Balão estuda efeito da poluição na atmosfera tropical

Investigar e entender como ocorre a interação entre a poluição gerada na superfície e a química na alta profundeza da atmosfera tropical é um dos principais objetivos de pesquisa em desenvolvimento pelo IPMet - Instituto de Pesquisas Meteorológicas - unid

  
  

Investigar e entender como ocorre a interação entre a poluição gerada na superfície e a química na alta profundeza da atmosfera tropical é um dos principais objetivos de pesquisa em desenvolvimento pelo IPMet - Instituto de Pesquisas Meteorológicas - unidade complementar da Unesp - Universidade Estadual Paulista, campus de Bauru - com o auxílio de balões meteorológicos.

De acordo com o diretor do IPMet, Maurício D´Agostinho, o normalmente o instituto se vale de dois tipos de balões para suas observações, os de vôos de curta e os de longa duração. Os primeiros demoram cerca de uma hora e meia para atingir a altura desejada, que é de 30 quilômetros, e têm autonomia média de vôo de duas a três horas.

Já o balão para longa duração tem autonomia variável, pois sua permanência no espaço depende das condições meteorológicas, uma vez que navega ao redor do globo terrestre. D`Agostinho explica que os balões de vôo curto exigem o acompanhamento de uma equipe de resgate em terra para recuperar a carga útil (caixa onde as informações atmosféricas coletadas ficam armazenadas), que é desconectada do balão e volta à superfície com o auxílio de pára-quedas.

“O resgate é conseguido por meio do registro da disposição gráfica que monitora a trajetória do vôo", explica ele. A posição exata do local da queda "se obtem com o auxílio de satélites" por meio dos quais se monitora o vôo do balão.

Os vôos de longa duração foram iniciados no Brasil entre 2001 e 2002 por uma equipe especializada francesa. Nessa modalidade de vôo, durante a noite o balão perde um pouco de altitude, impossibilitando a coleta de dados. Mas durante o dia, com a radiação solar, o balão volta a subir e a desempenhar suas funções.

“Muitas vezes, a falta de irradiação faz com que os técnicos antecipem o desligamento da carga útil”, comenta D`Agostinho. Segundo ele, na última campanha foram feitos cinco lançamentos de longa duração. Esse ano a pretenção é a de realizar três ou quatro lançamentos de cada modalidade até o final deste mês.

“No futuro uma das idéia do projeto é que se faça também o desligamento da carga útil nos vôos de longa duração, já que ao longo do trajeto – que pode variar de 18 a 70 dias - seu rendimento diminui e o balão não consegue recuperar a altura devida”, informa D`Agostinho.

O balão para os experimentos é preparado no laboratório do IPMet e lançado numa área apropriada da Unesp, em Bauru. Além da equipe da universidade, participam do projeto técnicos e pesquisadores da Comunidade Européia. “A estimativa é que o projeto custe em torno de US$ 3 milhões, que serão rateados pela própria Comunidade Européia”, explica o diretor.

As dimensões dos dois tipos de balões são muito parecidas: ambos têm mais ou menos 10 mil m³ de diâmetro e cerca de cem metros de comprimento. O balão é infládo com gás hélio, que não é inflamável, e bem mais leve que o ar atmosférico. Seu principal componente é a carga útil, composta de vários sensores, equipamentos eletrônicos, sistemas de processamento, sinalizadores para radar e dispositivos iluminosos interno para que possa ser vizualizado a longa distância.

D`Agostinho esclarece que à medida que os equipamentos coletam os dados atmosféricos repassa as informações para os técnicos por telemetria (técnica de obtenção, processamento e transmissão de dados).

“O rádio transmite os dados para os pesquisadores por meio de satélites de órbita polar. Outro meio muito utilizado pelos técnicos para a coleta das informações é o GPS. São feitos desenhos da trajetória durante o vôo para se obter a localização do balão a cada momento”, explica ele.

De acordo com o diretor do IPMet esse projeto não se destina a nenhum público específico, pois não são apenas informações meteorológicas comuns e sim áreas de pesquisas até hoje pouco conhecidas.

“É preciso se conhecer muito sobre esse assunto”, destaca o técnico. Como o objetivo do estudo é entender a ocorrência do transporte de poluentes gerados pelas atividades humanas e como ele interfere na composição química da porção alta da atmosfera, as informações são de grande valia para as companhias aéreas.

“Quando os aviões estão numa altitude de doze quilômetros, a queima de combustível produz poluentes que interferem na camada de ozônio. Por isso necessitamos deles para entender e estudar esse fenômeno”, diz D`Agostinho.

Além desse projeto, o IPMet junto a Agência Espacial Alemã (DRL) e a Agência Espacial Francesa (Cnes) implementarão em fevereiro de 2004 o Projeto Troccinox.

“Investigaremos a participação das descargas elétricas na latitude brasileira no período de verão, principalmente no sudeste e sudoeste do páís, áreas de grande ocorrência desse fenômeno nessa estação”, acrescenta D`Agostinho.

O projeto inclui o vôo de balões, de curta e longa duração, radiossondagens e pesquisas com dois aviões instrumentais, um Falcon (alemão) e um M 55 (russo).

“O Falcon, um jato executivo, será específico para altura de até doze quilômetros. E o M 55 exclusivamente para atividades a 20 quilômetros de altura. Este é um avião muito sofisticado e de bastante procura para esse tipo de pesquisa”, comenta D´Agostinho.

“Os dois projetos integram o esforço desenvolvido pelo instituto com a Comunidade Européia para o estudo da atmosfera tropical, com medidas de ozônio e umidade realizada com o uso de balões estratosféricos”, conta o técnico.

Fonte: Agência Brasil

  
  

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MARCIO ALVES

MARCIO ALVES

22/01/2009 11:12:58
Um balão atmosférico lançado pela NASA já caiu no Brasil. Em que ano isto aconteceu. Em que cidade ele caiu. Quantas pessoas morreram, quantas ficaram feridas e de que país o balão foi lançado? pódem me responder por favor