Campos do Jordão-SP sofre ameaças de desequilíbrio ecológico

A Associação dos Amigos da Região da Lagoinha e Adjacências (ARLA) se reuniu com o Secretário Estadual de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras, Mauro Arce,para discutir, em última instância, a mudança no projeto proposto pela Companhia de Saneamento Bási

  
  

A Associação dos Amigos da Região da Lagoinha e Adjacências (ARLA) se reuniu com o Secretário Estadual de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras, Mauro Arce,para discutir, em última instância, a mudança no projeto proposto pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que prevê a construção da primeira Estação de Tratamento de Águas e Esgotos na região da Lagoinha, na cidade de Campos do Jordão.

A planta original do projeto prevê a construção de uma estação de tratamento em uma área ao lado da Estrada do Horto, com alto valor ambiental e que serve de ponto de passagem intensa de turistas, com bosques de araucárias e pradarias.

Se construída neste local, a Estação de Tratamento de Esgotos não atenderá todos os loteamentos locais (como Descansópolis, Iporanga, Fojo e Florestal Clube). Cerca de duas mil propriedades não teriam, assim, os esgotos tratados pela estação.

Por considerar o local inadequado para a instalação da estação de tratamento, a ARLA reforçou, na presença de Arce, o interesse em financiar um novo projeto e custear uma nova área para sua implementação, solicitando ao secretário que estudasse a possibilidade de a SABESP fazer a desapropriação da referida área.

“O que queremos é uma solução amigável que não prejudique os moradores de Campos e tampouco os turistas que vêm a nossa cidade”, afirma Dan Andrei, presidente da ARLA.

“Aqui, ninguém defende interesses próprios. Como morador da cidade, sinto-me no dever de sinalizar às autoridades ambientais que o projeto da Sabesp prejudicaria o turismo sustentável de Campos do Jordão”.

O universo de opositores à construção da estação na Lagoinha é formado, hoje, por moradores, proprietários de residências(a maioria de padrão médio), comerciantes, donos de lojas, restaurantes e haras (de regiões
adjacentes) e ONGs locais.

O atual presidente do Conselho de Turismo (CONTUR) de Campos do Jordão, Valter Vasconcelos, acredita que a execução da obra afetará diretamente o turismo da cidade, conhecida popularmente como “Europa Tropical” ou “Suíça Brasileira”.

“Somos a cidade turística mais conhecida da Serra da Mantiqueira, famosa por oferecer oxigênio de qualidade. O nosso Festival de Inverno, realizado em julho, recebe mais de um milhão de turistas de todas as partes do Brasil e do mundo. A realização de uma obra que ameaça a manutenção do turismo na cidade não poderia ser bem-vinda”.

Segundo estudo apresentado em setembro de 2003 pelo engenheiro Rogério Bartolomei, consultor da ARLA,especializado em projetos de saneamento básico e professor da Universidade de Campinas (Unicamp) e
Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Campinas, a proposta da Sabesp é inadequada e arcaica.

“A sua efetivação produziria impactos ambientais seríssimos, gerando odores intensos que chegariam à região de Capivari (pólo turístico de Campos do Jordão) e prejudicando centenas de residências que estão próximas à área”.

Para Bartolomei, o Rio Sapucaí, um dos mais importantes da cidade e sem nenhum tratamento, continuaria recebendo esgotos das propriedades jusantes da Lagoinha. “Hoje, existem cerca de 600 casas já construídas na área e cerca de 1400 lotes à espera de novas residências”.

Considerando que o projeto, em seu objetivo central (construção de rede de coleta e estação de tratamento de esgotos em Campos do Jordão), é de suma importância para os moradores da cidade, a ARLA, baseada em relatório técnico elaborado pelo engenheiro Rogério Bartolomei, irá sugerir, uma vez mais e na presença de Mauro Arce, que a construção da estação seja feita em uma área próxima ao Horto Florestal. Segundo a associação, esse seria o melhor espaço para receber, hoje, a Estação de Tratamento de Esgotos.

“Não existem residências próximas a esta região e a sua localização, às margens do Rio Sapucaí (jusante de todos os loteamentos e com topografia plana),permitiria o tratamento da quase totalidade dos esgotos do
município”, afirma o presidente da ARLA.

“Essa região, inclusive, já foi considerada tecnicamente viável pela Sabesp (através de estudo da Jaako Poiry Engenharia feito em 2001). Basta, agora, abrir um precedente para encerrarmos uma história que se arrasta há mais de sete anos”.

Mais sobre a ARLA

A Associação dos Amigos da Região de Lagoinha e Adjacências (ARLA) é uma Organização Não
Governamental (ONG), sem fins lucrativos, criada em agosto de 2003 para aprimorar serviços de infra-estrutura, urbanização, paisagismo e segurança da região, além de preservar as características ambientais, a fauna, a flora e o desenvolvimento comunitário do local, através de programas que tenham por finalidade a formação de uma consciência coletiva.

A ARLA prima, desde então, pela defesa do Meio Ambiente da região de Lagoinha e Adjacências, na cidade de Campos do Jordão.

Fonte: FirstCom Comunicação

  
  

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