Cacau baiano vira modelo de `econegócio`

Os cacaueiros que crescem sob as árvores da Mata Atlântica geram lucro e ainda garantem a conservação de grande parte do bioma, que já teve mais de 92% de sua cobertura original devastada. Essa exploração econômica sustentável das florestas se estende

  
  

Os cacaueiros que crescem sob as árvores da Mata Atlântica geram lucro e ainda garantem a conservação de grande parte do bioma, que já teve mais de 92% de sua cobertura original devastada.

Essa exploração econômica sustentável das florestas se estende por mais de 500 mil hectares do Estado da Bahia e que virou modelo de produção sustentável.

A prática ainda pode ajudar nos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio , uma série de metas que os países da ONU se comprometeram a atingir até 2015, abrangendo áreas como meio ambiente e pobreza.

O processo de produção na Bahia está atraindo o interesse de produtores internacionais. O tema foi abordado no II Seminário de Econegócios na Mata Atlântica. Realizado pela UMA - Universidade Livre da Mata Atlântica e pelo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

Uma iniciativa coordenada por um dos produtores da região pretende conquistar a preferência dos consumidores de chocolate para impulsionar o econegócio.

“O projeto Fazenda de Chocolate tem o objetivo de agregar valor ao cacau produzido em ambientes de altíssima biodiversidade”, afirma Eduardo Athayde, diretor da UMA e da unidade brasileira do WWI - Worldwatch Institute, realizadores da iniciativa.

Segundo ele, a procedência do chocolate estampada na embalagem permitiria que os consumidores optassem pelo produto que contribui para conservar o meio ambiente.

Athayde defende que, conquistando a preferência do consumidor, o econegócio, além de ser mais lucrativo, aumentaria a participação dos fazendeiros no faturamento do setor de chocolate.

“Esse mercado movimenta cerca de US$ 60 bilhões por ano, mas apenas 3,3% disso vai para os produtores de cacau. No interior da Bahia, o quilo do cacau é vendido a R$ 4 e, no porto de Ilhéus, o chocolate é vendido a R$ 80. Isso é 200 vezes mais”, reclama.

Atualmente, a Bahia é responsável por 4,25% de todo o cacau produzido no mundo. Desse total, entre 50% e 60% é cultivado em sistema agroflorestal.

Conhecida como cabruca, a técnica de cultivar os cacaueiros entre a vegetação nativa da Mata Atlântica, além de ser ecologicamente correta, poupa trabalho e melhora a qualidade do fruto, aponta um estudo do WWI.

O sistema dispensa a derrubada de árvores imensas, diminui o risco de propagação de pragas e garante à planta as condições de umidade e temperatura adequadas, além de um solo rico em nutrientes, obtidos a partir da decomposição das folhas que caem no solo.

O diretor da UMA ressalta que a estratégia para conquistar a preferência dos consumidores é atacar com publicidade.

“Perguntamos a mestres chocolateiros de todo o mundo o que era chocolate e cada um nos deu uma resposta diferente. Concluímos então que o chocolate é basicamente cacau e marketing. Temos que estimular, então, o ato do consumo sustentável”, afirma.

Fonte: PNUD

  
  

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