Atlas revela situação dos remanescentes florestais da Mata Atlântica

http://www.jornaldomeioambiente.com.br/fotos/25803.jpg http://www.jornaldomeioambiente.com.br/imagens/1px.gif SOS Mata Atlântica e Inpe lançam nova edição com situação de quase 80 milhões de hectar

  
  

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SOS Mata Atlântica e Inpe lançam nova edição com situação de quase 80 milhões de hectares em oito estados do bioma; Dados parciais indicam que total de remanescentes já é menor que 7%; Santa Catarina e Paraná concentram 77% dos desflorestamentos ocorridos na Mata Atlântica entre os anos de 2000 e 2005.

São Paulo - A Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) anunciaram nesta terça-feira (12) os resultados da edição 2000/2005 do Atlas dos Remanescentes Florestais de Mata Atlântica, o mais completo estudo sobre o bioma extremamente ameaçado. Em entrevista coletiva on-line, Marcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica; Flávio Ponzini, coordenador técnico do estudo pelo INPE; e Mario Mantovani, diretor de Mobilização da ONG ambientalista, mostram os dados de oito estados pesquisados (Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo), que somam 79.515.743 hectares, correspondendo a 60% da área do bioma.

“O Atlas é fruto de um amplo trabalho, sistematicamente atualizado há duas décadas, que conta com o envolvimento de muitas instituições e pessoas que participam e colaboram na sua realização, para que o país e a sociedade tenham mais subsídios para atuar em favor da proteção deste bioma, que é Patrimônio Nacional”, observa Márcia Hirota. “Os dados e mapas são disponibilizados gratuitamente no portal http://www.sosma.org.br e todo cidadão tem a chance de checar como está a situação da Mata Atlântica no seu município com apenas alguns cliques”.

De acordo com o que foi mapeado até agora, a Mata Atlântica está reduzida a 6,98% de sua cobertura original. Em 2000, este índice era de 7,1%. “Estamos agora em uma nova fase, com a aprovação no final de novembro do Projeto de Lei da Mata Atlântica, que após 14 anos de tramitação aguarda apenas a sanção presidencial”, lembra Mario Mantovani. “Todos os cidadãos precisam conhecer os novos mecanismos de proteção e ingressar nesta luta pela qualidade de vida da população”.

As informações divulgadas hoje mostram a situação estado a estado, levando em conta três classes de mapeamento: florestas, restingas e mangue. Do total de 95.066 hectares de desflorestamento detectados na Mata Atlântica no período de 2000 a 2005, 73.561 hectares ou 77% do total de remanescentes suprimidos estão concentrados em Santa Catarina e Paraná. Dentre os oito estados pesquisados, Goiás foi o que mais devastou a Mata Atlântica percentualmente (7,94%), seguido por Mato Grosso do Sul (2,84%), Santa Catarina (2,03%), Paraná (1,34%), Rio Grande do Sul (0,30%), São Paulo (0,19%), Espírito Santo (0,16%) e Rio de Janeiro (0,08%).

Espírito Santo

Com área de Mata Atlântica de 4.616.591 hectares, o Estado do Espírito Santo registrou, entre 2000-2005, um desflorestamento de 0,16%, na comparação com o qüinqüênio anterior, o que representa 779 hectares. É o segundo estado com a menor cobertura de Mata Atlântica e, igualmente, o segundo que menos desflorestou. Da área original de Mata Atlântica, restam no Espírito Santo 486.661 hectares contra os 487.439 contabilizados no Atlas de 1995-2000.

Goiás

De acordo com os dados do Atlas da Mata Atlântica, o estado de Goiás foi o que mostrou o maior desflorestamento no período 2000-2005. A redução na cobertura do bioma no estado – que soma uma área global de 34.127.082 hectares (1.132.302 hectares originais de Mata Atlântica), foi de 7,94%, passando de 41,8 mil hectares entre 1995-2000 para 38.841 hectares no período seguinte, o que soma uma perda de 3.319 hectares.

