Cientistas acusam aumento de buraco na camada de ozônio no Pólo Sul

Por Stephen Leahy, da Terramérica O buraco do Pólo Sul um afinamento anual da camada de ozônio que protege a Terra da radiação ultravioleta do Sol mediu, no dia 8 de setembro, cerca de 24 milhões de quilômetros quadrados, quase o tamanho da América

  
  

Por Stephen Leahy, da Terramérica

O buraco do Pólo Sul " um afinamento anual da camada de ozônio que protege a Terra da radiação ultravioleta do Sol " mediu, no dia 8 de setembro, cerca de 24 milhões de quilômetros quadrados, quase o tamanho da América do Norte, segundo estimativa do Estudo Antártico Britânico, organismo científico que faz pesquisas na região há 60 anos.

Além disso, a governamental Divisão Antártica Australiana afirmou que o buraco continuará crescendo este ano, provavelmente até se converter, provavelmente, em um dos maiores e mais profundos, com 28 milhões de quilômetros quadrados. O mais extenso já registrado foi de 30,3 milhões de quilômetros quadrados, em 2000.

Ao mesmo tempo que cresce o buraco, aumenta a evidência de que a camada de ozônio finalmente está começando a recuperar-se acima das latitudes médias nos dois hemisférios, segundo informou o Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA). "No estudo que acabamos de publicar, concluímos que o Protocolo de Montreal (1987), primeiro acordo global importante vinculado à mudança climática, está funcionando", anunciou no dia 9 de setembro Derek Cunnold, cientista do instituto.

O Protocolo de Montreal, assinado por 184 nações, foi concebido para fazer a camada de ozônio voltar à normalidade, ao determinar a eliminação paulatina do uso de clorofluorcarbonos e outra centena de produtos químicos que destroem as moléculas do ozônio atmosférico.

A camada de ozônio cobre todo o planeta a uma altitude entre 15 e 30 quilômetros, protegendo organismos vivos dos prejudiciais raios ultravioletas.

Em meados de agosto, a Organização Meteorológica Mundial e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgaram um estudo preparado por 250 cientistas que coincidiram em afirmar que a camada de ozônio está se recuperando, embora muito mais lentamente do que se acreditava.

A camada voltará aos níveis anteriores aos de 1980, na maior parte do mundo, somente por volta de 2040, cinco anos depois do estimado em 2002. Na Antártida a recuperação será mais lenta, provalvemente, não antes de 2065, segundo o documento. "A demorada recuperação é uma advertência de que não podemos dar como pronta a restauração da camada de ozônio e devemos acelerar nossos esforços para paulatinamente eliminar o uso dos produtos químicos prejudiciais", disse Achim Steiner, diretor-executivo do Pnuma, por ocasião do Dia Mundial da Preservação da Camada de Ozônio, comemorado todo dia 16 de setembro

O constante estreitamento da camada no Pólo Sul preocupa, bem como a ineficácia no controle das substâncias que afetam o ozônio. "Não existe nenhuma razão para comemorar. O buraco na Antártida está tão grande quanto sempre foi e a Terra está exposta a uma radiação ultravioleta sem precedentes", disse ao Terramérica Alexander von Bismarck, da não-governamental Agência de Pesquisa Ambiental (EIA), com sedes em Washington e Londres. "Ainda não conhecemos os impactos completos desta exposição", disse o especialista, afirmando estar "seriamente preocupado pelos obstáculos que há pela frente, entre eles o contrabando de produtos químicos".

A EIA realizou investigações sigilosas sobre a venda ilegal de grandes quantidades de clorofluorcarbonos, principalmente da China para os Estados Unidos e outros países.

A China prometeu investigar o assunto depois que, este ano, a EIA apresentou evidência em vídeo, mostrando funcionários de uma empresa química chinesa explicando como etiquetam mal e subdeclaram produtos para exportar a países onde estão proibidos, disse Von Bismarck. "Claramente, é muito difícil controlar a produção de clorofluorcarbonos na China", acrescentou.

Os países em desenvolvimento devem reduzir essa substância até 2010. Além do contrabando, é preocupante a "isenção de uso crítico" de alguns produtos previstos no Protocolo, como o temido pesticida brometo de metila.

Em 2005, os Estados Unidos pressionaram furiosamente para conseguir essa isenção para o uso de quase dez milhões de quilos de brometo de metila " muito mais do que todo o resto do mundo ", e conseguiram. Este ano, os Estados Unidos têm permissão para usar e fabricar oito mil toneladas. "O uso norte-americano dessa substância terá um impacto maior na camada de ozônio do que todos os clorofluorcarbonos produzidos no resto do planeta", afirmou Von Bismarck.

O Protocolo de Montreal é considerado um dos tratados ambientais internacionais de maior sucesso, em parte porque o mundo agiu rapidamente para reduzir os clorofluorcarbonos, e também porque foram encontrados produtos químicos mais amigáveis com o ozônio: os hidroclorofluorcarbonos (HCFC) e os hidrofluorcarbonos (HFC).

Embora estes produtos destruam menos ozônio, são gases que também provocam o efeito estufa (responsável pela mudança climática), além de extremamente potentes, de mil a dez mil vezes mais do que o dióxido de carbono. Os hidroclorofluorcarbonos, mais conhecidos como refrigerantes R-22, são usados em praticamente todas as casas, automóveis e sistemas de ar-condicionado. Sua produção mundial disparou, especialmente na China, segundo Von Bismarck.

Neste ritmo, "dentro de dez anos o impacto das emissões mundiais dos HCFC e HFC sobre o aquecimento global competirá com as emissões totais de gases causadores do efeito estufa de toda a União Européia", previu o especialista.

Um relatório da EIA estima que, para 2015, os HFCFC e os HFC acrescentarão à atmosfera o equivalente a três bilhões de toneladas de dióxido de carbono, o dobro, ou triplo, de todas as reduções estipuladas pelo Protocolo de Kyoto. Os hidroclorofluorcarbonos não serão reduzidos até 2040.

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