Bactéria aumenta a produção de feijão caupi em áreas secas do Nordeste

Após quatro anos de pesquisas de campo, a Embrapa Agrobiologia, Unidade da Embrapa-Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, obteve uma licença provisória para a comercialização

  
  

Após quatro anos de pesquisas de campo, a Embrapa Agrobiologia, Unidade da Embrapa-Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, obteve uma licença provisória para a comercialização da estirpe BR 3267, uma bactéria altamente resistente a altas temperaturas e a deficiência de água que pode aumentar em cerca de 50 por cento a produtividade do feijão caupi na região semi-árida do nordeste sem a utilização de qualquer adubo químico.

Com a liberação, as indústrias de inoculantes já podem requisitar a bactéria junto a FEPAGRO(instituição credenciada pelo MAPA para fazer a distribuição) e comercializar o produto.

Para se ter idéia do baixo custo para o produtor, uma dose de inoculante para ser utilizada em 50 quilos de sementes de feijão (suficiente para plantar um hectare) sai em média por 3 reais. Se optar pelo adubo químico, o agricultor vai gastar em torno de 85 reais por hectare.

Para chegar a esta bactéria, a Embrapa realizou experimentos com cerca de 600 tipos diferentes durante dez anos.

Conhecidas com o nome científico de rizóbio, essas bactérias têm a habilidade de operar uma espécie de fertilização natural: dentro do solo e fixadas às raízes, pegam o nitrogênio que existe no ar em abundância e o fornece à planta.

Toda a pesquisa, que envolveu Embrapa Agrobiologia (Seropédica/RJ) e Embrapa Semi-Árido (Petrolina/PE), foi realizada com o objetivo de chegar a um inoculante capaz de potencializar esta habilidade da bactéria.

O inoculante é um recurso tecnológico no qual essa bactéria é injetada em solo orgânico esterilizado. Esse material, que contém grande quantidade de bactérias, misturado às sementes, dão maior eficiência à planta para fixação de nitrogênio.

Agricultores aprovam o uso da bactéria - Nos testes de campo realizados com a bactéria, um fato chamou a atenção dos pesquisadores: no último ano, alguns agricultores decidiram dobrar a área plantada .

Isto é um indicador de que o potencial da bactéria está aprovado pelos produtores. O agricultor José Manoel de Sá, da localidade de Volta do Riacho, na zona rural de
Petrolina (PE), plantou em 2002 uma área de 212 metros quadrados e obteve um ganho de 36 por cento na produção.

Satisfeito, o agricultor aumentou a área inoculada para 1500 metros quadrados no ano seguinte e conseguiu um aumento de 52 por cento na produção, conforme relata a professora Lindete Miria Vieira Martins, da UNEB, que fez o acompanhamento dos resultados junto aos produtores em Pernambuco.

Segundo o pesquisador da Embrapa Agrobiologia Gustavo Xavier, estes testes de campo vão continuar por pelo menos mais dois anos para se verificar a eficiência agronômica da estirpe em duas áreas distintas.

“Como é uma recomendação temporária,é necessária a continuidade das pesquisas para fazer a recomendação definitiva da bactéria daqui a dois anos”, esclarece o pesquisador.

Processo de recomendação da bactéria - Uma bactéria para ser comercializada para fins agronômicos precisa ser recomendada pela RELARE- (Rede de laboratórios para recomendação, padronização e difusão da tecnologia de inoculantes microbiológicos de interesse agrícola).

Trata-se de uma reunião bianual para apresentação de resultados da pesquisa em eficiência agronômica e recomendação de estirpes de bactérias das culturas de interesse econômico como: soja, feijão, caupi,milho, trigo, arroz etc.

Esta reunião é importante pois agrega representantes do Ministério da Agricultura, da FEPAGRO(instituição curadora e fornecedora oficial das estirpes para a indústria), da pesquisa e da indústria nacional e internacional produtora de inoculantes, além de referendar as estirpes que estão ou serão utilizadas pela indústria nos próximos dois anos.

A estirpe BR 3267, da Embrapa Agrobiologia, foi recomendada como inoculante para caupi por unanimidade na última RELARE realizada em junho. Para a equipe envolvida na pesquisa, esta tecnologia representa um marco para o caupi cultivado em áreas secas na região nordeste. A expectativa é de aumento na oferta do produto e de lucros extras para o agricultor.

Fonte: Embrapa Agrobiologia

  
  

Publicado por em

Rogerio Andrade

Rogerio Andrade

29/12/2008 04:28:34
Será que as multinacionais donas do mercado de adubos quimicos vão deixar vingar essa solução??? Afinal, no agronegócio, quem manda é a indústria de insumos, adubos, defensivos e herbicidas(??? ou venenos??)e sementes geneticamente modificadas que lucra bilhões de dólares todos os anos, com safra boa ou ruim, enquanto o produtor arca com todo o ônus da sazonalidade dos preços e das variações climáticas. Curiosamente, essa indústria é quase toda de multinacionais, e grandes financiadoras de campanhas eleitorais.