Mato Grosso do Sul

O Estado que, originalmente, dispunha de uma área de Mata Atlântica de 5.810.019 hectares, ou 16,05% de seu território de 36.193.583 hectares, conta hoje com apenas 315.304 hectares do bioma (eram 324.517 no ano 2000), ou 5,43% do original. No período de estudo da nova edição do Atlas, Mato Grosso do Sul perdeu 9.213 hectares de Mata Atlântica, um desflorestamento de 2,84% em relação ao levantamento anterior.

Paraná

Com uma área de 20.044.405 hectares, 97,36% dos quais de Mata Atlântica inicialmente, restam ao Estado apenas pouco mais de 10% (2.064.383 hectares). Entre 2000-2005, o estado perdeu 28.142 hectares de florestas e 87 hectares de restingas, o que representa um desflorestamento de 1,34%. Isto significa que, no período 1995-2000, ainda restavam 1.957.790 hectares de Mata Atlântica na região e hoje restam 1.929.648 hectares.

Rio de Janeiro

O Estado fluminense que, originalmente, contava com 100% de Mata Atlântica em seu território de 4.358.403 hectares, dispõe hoje de apenas 817.158 hectares contra os 817.788 do ano 2000. O desflorestamento no Rio foi o menor verificado no estudo – 630 hectares de florestas (0,08%) e 16 hectares de restingas (0.04%). Hoje, o Estado tem apenas 18,75% de Mata Atlântica.

Rio Grande do Sul

A Mata Atlântica no Estado gaúcho somava 46,09% de sua área total de 28.403.078 hectares. Hoje, restam apenas 976.959 hectares de florestas e restingas, 7,46% do total. No período 2000-2005, desapareceram 2.907 hectares de Mata Atlântica do Rio Grande do Sul, o que representa um desflorestamento de 0,30% na comparação com o qüinqüênio anterior.

Santa Catarina

Com 100% de seu território de 9.555.850 hectares de área cobertos originalmente por Mata Atlântica, restam hoje ao Estado 2.188.740 hectares do bioma. No período de 2000 a 2005, mais 45.419 hectares (2,03%) foram perdidos. Assim, restam hoje ao estado apenas 22,9% de Mata Atlântica.

São Paulo

Com uma área total de 24.873.203 hectares e 20.473.506 de Mata Atlântica (82,31% de seu território), São Paulo conta hoje com 2.722.552 hectares do bioma, ou 13,30% do total. No período de 2000 a 2005, o Estado perdeu 4.657 hectares de Mata Atlântica, 0,19% a mais do que no qüinqüênio anterior.

Campeãs de Desflorestamento

Bituruna, no Paraná, lidera o ranking das cidades que mais desflorestaram a Mata Atlântica no período de 2000 a 2005 – foram 4.808,60 hectares. A conclusão é do Atlas dos Municípios da Mata Atlântica, um dos subprodutos do Atlas dos Remanescentes Florestais de Mata Atlântica, em levantamento feito em 1.944 cidades de oito dos 17 estados abrangidos pelo bioma.

O ranking inclui ainda as cidades de Mafra, em Santa Catarina, responsável pelo desaparecimento de 3.677,71 ha, Coronel Domingos Soares (PR – 3.351,45 ha), Itaiópolis (SC – 3.254,58 ha), Palmas (PR – 3.036,34 ha), General Carneiro (PR – 1.1745,47 ha), Iguatemi (MS – 1.522,87 ha), Santa Cecília (SC – 1.377,54 ha), Abelardo Luz (SC – 1.253,54 ha) e Tacuru (MS – 1.146,66 ha).

O Atlas dos Municípios mostra ainda os índices de representatividade das formações florestais nativas e ecossistemas associados, tais como os manguezais e as vegetações de restinga.

