WWF lança site sobre cada uma das áreas preservadas espalhadas pelo Brasil

Já está disponível para consulta por qualquer brasileiro o Observatório de Unidades de Conservação. Lançado pelo WWF-Brasil com apoio do Instituto Chico Mendes a página traz as principais características de áreas protegidas espalhadas por todo o país

  
  
O Observatório já nasce contando com 876 unidades de conservação cadastradas

Já está disponível para consulta por qualquer brasileiro o Observatório de Unidades de Conservação. Lançado pelo WWF-Brasil com apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (autarquia federal subordinada ao Ministério do Meio Ambiente), a página (http://observatorio.wwf.org.br/) traz as principais características de áreas protegidas espalhadas por todo o país, incluindo estudos, mapas, gráficos, planos de manejo, legislação, fotos, bem como espécies de animais e plantas abrigados.

Um sistema de busca permite organizar informações por estados, categoria (se é parque, reserva extrativista ou área de proteção ambiental, por exemplo), esfera (federal ou estadual) e grupo (proteção integral ou uso sustentável). O Observatório já nasce contando com 876 unidades de conservação cadastradas, sendo 572 estaduais e 304 federais.

Para Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF Brasil, o observatório funcionará como fonte atualizada de informações e como um instrumento de cobrança de políticas e ações do Poder Público. “Para os tomadores de decisão, a importância das UCs (Unidades de Conservação) já deveria estar clara. Se não está, os dados mostram o capital que o país tem, o que está faltando para fazer melhor e as ameaças [às unidades]. Quando [o Poder Público] vê que só tem uma unidade em Mato Grosso do Sul que conserva o que restou do Rio Paraná, não vai ter argumentos para, naquele pedaço do rio, fazer uma obra”, disse.

Cecília Wey de Brito acredita que as autoridades brasileiras precisam rever conceitos de valor dessas unidades. Ela lembra que, recentemente, a WWF precisou reunir estudos e promover debates para garantir a preservação de uma área de restinga no litoral paulista que poderia ter se transformado em mais uma área de exploração imobiliária.

“A criação e a manutenção de unidades de conservação é uma estratégia mundialmente consagrada para a conservação da biodiversidade, da vida. Hoje necessitamos de mais esforços para expandir o número de áreas protegidas e estabelecer sistemas nacionais de unidades de conservação. Logo, a compilação e armazenamento adequado de informações sobre as unidades de conservação são essenciais para o monitoramento e avaliação dessas áreas e posterior planejamento de estratégias e ações para melhoria de sua gestão”, ressaltou a secretária-geral do WWF Brasil.

Para Giovanna Palazzi, do Departamento de Áreas Protegidas do Ministério do Meio Ambiente, o banco de dados pode contribuir para o mapeamento e o acompanhamento feitos pelo governo, que já cadastrou e validou, tecnicamente, 1,7 mil unidades de conservação (UCs) do país. “Hoje temos 100% das UCs federais, além de quase 95% das estaduais. Agora estamos entrando com as informações municipais. A ideia é aprimorar o cadastro com esses outros instrumentos criados por parceiros”.

Efetividade de gestão - Na última terça (3), também foram apresentados as análises de efetividade de gestão das unidades de conservação do Amazonas, Pará, Rondônia e Mato Grosso do Sul (atalhos ao lado), realizadas por WWF-Brasil, Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e secretarias de Meio Ambiente daqueles estados.

O WWF-Brasil vem apoiando a aplicação do Método para a Avaliação Rápida e Priorização da Gestão de Unidades de Conservação (Rappam, sigla em Inglês) no Brasil desde 2004. Cerca de 470 unidades de conservação já foram avaliadas pelo método, representando cerca de oito em cada dez hectares da área total protegida no país.

Segundo Mauro Armelin, coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil, “a avaliação da efetividade de gestão representa uma ferramenta simples aos tomadores de decisão e formadores de políticas relacionadas a unidades de conservação para identificar maiores tendências, lacunas e aspectos que devem ser priorizados para se alcançar os objetivos de criação dessas áreas e o fortalecimento dos sistemas”.

Giovanna Palazzi, do Ministério do Meio Ambiente, ressaltou a importância da realização de análises periódicas para acompanhar a evolução da implantação dos sistemas de UCs. “A primeira aplicação do Rappam nas UCs federais em 2005 representou uma fotografia do sistema. Com a sua repetição em 2010, começamos a ter uma sequência temporal que nos permite analisar tendências e resultados reais dos investimentos realizados nas UCs nesse período”, afirmou.

Maria Cecília Wey de Brito, do WWF-Brasil, concluiu o debate afirmando que “apesar da criação de UCs ter sido uma medida efetiva para a redução das taxas de desmatamento nos últimos anos, as demandas por terra produtiva e implantação de infraestruturas irão pressionar cada vez mais essas áreas. Portanto, é essencial promover esforços para a consolidação dos sistemas de unidades de conservação, garantindo que essas áreas cumpram seus objetivos de conservação e também gerem benefícios econômicos e sociais”.

Fonte: WWF

  
  

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