Argamassa celulósica desenvolvida pelo CEPED-Bahia não causa danos ao meio ambiente

Ainda que não seja indicada para coberturas e fachadas em regiões declima tropical, a argamassa celulósica pode ser usada para fabricação depainéis internos de vedação, como forros e divisórias. Além disso, não causa danos ao meio ambiente. É o que demons

  
  

Ainda que não seja indicada para coberturas e fachadas em regiões declima tropical, a argamassa celulósica pode ser usada para fabricação depainéis internos de vedação, como forros e divisórias. Além disso, não causa danos ao meio ambiente. É o que demonstra a pesquisa Componentes Habitacionais de Argamassa Celulósica e Espuma de Poliuretano,desenvolvida pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento (CEPED), da Bahia, com apoio financeiro da FINEP, através do Programa de TecnologiaPara Habitação - Habitare.

"Para viabilizar a utilização ampla erotineira da argamassa celulósica na construção civil, mais estudosserão necessários, mas um primeiro passo foi dado", avalia a engenheiracivil e pesquisadora do CEPED, Célia Maria Martins Neves.

De acordo com a coordenadora, uma contribuição significativa do trabalho para viabilização do produto - constituído da matriz de cimento e areiareforçada com fibras de celulose obtidas a partir de papel reciclado -foi o estudo da durabilidade, com aprofundamento da análise damicroestrutura da argamassa celulósica.

Os experimentos mostraram que a argamassa celulósica é suscetível à ação da água principalmente devido ao elevado índice de absorção e comportamento permeável.

"Observamos que quando é submetida a condições variadas de temperatura e umidade, ela tem sua capacidade de resistência e envelhecimento comprometida",explica a pesquisadora.

As conclusões são resultado de uma série de testes utilizados para verificar a deterioração do material a partir da ação da água e de microorganismos. Os testes foram realizados tanto em condições ambientais normais como em experimentos de envelhecimento acelerado.

Outro aspecto relevante no estudo foi a introdução da análise dosefeitos do material na qualidade ambiental, tema ainda incipiente paraos materiais de construção, mas indispensável nos enfoques atuais daengenharia.

Como não existe ainda uma metodologia específica paraavaliação do impacto ambiental de materiais de construção, oprocedimento adotado foi tratar a argamassa celulósica como um resíduosólido e determinar a possível liberação de substâncias perigosas.

Para estabelecer o potencial de riscos à saúde pública e ao meio ambiente,foram utilizados parâmetros e ensaios de lixiviação e de solubilização,adotados para classificar resíduos sólidos. O impacto ambiental foiavaliado através de análises químicas em que foram verificadas apresença e liberação dos metais denominados pesados como arsênio, bário,cádmio, chumbo, cromo, mercúrio, prata e selênio, e os valores obtidoscomparados com os limites especificados na NBR 10004.

"A técnica de análise utilizada não permite assegurar a ausência dassubstâncias analisadas, mas podemos afirmar que, se presente, suaconcentração não atinge o limite de detecção do aparelho", destaca a pesquisadora complementando: "Os estudos comprovaram que em relação aomeio ambiente, a argamassa celulósica não apresenta, em princípio,efeitos prejudiciais".

A pesquisa também mostrou que além de apresentar uma alternativa parareaproveitamento do papel, a mistura de cimento, areia e fibras decelulose mantém as características dos materiais reforçados com fibras,apresentando vantagens em relação às fibras vegetais. Isso porque amaioria das fibras vegetais é vulnerável ao meio alcalino das matrizesde cimento (pois a lignina é dissolvida e a hemicelulose decomposta),mas as fibras da pasta de celulose contêm pouca quantidade destassubstâncias, apresentando melhor durabilidade no meio alcalino.

"Agora é necessário investir na produção de componentes habitacionais. Énecessário desenvolver processos produtivos simples e com custoreduzido, mesmo com sacrifício de algumas propriedades da argamassacelulósica que não prejudiquem essencialmente seu desempenho", avalia acoordenadora.

Fonte: CEPED

  
  

Publicado por em

Edney

Edney

28/01/2009 20:51:41
Muito bom