes por dia.

“Esse teste piloto vai nos ajudar a fazer todas as correções e adaptações para disciplinar a pressão que ocorre ali de forma que o visitante seja bem atendido e que as atividades gerem o mínimo de impacto possível”, explica a gestora do parque, Jeannette Viera Geenen, observando que três novos roteiros estarão abertos ao público nos próximos meses – Trilha do Arpoador, Cachoeira do Itu e trilha do Paranoá.

Patrimônio biodiverso
A complexa interação entre as correntes oceânicas e o relevo de altitude da costa brasileira resultou numa das regiões naturais de maior biodiversidade do planeta. Caracterizada por diferentes ecossistemas, como exuberantes florestas, campos de altitude, mangues e restingas, a chamada Mata Atlântica originalmente cobria todo litoral brasileiro, ao longo de 1,3 milhões de quilômetros quadrados.

Toda essa riqueza de ambientes também repercutiu na formação de um berçário de espécies únicas. Nestes bolsões de biodiversidade são encontrados nada menos de 7% das espécies mundiais de animais e plantas, que vivem sob intensa ameaça numa das áreas mais populosas do país.

“Pela sua importância em escala global, como uma das florestas mais biodiversas e ameaçadas do mundo, ações para a conservação da Mata Atlântica significam manter um patrimônio fundamental não só para o país, mas para o planeta”, ressalta a secretária geral do WWF-Brasil, Denise Hamú.

Darwin
Foi na Mata Atlântica que Charles Darwin, o criador da teoria da evolução, teve sua primeira experiência em uma floresta tropical num continente durante sua expedição no navio Beagle, em 1832. Foram três meses em que o naturalista coletou plantas, animais, insetos e acima de tudo se encantou com a multiplicidade de espécies e a beleza da mata.

Em viagem ao Brasil no ano passado, refazendo o percurso do tataravô no Rio de Janeiro , Randal Keynes, tataraneto de Charles Darwin, disse que ele ficaria horrorizado com a destruição da Mata Atlântica brasileira: há 177 anos atrás, ele encontrou quase intocado o que agora está reduzido a apenas 7%.

Fonte: WWF

  
  

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