Aumento do nível do mar afetará 1 em cada 4 brasileiros

São Paulo - Elevação de meio metro no nível do mar ao longo do século XXI, resultante do aquecimento global, afetará cerca de 42 milhões de brasileiros, ou 25% da população que vive em cidades

  
  

São Paulo - Elevação de meio metro no nível do mar ao longo do século XXI, resultante do aquecimento global, afetará cerca de 42 milhões de brasileiros, ou 25% da população que vive em cidades litorâneas. A cidade do Rio de Janeiro é uma das mais vulneráveis e, no Norte e no Nordeste do País, aproximadamente cem metros de praia desaparecerá. Este é o resultado de um dos oito estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas no Brasil promovidos pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e apresentados hoje em Brasília.

Intitulado "Mudanças Climáticas e seus Efeitos sobre a Biodiversidade Brasileira" e realizado por dois institutos de meteorologia reconhecidos no Brasil, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), sob a coordenação do professor José Marengo, o estudo analisa o comportamento da água e da temperatura do ar ao longo do século passado e faz projeções sobre como será o clima brasileiro em 2100.

Foram considerados dois cenários extremos: o "totalmente pessimista", no qual nada será feito para impedir o avanço do aquecimento global, e o "absolutamente otimista", onde tudo será feito para enfrentar as mudanças climáticas.

Conclusões

Segundo o estudo, a temperatura média brasileira aumentou aproximadamente 0,75º C no século XX, atingindo cerca de 25º C. Em 2100, essa média pode subir 4º C, atingindo um acréscimo de 8º C na região Amazônica. Os chamados "eventos extremos", como chuvas de intensidade acima da habitual, furacões, noites mais quentes, redução na quantidade de dias frios e ondas de calor devem acontecer com freqüência muito maior, seguindo um padrão já verificado século XX.

O estudo ainda aponta uma "tendência de extensão da deficiência hídrica (estiagem) por praticamente todo o ano no Nordeste, apontando para maior "aridização" da região semi-árida até final do século XXI". Alerta para que "no pior cenário a Amazônia pode virar Cerrado até final do século XXI devido ao aumento na concentração de gases de efeito estufa", previsão já presente em relatório apresentado pelo Greenpeace no final de janeiro.

Seguindo as avaliações do relatório mundial do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), lançado em fevereiro em Paris, o estudo brasileiro aponta aumento na incidência de doenças como malária, dengue, febre amarela e encefalite, queda na produtividade agrária, o que pode agravar ainda mais a fome, e agravamento na escassez da água.

Outros estudos

Outros sete projetos foram promovidos pelo MMA. São eles: avaliação dos efeitos do aumento do nível do mar no litoral das regiões Sudeste e Sul; e do aumento no ecossistema costeiro temperado brasileiro (RS); estudo de caso da Ilha dos Marinheiros, estuário da Laguna dos Patos (RS); estudo da diversidade e abundância de peixes; estudo de indicador protéico de mudança climática; indicadores de mudança climática na região do Pantanal; diagnóstico da saúde dos recifes brasileiros.

Os oito estudos foram desenvolvidos entre 2004 e 2006. "As pesquisas são resultado de visão de implantação de políticas estruturantes que procuramos desenvolver desde 2003", disse a ministra Marina Silva durante o evento. (Amanda Rossi)

FONTE: Agência Estado

  
  

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