Assentados do Sul da Bahia mostram que é possível proteger a Mata Atlântica

Não é preciso derrubar floresta para que os agricultores possam produzir e ter renda. Alternativas que ajudam a conservar a Mata Atlântica, como a agroecologia e a agricultura orgânica, foram debatidas ontem,10 de setembro pela manhã em Ilhéus, no seminár

  
  

Não é preciso derrubar floresta para que os agricultores possam produzir e ter renda. Alternativas que ajudam a conservar a Mata Atlântica, como a agroecologia e a agricultura orgânica, foram debatidas ontem,10 de setembro pela manhã em Ilhéus, no seminário `Reforma Agrária e a Conservação da Mata Atlântica no Sul da Bahia`, promovido pela organização não-governamental Jupará Agroecologia, pela Cooperativa de Pequenos Produtores e Produtoras Agroecologistas do Sul da Bahia (Coopasb) e pelo WWF-Brasil.

Durante o seminário foi lançado o filme `Verde Como o Cacau da Bahia`, que registra a história do projeto `Reforma Agrária Ecológica`, desenvolvido pela Jupará em parceria com o WWF-Brasil.

O documentário foi eleito pelo júri popular o melhor filme do V Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, realizado na Cidade de Goiás em junho de 2003.

O encontro, realizado na sede da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), em Ilhéus, teve a participação do Superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) da Bahia,Marcelino Galo, do chefe da Reserva Biológica de Una, Saturnino Neto, do coordenador técnico da Jupará, Luiz Souto, e de Ludmila Caminha, técnica de Políticas Públicas, e Helena Maltez, coordenadora da Programa Mata Atlântica, do WWF-Brasil.

`A realização deste seminário e o lançamento deste filme, premiado no FICA, dão maior visibilidade e reconhecimento a esse trabalho que compatibiliza a reforma agrária e a conservação da Mata Atlântica`, diz
Souto.

`Queremos agora consolidar o projeto para que ele tenha sustentabilidade no futuro.` A produção orgânica dos assentados ganhou novo impulso recentemente com a liberação de crédito para 120 famílias pelo Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) orgânico.

`Agora precisamos levantar capital de giro para juntar a produção das famílias e garantir lotes de no mínimo 10 toneladas para continuarmos a exportar`, afirma Souto.

Em julho de 2002, os assentados da região que integram a Coopasb exportaram cacau orgânico de alta qualidade pela primeira vez, para a Suíça.

A exportação foi um dos grandes resultados do trabalho que a Jupará, em parceria com o WWF-Brasil, vem desenvolvendo há oito anos na região.

Além de praticar a agricultura orgânica e plantar o cacau em consórcio com a floresta em 40% de suas propriedades, os agricultores são orientados a preservar intocados outros 30% da área.

Essa história de sucesso é contada no filme `Verde Como o Cacau da Bahia`, um documentário de 18 minutos em que os assentados contam como se transformaram em agroecologistas. Os assentados assistiram o filme pela primeira vez e se emocionaram ao ouvir o depoimento final do filme, em que um agricultor diz sorrindo `Hoje o dono somos nós`.

O cacau plantado dentro da floresta e a preservação de 30% de cada propriedade são cruciais para a recuperação da Mata Atlântica na região.

Um dos biomas mais ameaçados do planeta, a Mata Atlântica foi reduzida a 7% de sua área original desde a chegada dos europeus, há mais de 500 anos.

Alguns remanescentes estão protegidos em reservas, como a Reserva Biológica de Una, em Ilhéus, hábitat do mico-leão-de-cara-dourada, encontrado somente nessa área e hoje ameaçado de extinção.

Cada pedaço conservado pelos assentados da reforma agrária vai aumentar a mata disponível para a população dessa espécie de mico e com isso contribuir para a sobrevivência dela.

`Os assentados pela reforma agrária ligados a esse projeto podem dar o exemplo para outros assentamentos na Mata Atlântica de como manejar sua área e conservar a floresta`, ressalta Helena Maltez.

`Aqui no sul da Bahia, o desafio agora é trabalhar para que os assentados, que hoje são agroecologistas, não apenas conservem o que ainda existe mas também se tornem agentes restauradores, ajudando a recuperar o que já foi degradado.`

Fonte: AssCom. WWF-Brasil

  
  

Publicado por em

Ingrid

Ingrid

30/09/2008 15:58:21
Concordo plenamente com essa qestão.
Estou de acorDo e não abro mão da agorecologia e de agiculturas q não degradam o meio ambiente, como a permacultura.