Biofach discutiu falta de informações sobre desempenho da agricultura orgânica

Em três dias de discussões sobre produtos orgânicos, a BioFach América Latina 2004 conseguiu avanços para a agricultura orgânica. A crítica apresentada logo no primeiro dia de debates quanto a falta de informações sobre o real desempenho do setor, como ár

  
  

Em três dias de discussões sobre produtos orgânicos, a BioFach América Latina 2004 conseguiu avanços para a agricultura orgânica. A crítica apresentada logo no primeiro dia de debates quanto a falta de informações sobre o real desempenho do setor, como área plantada, número de produtores e tipos de orgânicos produzidos no Brasil, foi uma das questões que puderam ser analisadas para a solução no próprio encontro.

O gerente executivo do Programa de Desenvolvimento de Agricultura Orgânica (Pró-Orgânico) e da Câmara Setorial de Agricultura Orgânica do ministério da Agricultura, Rogério Pereira Dias, informou que a questão será levada aos integrantes da Câmara.

Dias estima que, nos próximos dois meses, serão instaladas as comissões estaduais. Elas ficarão responsáveis pela coleta das informações que serão administradas pelo ministério da Agricultura e vão compor o levantamento.

“As comissões estaduais devem ser os nossos braços para gerar os dados para esse grande levantamento que será feito”. A previsão de Rogério Pereira Dias é de que o trabalho termine no início do primeiro semestre do ano que vem.

“Talvez em cinco meses a gente já possa ter números mais consistentes com relação a esse universo”, afirmou.

O gerente executivo explicou que os dados divulgados atualmente, de que o Brasil é o quinto maior país em área plantada e de que conta com cerca de 19 mil produtores, são levantados por organizações internacionais. Em
geral, segundo ele, são baseados em informações de certificadoras.

Dias explicou que em muitos casos o agricultor tem registro em mais de uma certificadora e, como não são confrontadas informações como CPF e CNPJ, alguns dados são anotados com duplicidade. Além disso, muitos produtores são da agricultura familiar e não tem certificação.

“A gente tem muita dificuldade, tanto é que a gente não assume esses dados como dados oficiais”, revelou.

A diretora do Sebrae/RJ, Celina Vargas do Amaral Peixoto, disse que a falta de informações confiáveis do setor prejudica a estratégia de investimentos e o
acompanhamento do desempenho, embora existam números que apontem crescimento constante nos últimos anos nas atividades ligadas à agricultura orgânica.

Outro problema apontado pelos agricultores é a falta de esclarecimento tanto por parte dos produtores como dos consumidores sobre os orgânicos. Rogério Pereira Dias revelou que o Pró-Orgânico prevê a realização de campanhas publicitárias e de utilidade pública junto à população.

Ele informou ainda que há preocupação com relação à área de educação, por isso, entre os grupos temáticos que estão sendo criados na Câmara Setorial está um que vai analisar como pode ser melhorado o ensino técnico na agricultura orgânica.

Outro avanço considerado pelos participantes da BioFach América Latina 2004 foi o anúncio do ministro da Agricultura,Roberto Rodrigues, na abertura da Feira de aumento de recursos do governo federal no setor.Segundo o ministro, em 2005 serão aplicados R$ 2 milhões, enquanto em nesse ano serão R$ 400 mil.

Fonte: Agência Brasil

  
  

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