Carta Verde das Américas - 2006

No Dia Mundial do Meio Ambiente, nós, participantes do VI Encontro Verde das Américas, realizado de 30 de maio a lº de junho em Brasília queremos alertar para os riscos da dilapidação dos nossos recursos naturais e também cobrar dos governantes prioridade

  
  

No Dia Mundial do Meio Ambiente, nós, participantes do VI Encontro Verde das Américas, realizado de 30 de maio a lº de junho em Brasília queremos alertar para os riscos da dilapidação dos nossos recursos naturais e também cobrar dos governantes prioridade no trato das questões ambientais, que devem permear as políticas públicas. Sem este compromisso, questões que já afligem as populações em nível global, como as mudanças climáticas, os desmatamentos e a baixa qualidade de vida na maioria dos assentamentos humanos poderão atingir patamares críticos. Caso não sejam tomadas decisões políticas firmes, a população pobre do hemisfério será empurrada cada vez mais, rumo à discriminação e à exclusão social, comprometendo o futuro de toda a humanidade.

No caso específico do Brasil, temos uma grande responsabilidade na luta em defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Como país em desenvolvimento, não podemos deixar que os desejados ganhos econômicos se façam em detrimento do nosso maior patrimônio, representado pela rica biodiversidade presente nos diversos biomas brasileiros, como a Floresta Amazônica, a Mata Atlântica, o Pantanal e o Cerrado.

Da terra para os filhos da terra - a humanidade é parte de um vasto universo em evolução. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas o universo providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. Por isso é imperativo que nós, os povos das Américas e dos demais continentes, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros e com as futuras gerações.

Desde a sua criação, a Terra sempre esteve em constantes mudanças, em ciclos de milhares de anos de aquecimento e glaciação causados por fenômenos naturais. Dos cumes das montanhas às mega cidades, das florestas tropicais, às pequenas ilhas oceânicas, chegam notícias dos efeitos da poluição, desastres naturais e perda da diversidade biológica.

O modelo atual de produção e consumo está avançando sobre os estoques naturais da Terra, não só de forma insustentável ambientalmente, mas também de forma injusta, gerando miséria, fome e comprometendo as gerações presentes e futuras. Além disso, o crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social.

Por outro lado, o surgimento de uma cidadania ambiental planetária está abrindo novos caminhos para construir um mundo melhor, mais justo e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos e sociais, estão interligados, e juntos podemos buscar soluções concretas e inovadoras para os problemas que afligem a humanidade.

O enfrentamento dos problemas ambientais, locais ou globais, nunca será o resultado de uma pessoa, organização ou nação, por mais poderosa que seja, mas requer o esforço de todos, desde a mais simples, a maior e mais poderosa organização do Planeta.

O efeito estufa, conseqüência da emissão de gases poluentes, como, o CO2 (gás carbônico), CFC (cloro,flúor e carbono), CH4 (metano) e N2O (óxido nitroso) causadores da elevação da temperatura do planeta faz surgir mudanças climáticas como temporais e enchentes. Além de queda na produção de alimentos e destruição e perda de vidas humanas.

O VI Encontro Verde das Américas (Conferência das Américas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), reitera e reafirma os princípios que nortearam este fórum, para que seja enviado às autoridades competentes, do Brasil, das Américas e dos demais continentes, bem como, a organismos e conferências internacionais, com as seguintes recomendações:

I - O homem deve se conscientizar que uma mudança de postura do ser humano se faz necessária a todos que habitam a terra, pois a terra não pertence ao homem, é o homem que pertence a terra e tudo que agride a terra e seus ciclos bioquímicos e climáticos, agride a todos da terra.

Governos e instituições precisam priorizar suas pesquisas em relação à energia solar, diminuindo assim o uso de energias fósseis e poluentes, causadoras do efeito estufa. O sol brilha intensamente em grande parte do planeta, basta o homem olhar para o infinito e ver o brilho do sol, para enxergar um futuro de progresso e desenvolvimento, com energia limpa, sustentável e inesgotável.

Bastam apenas 35 minutos para o sol fornecer energia na superfície da terra capaz de abastecer o consumo mundial anual de energia. Sem saber, já estamos usufruindo desta energia: sem ela nosso planeta seria extremamente frio, não haveria fotossíntese, plantas, animais, nem seres humanos.

A energia solar é uma alternativa energeticamente limpa, o sol nos fornece luz em profusão, principalmente nos países tropicais. O potencial desta fonte é 14 mil vezes maior do que o consumo mundial de energia em um ano. Apenas 15% da área do deserto do Saara seriam necessários para atender ao consumo energético do planeta.

II - Todos os seres têm direito à água, fonte de vida. Entretanto, apesar da imensa malha fluvial que ainda existe no planeta, 1/5 da população do mundo não têm acesso à água potável, 1,1 bilhão de pessoas ainda não têm acesso adequado à água e 40% não têm condições sanitárias básicas. Doenças relacionadas com a má qualidade da água, matam por ano 3,1 milhões de pessoas. 90% dessas mortes são de crianças com menos de cinco anos de idade. Aproximadamente 1,6 milhão de vidas poderiam ser salvas, anualmente, com o fornecimento de água potável, saneamento básico e higiene. Segundo dados das Nações Unidas.

III - As mudanças ambientais globais, causadas pelo homem através da poluição, despontam como um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta neste início de século. Os impactos diretos ao equilíbrio dos ciclos bioquímicos globais e climáticos afetam o meio ambiente, a vida e a sociedade como um todo.

Que governos e sociedades possam se conscientizar e tomar atitudes que diminuam os contrastes sociais, a fome, a miséria e as injustiças sociais, colaborando assim para a diminuição da violência, da marginalidade, do terror e da guerra urbana.

Assim sendo, apelamos aos governos que não façam algo que possa destruir o amanhã e não deixe de fazer o que pode ser a reconstrução e recuperação do mundo como herança para nossos descendentes. Que as gerações futuras tenham orgulho de nosso tempo, pois, foi nele que o ser humano transformou as adversidades em desenvolvimento ambiental, econômico e social, criando ambiente para um avanço maior da humanidade rumo ao futuro e à evolução. Que as forças do universo se estendam sobre nós e iluminem as nossas mentes, para que, dos nossos sonhos nasça a luz, que ilumina a nossa caminhada rumo a paz e à dignidade dos homens.

Brasília, 05 de junho de 2006.
Ademar Leal Soares - Coordenador Geral do Encontro

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