Bactérias podem aumentar a produção de feijão em áreas secas do Nordeste

Testes realizados no Nordeste brasileiro revelam que a utilização de uma bactéria altamente resistente a altas temperaturas e a deficiência de água pode elevar a produtividade do feijão caupi em até 85% sem a utilização de qualquer adubo químico. Em

  
  

Testes realizados no Nordeste brasileiro revelam que a utilização de uma bactéria altamente resistente a altas temperaturas e a deficiência de água pode elevar a produtividade do feijão caupi em até 85% sem a utilização de qualquer adubo químico.

Em dois anos de experimentos realizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em roças de agricultores familiares na área rural de Petrolina-PE, o plantio de sementes revestidas com um pó contendo uma dessas bactérias revelou potencial produtivo de 700 kg/ha.

Este resultado é considerado surpreendente pelos pesquisadores porque está bem acima da média registrada na região que é de 400 kg/ha.

Essas bactérias, conhecidas com o nome científico de rizóbio, têm a habilidade de operar uma espécie de fertilização natural: dentro do solo e fixadas às raízes, pegam o nitrogênio que existe no ar em abundância e o fornece à planta.

Tecnicamente, o processo é chamado de Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) e ocorre naturalmente no meio ambiente, em especial com as plantas da família das Leguminosas, como é o caso dos feijões.

A pesquisa da Embrapa é orientada para identificar um tipo dessa bactéria capaz de processar a FBN em níveis eficientes sob as condições de estresse do ambiente semi-árido, com seu clima quente e seco.

Inoculante :

Há dez anos que a Embrapa persegue os bons resultados com a pesquisa. Os experimentos começaram com a coleta de 38 amostras de solo em três ambientes do estado de Pernambuco: zona da mata, agreste e sertão. Nas análises das amostras feitas no Laboratório de Ecologia Molecular Microbiana da Embrapa Agrobiologia (Seropédica-RJ), foram constatados cerca de 600 tipos de rizóbios.

O passo seguinte foi caracterizar cada um deles em laboratório quanto à habilidade de fixar nitrogênio em vários testes controlados em casa de vegetação.

Desses testes, os pesquisadores selecionaram 10 tipos e passaram a submetê-los a testes em campos experimentais em plena caatinga. Os resultados indicaram um tipo de rizóbio promissor, justamente o que está demonstrando potencial produtivo, em condições reais, nas áreas de cultivo dos próprios agricultores, em Volta do Riacho, zona rural de Petrolina.

O passo seguinte da pesquisa é produzir um recurso tecnológico, chamado de inoculante, no qual essa bactéria é injetada em solo orgânico esterilizado. Esse produto, que contém grande quantidade de bactérias, misturado às sementes de caupi, dão maior eficiência à planta para fixação de nitrogênio.

Os resultados da pesquisa indicam que a Embrapa está próxima de gerar esta tecnologia biológica (inoculante), barata, que terá um impacto muito positivo no aumento da oferta de alimentos e de geração de renda na região. A intenção dos pesquisadores é que este inoculante esteja disponível para comercialização a partir de 2005.

Para se ter idéia do baixo custo para o produtor, uma dose de inoculante para ser utilizada em 50 quilos de sementes de feijão (suficiente para plantar um hectare) sai em média por 3 reais.Se optar pelo adubo químico, o agricultor vai gastar em torno de 85 reais por hectare.

Segurança alimentar :

O feijão caupi (Vigna unguiculata) é a principal fonte de proteína na dieta alimentar das famílias de pequenos produtores do semi-árido nordestino. Por causa das
irregularidades do regime de chuvas na região e os poucos recursos tecnológicos em uso nos sistemas agrícolas de pequenos e médios produtores, as safras são reduzidas, quando não são perdidas totalmente nos anos de seca mais intensa.

Em grande parte do semi-árido nordestino o caupi é cultura de subsistência. No entanto, integra a dieta alimentar de 27 milhões de brasileiros e, em 1999, movimentava negócios da ordem de 350 milhões de dólares. A intenção dos pesquisadores é que esta tecnologia contribua para o aumento da sua produção e torne mais estável as possibilidades de colheitas, podendo
repercutir até na melhoria da qualidade de vida no Nordeste.

O semi-árido ocupa uma área de 95 milhões de km2 da Região Nordeste. Em apenas 5%dessa extensão há disponibilidade de água e solo para irrigação.

A pesquisa de FBN em caupi,desenvolvida pela Embrapa Agrobiologia em parceria com a Embrapa Semi-Árido e a Universidade Federal da Paraíba, tem o objetivo de ampliar as possibilidades de produção de cultivos essenciais aos agricultores familiares para aumentar a oferta de alimentos e oportunidades de renda.

Fonte: Embrapa Agrobiologia

  
  

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