Os dados dos Atlas dos Municípios foram gerados com a sobreposição dos limites municipais - 2001 gerados pela Geoscape Brasil no formato digital e padrão ARCINFO, em escala 1:500.000 com os limites do Bioma Mata Atlântica, digitalizados no âmbito do convênio entre a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Socioambiental, tendo como base o Decreto Federal 750/93, extraído do Mapa de Vegetação do Brasil, FIBGE, 1993, em escala 1:5.000.000.

Atlas de remanescentes da Mata Atlântica no Brasil

Desenvolvidos pela Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, os "Atlas dos remanescentes florestais e ecossistemas associados do bioma Mata Atlântica” foram produzidos nos períodos de 1985-1990, 1990-1995, 1995-2000, 2000-2005 e representam um grande avanço na compreensão da situação em que se encontra a Mata Atlântica em 10 dos 17 estados abrangidos pelo bioma.

O último levantamento mostra que comparando os desmatamentos identificados nos intervalos de 1995-2000 e 2000-2005, houve diminuição de 71% no ritmo de desflorestamento. “Apesar da queda da taxa de desflorestamento no atual período, o que deve ser comemorado, os valores brutos continuam elevados em relação à situação dramática verificada na Mata Atlântica, especialmente levando-se em conta os altos índices de desflorestamento identificados nos últimos 20 anos. O que resta de floresta original deve ser efetivamente protegido”, afirma Márcia Hirota, diretora de Gestão do Conhecimento e coordenadora do Atlas pela SOS Mata Atlântica.

Os trabalhos de pesquisa do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica para o período de 2000 a 2005 continuam e os resultados e, quando estiver concluída, esta edição do estudo contemplará 10 estados, perfazendo 94% do total. As bases dos Estados de Minas Gerais e Bahia deverão ser avaliadas nos próximos meses uma vez que a atualização depende de imagens de satélite livres da cobertura de nuvens.

Histórico do Atlas

O primeiro mapeamento do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, publicado em 1990 pela Fundação e o INPE, com a participação do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), teve o mérito de ser um trabalho inédito sobre a área original e a distribuição espacial dos remanescentes florestais da Mata Atlântica.

Em 1991, a SOS Mata Atlântica e o INPE deram início a um mapeamento mais detalhado, em escala 1:250.000, analisando a ação humana sobre os remanescentes florestais e nas vegetações de mangue e de restinga entre 1985 a 1990. Publicado em 1992/93, o trabalho avaliou a situação da Mata Atlântica nos dez Estados - Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul - que apresentavam a maior concentração de áreas preservadas.

Um novo lançamento ocorreu em 1998, desta vez cobrindo o período de 1990-1995, com a digitalização dos limites das fisionomias vegetais da Mata Atlântica e de algumas Unidades de Conservação federais e estaduais, elaborada em parceria com o Instituto Socioambiental, e incluindo maior precisão na verificação dos remanescentes florestais devido a aprimoramentos metodológicos no processamento das imagens de satélite. Neste período, não foi possível avaliar as alterações ocorridas no Estado da Bahia, devido à falta de imagens livres da cobertura de nuvens.

Desenvolvido com técnicas de interpretação visual de imagens de satélite, levantamentos de campo e sobrevôos, o trabalho vem, ao longo dos anos, apropriando-se dos benefícios da tecnologia de informação, especialmente das áreas de sensoriamento remoto e de geoprocessamento.

Entre o período de 1995-2000, os resultados revelaram novamente a situação da Mata Atlântica em 10 dos 17 estados - a totalidade das áreas do bioma Mata Atlântica de Goiás, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e áreas parciais da Bahia - que abrangeram nesta etapa 1.185.000 km2, ou seja, 94% da área total do Bioma Mata Atlântica.

As bases temáticas geradas anteriormente também foram georreferenciadas, reinterpretadas e utilizadas como fundamento para a geração de uma nova base, ainda referente ao período 1990-1995, mas incluindo dados na escala 1:50.000. Com isso, foi possível elaborar a análise da evolução da Mata Atlântica no período 1995-2000.

