Cientista político diz que governo deve ocupar a Amazônia

Em audiência pública, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), o cientista político Clóvis Brigagão, da Universidade Cândido Mendes, disse, que a destruição da Amazônia está sendo feita pelos próprios brasileiros que não conseguem integ

  
  

Em audiência pública, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), o cientista político Clóvis Brigagão, da Universidade Cândido Mendes, disse, que a destruição da Amazônia está sendo feita pelos próprios brasileiros que não conseguem integrá-la ao restante do País.

A audiência pública, solicitada por requerimento do senador Jefferson Péres (PDT-AM), discutiu o tema `A Internacionalização da Amazônia: risco real ou temor infundado`.

- Nós, brasileiros, é que estamos destruindo a Amazônia, não é o Miterrand [François Miterrand, ex-presidente da França] ou o Lamy [Pascal Lamy, ex-comissário de Comércio da União Européia] e muito menos o mapa divulgado na Internet. Apelo para que o poder público se ocupe dessa área estratégica para nós. Sem a integração da Amazônia não vamos nos inserir no mundo globalizado- alertou ele.

Brigagão criticou o fato de o Brasil só reagir mediante provocação externa, como no caso da publicação pela revista TIME de reportagem sobre as queimadas na Amazônia, e também a inexistência de uma política integrada de defesa, com as Forças Armadas atuando conjuntamente. Na visão do cientista político, projetos como o de Carajás e Trombetas significaram a internacionalização do solo desde que foram implantados.

Internacionalização:

Já o consultor da ONU sobre a Amazônia, professor Armando Mendes, outro convidado para debater o assunto, disse considerar real o risco, não de ocupação militar, mas sim de internacionalização das riquezas da Região Amazônica.

O consultor comparou as diversas maneiras como a Amazônia foi considerada no exterior ou no Brasil, durante vários momentos históricos: inicialmente como um espaço vital capaz de resolver problemas de excedentes populacionais do resto do mundo; como o almoxarifado da economia mundial, devido às riquezas minerais do subsolo; como pulmão do mundo, o grande condicionador de ar do planeta e, por último, a fase em que a é vista como a célula-tronco da vida em geral da terra.

O professor chamou a atenção para o fato de que a crescente escassez de recursos cria novos campos de disputa em todo o mundo.

- Água e ar agora são bens de mercado. E a maior batalha que se trava é no campo do espírito, para nos convencer de que somos responsáveis por todas as desgraças. Isso vem atrás de bandeiras humanitárias que não podemos contestar, como,por exemplo, negar água a quem tem sede - concluiu.

Fonte: Agência Senado

  
  

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