Biodiversidade Amazônica ainda é pouco conhecida, afirma pesquisador

As poucas áreas de proteção integral existentes na região Amazônica e o pouco conhecimento científico sobre a diversidade vegetal e animal da região foram discutidos, na terça-feira (15/7), durante a mesa-redonda `A Diversidade dos Ecossistemas Amazônicos

  
  

As poucas áreas de proteção integral existentes na região Amazônica e o pouco conhecimento científico sobre a diversidade vegetal e animal da região foram discutidos, na terça-feira (15/7), durante a mesa-redonda `A Diversidade dos Ecossistemas Amazônicos`, dentro do 54º Congresso Nacional de Botânica, que reuniu, em Belém (PA), 1,7 mil profissionais de Botânica e áreas afins até sexta-feira, 18/7.

Participaram da mesa os pesquisadores Michael Hopkins, da Sociedade Civil para Pesquisa e Conservação da Amazônia (Sapeca), de Manaus; além de Dário Dantas do Amaral e Samuel Almeida, pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Segundo Hopkins, que proferiu a palestra `As Florestas da Amazônia: Nosso Conhecimento de sua Biodiversidade`, os planejamentos para decidir que áreas merecem ser conservadas de forma integral, como os parque nacionais, dependem do conhecimento da distribuição da biodiversidade.

`Precisamos levantar as áreas que devem ser preservadas para garantir a conservação de uma proporção razoável de espécies, genes, comunidades e ecossistemas`, diz Hopkins.

De acordo com o pesquisador, ainda se sabe muito pouco sobre a biodiversidade amazônica. As plantas talvez sejam mais conhecidas que outros grupos de seres vivos por terem maior longevidade e pela facilidade de serem coletadas e tratadas.

As dificuldades para se realizar a identificação das espécies, segundo ele, resultam do difícil acesso a áreas remotas, problemas de acesso às copas e obstáculos ligados à fenologia - existem árvores que podem florescer uma vez em cada cinco ou mais anos.

Desmatamento :

Entre 1945 e 1985 houve um aumento no ritmo de coletas, graças ao trabalho de botânicos como Adolph Ducke, João Murça Pires, George Black e Giulian Prance, mas esse ritmo decaiu muito nas últimas décadas. Além disso, há uma tendência em se concentrar coletas e recursos em áreas relativamente bem conhecidas.

`Estamos, neste momento, num ponto crítico quanto ao futuro da Amazônia. Enquanto uma proporção de sua extensão está sendo selecionada para ser conservada - quase sem conhecimento de quais espécies seriam envolvidas - outras áreas estão sendo demarcadas para uso sustentável.Parece inevitável que algumas áreas serão irreversivelmente mexidas como anda acontecendo no arco do desmatamento entre Rondônia e Maranhão`, analisa Hopkins.

Para ele, e é senso comum entre a comunidade botânica, a Amazônia hoje precisa de todos os incentivos para estimular coletas, especialmente em reservas e florestas nacionais.

`A densidade de coletas, em geral, na região é tão baixa que qualquer coleta em áreas remotas pode significativamente melhorar nosso conhecimento da biodiversidade amazônica`, explica.

Fonte: AssCom Museu Paraense Emílio Goeldi

  
  

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