Mudanças nos critérios de mapeamento, incluindo a identificação de formações arbóreas sucessionais secundárias, contrariamente aos mapeamentos anteriores, nos quais considerava-se como "remanescentes florestais" somente as formações arbóreas primárias ou em estágio avançado de regeneração, sugerindo mínima ação antrópica, deram uma abrangência maior e mais completa ao trabalho.

Em 2005, a Fundação SOS Mata Atlântica e o INPE deram início à atualização do Atlas para avaliar a dinâmica dos remanescentes florestais, de mangue e de restinga ocorrida no período 2000 e 2005. Nessa nova versão foram aprimorados aspectos relacionados ao georreferenciamento das bases temáticas geradas, bem como na identificação dos remanescentes procurando minimizar erros de interpretação.

Nessa identificação foram revistos critérios de mapeamento com o objetivo de priorizar a identificação de formações arbóreas em estágio clímax ou avançado de regeneração. Formações secundárias foram também incluídas como remanescentes, porém aquelas em estágios iniciais de regeneração foram excluídas do mapeamento devido ao elevado grau de incerteza em seu delineamento mediante o uso de imagens orbitais.

Várias são as iniciativas associadas ao Atlas dos remanescentes florestais da Mata Atlântica. Uma delas é a inserção de novas bases, tais como a dos limites municipais e das Unidades de Conservação, além das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade da Mata Atlântica e das formações vegetais, definido pelo artigo 3º do Decreto Federal 750/93 e com base no Mapa de Vegetação do Brasil do IBGE, na escala 1:5.000.000.

Esta quarta edição, do período 2000 a 2005, conta com a execução técnica da Arcplan e patrocínio do Bradesco e co-patrocínio da Colgate-Palmolive/Sorriso Herbal.

Mata Atlântica abrange 17 estados com vários ecossistemas

A Mata Atlântica abrangia uma área de 1,36 milhão de km2, o que equivalia a cerca de 15% do território brasileiro. O alto grau de interferência na Mata Atlântica é conhecido. Desde o descobrimento do Brasil pelos europeus, os impactos de diferentes ciclos de exploração, da concentração das maiores cidades e núcleos industriais e da alta densidade demográfica, entre outras atividades em sua área, fizeram com que a vegetação natural fosse reduzida drasticamente.

Áreas significativas deste conjunto de ecossistemas foram consideradas Patrimônio Mundial pela ONU e também reconhecidas como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela UNESCO. Inúmeros são os benefícios, diretos e indiretos, que proporciona para garantir a qualidade de vida, especialmente a 110 milhões de brasileiros que nela vivem. Para citar alguns, ela protege e regula o fluxo de mananciais hídricos, que abastecem as cidades e principais metrópoles brasileiras e controla o clima. Abriga rica e enorme biodiversidade, preserva um patrimônio histórico de valor inestimável e várias comunidades indígenas, caiçaras, ribeirinhas, quilombolas garantem a conservação patrimonial e constituem a genuína identidade cultural do Brasil.

Este bioma está presente em 17 estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí). Dele fazem parte várias fisionomias e ecossistemas associados, que vão da floresta ombrófila densa e exuberante da Serra do Mar, manguezais dos estuários costeiros; de campos de altitude a restingas e terrenos alagados. Da vegetação original da Mata Atlântica, 93% já foram devastados, o que a coloca na posição de uma das florestas tropicais mais ameaçadas do mundo.
(Envolverde/SOS Mata Atlântica)

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Fonte: REBIA

  
  

Publicado por em

Clara

Clara

10/5/2009 19:04:23
Eu acho que tinha que melhorar esta situaçao.

Fabiana

Fabiana

8/3/2009 15:42:07
Pra quem estuda Gestão Ambiental, conhecer projetos assim não tem nem cabimento fazer criticas e sim parabenizar, acho muito imteressante projetos assim, sendo que gostaria de participar algum dia de projetos, o que é claro que vou.
Mas parabéns para os coordenadores de projetos e estudos assim.