Biofábrica na Bahia produzirá espécies estéreis da mosca-da-fruta

A mosca-do-mediterrâneo (Ceratitis capitata) que se cuide. Em abril de 2004, na cidade de Juazeiro, Bahia, começam as obras de adaptação da primeira biofábrica brasileira, a Moscamed Brasil. A `indústria` produzirá machos estéreis da espécie que, ao c

  
  

A mosca-do-mediterrâneo (Ceratitis capitata) que se cuide. Em abril de 2004, na cidade de Juazeiro, Bahia, começam as obras de adaptação da primeira biofábrica brasileira, a Moscamed Brasil.

A `indústria` produzirá machos estéreis da espécie que, ao copularem com as fêmeas, transferirão a elas espermatozóides inviáveis impedindo a reprodução. O inseto ataca grande variedade de frutas tropicais, subtropicais e temperadas, como a manga, a uva e a goiaba, entre outras, em todo o País, causando um prejuízo anual entre R$ 150 e R$ 200 milhões anuais.

Segundo o professor Aldo Malavasi, do Laboratório de Moscas-de-Frutas do Departamento de Biologia do IB - Instituto de Biociências da USP - Universidade de São Paulo, que preside a Moscamed Brasil, o objetivo é realizar uma `supressão populacional do inseto`.

Para tanto, a Moscamed já tem estabelecidas parcerias estratégicas com organizações nacionais e internacionais, como a Embrapa, a Secretaria da Agricultura da Bahia e de outros estados do Nordeste, e a Agência Internacional de Energia Atômica das Nações Unidas.

Além disso, existe também um plano de cooperação com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.Em Juazeiro, na área de 60 mil m2 onde será instalada a Moscamed, já existem cinco galpões com cerca de 5 mil m2. O complexo foi definitivamente cedido à Organização Social em janeiro de 2003.

`Estamos agora em busca de recursos junto aos órgãos federais e setoriais, Finep e ministérios da Agricultura e Integração Nacional`, conta Malavasi. Ele informa que, até 2005, quando a Moscamed estará em pleno funcionamento, deverão ser investidos cerca de R$ 17 milhões.

Machos estéreis

A `fabricação`dos machos estéreis da espécie será feita por meio da captação de ovos que são depositados pelo inseto em gaiolas (compartimentos específicos).

`Em seguida são reunidos num recipiente com água, onde serão recolhidos. A expectativa é que se colete cerca de 1,5 litros de ovos, diariamente`, diz o professor.

Após atingirem o estágio de larva, tornando-se pupas, são irradiadas em fontes de cobalto e marcadas com corante. Neste processo, somente os `ovos machos` sobreviverão, já que as fêmeas acabam morrendo com um tratamento em calor de 40 graus centígrados.

Já adultos e esterilizados, os machos serão liberados na natureza por avião ou caminhões refrigerados, diretamente nas áreas de plantio, após terem sido entregues nos centros de distribuição.

Malavasi acredita que a Moscamed possa liberar semanalmente cerca de 200 milhões de machos, um número, segundo ele, suficiente para a supressão populacional nas áreas de fruticultura.

Além da mosca-do-mediterrâneo, a Moscamed também atuará sobre a lagarta da macieira (Cydia pomonella), praga que ataca as rosáceas, como maçã, pêra e ameixa, principalmente em plantações da região Sul do Brasil. `Neste caso, pretendemos erradicar a Cydia`, explica Malavasi.

As lagartas estéreis serão produzidas em Juazeiro por uma questão de biossegurança. Devido ao clima quente, elas não conseguem sobreviver naquela região.A mosca-do-mediterrâneo foi introduzida no Brasil no final do século 19 e a lagarta da macieira, que já está nas Américas há cerca de 30 anos, chegou ao País em meados de 1996.

`Trata-se de uma incidência ainda recente, por isso não haverá nenhum tipo de desequilíbrio em sua erradicação total`, diz o professor.

Fonte: Agência de Notícias da USP

  
  

Publicado por em

Antônio Pérez Alemany

Antônio Pérez Alemany

18/07/2011 10:58:27
Podem-me orientar sobre condições ambientais das Salas Controladas de Insetário (mosquitos). Pressão ambiental interna, grau de filtragem, faixas de temperaturas/ umidade??

Equipe EcoViagem

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