Biotecnologia pode combater desnutrição e alergias, afirma especialista

Em entrevista ao CIB – Conselho de Informações sobre Biotecnologia, Flávio Finardi, Ph.D. em Ciência dos Alimentos, defendeu a evolução da biotecnologia no Brasil e destacou para os benefícios nutricionais que os alimentos geneticamente modificados

  
  

Em entrevista ao CIB – Conselho de Informações sobre Biotecnologia, Flávio Finardi, Ph.D. em Ciência dos Alimentos, defendeu a evolução da biotecnologia no Brasil e destacou para os benefícios nutricionais que os alimentos geneticamente modificados podem trazer para os consumidores.

Professor e pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), Finardi trabalha com biossegurança dos alimentos, testando os transgênicos na composição de rações para animais.

Para o especialista, a biotecnologia deve ser vista como um aspecto evolutivo da ciência, desenvolvida para melhorar a qualidade de vida em geral.

`Em curto prazo, temos a possibilidade de aumentar a oferta de alimentos, o que está diretamente ligado à produção agrícola. No médio prazo, poderemos desenvolver produtos com mais nutrientes e, no longo prazo, a possibilidade é de, inclusive, reduzir a quantidade de substâncias indesejáveis nos alimentos, como as tóxicas, de baixa digestibilidade e outras que podem levar a reações adversas e alérgicas`, explicou.

O aumento do valor nutricional dos alimentos é, para Finardi, um dos principais benefícios dos alimentos geneticamente modificados.

`As populações carentes serão as mais beneficiadas por esses alimentos. Mesmo que em pequenas doses, conseguiremos aumentar o potencial nutritivo e de proteção dos alimentos funcionais com que um determinado produto pode beneficiar uma faixa da população`, acredita ele.

Quanto ao temor dos organismos geneticamente modificados (OGMs) causarem alergia ou reação tóxica, Flávio Finardi assegura que todos os cientistas, ao pesquisarem uma variedade geneticamente modificada devem seguir as normas de segurança estabelecidas pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança).

`Quem é louco de colocar uma proteína alergênica do amendoim na soja? Quem é louco de colocar um gene do camarão, que sabemos ser potencialmente muito alergênico, no mamão? E ainda que ninguém seja louco, para garantir que isso não aconteça, existem normas a serem seguidas pela CTNBio, antes de fazer qualquer experimento.`

Com relação à toxicidade natural de alimentos como a mamona e o feijão quando submetido a altas temperaturas, Finardi lembra que `a biotecnologia, cada vez mais, pode interferir e manipular esses alimentos e retirar deles essas características que não são bem-vindas para o consumo humano`.

Fonte: Casa da Imprensa

  
  

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