Cientistas cobram política para reduzir os poluentes

A combinação entre políticas nacionais e cooperação internacional deve ser a base das estratégias para combater os efeitos das mudanças climáticas. Essa foi a principal conclusão dos palestrantes que participaram hoje do seminário sobre mudanças climática

  
  

A combinação entre políticas nacionais e cooperação internacional deve ser a base das estratégias para combater os efeitos das mudanças climáticas. Essa foi a principal conclusão dos palestrantes que participaram hoje do seminário sobre mudanças climáticas promovido pela Frente Plurissetorial em Defesa da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Segundo o coordenador do Programa de Planejamento Energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Pinguelli Rosa, "cada país precisa fazer a sua parte, mas, como a questão é global, não bastam ações isoladas".

O secretário do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas e Biodiversidade, Fábio Feldmann, alertou que existem barreiras a serem superadas para que haja cooperação efetiva. De acordo com ele, "o principal desafio é sensibilizar os governantes de países do eixo do poder sobre a urgência da adoção de medidas antipoluentes". Ele citou como exemplo os Estados Unidos, que não assinaram o Protocolo de Kyoto para resguardar interesses domésticos.

Feldmann acredita que a decisão norte-americana foi um equívoco, pois os efeitos não são localizados quando se trata de mudanças climáticas.


Atuação do Legislativo

O presidente da frente, deputado Renato Casagrande (PSB-ES), defendeu maior empenho do governo e do Congresso na discussão sobre as mudanças climáticas no Brasil. "A ação do Congresso ainda é incipiente e carece de integração, sistematização e continuidade", avaliou.

A frente foi organizada em 2004 e reúne representantes do Legislativo, de órgãos governamentais, universidades e institutos de pesquisa.


Impactos

De acordo com Carlos Nobre, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre os principais impactos da mudança climática no Brasil estão as oscilações bruscas de temperatura, os extremos entre secas e enchentes e os deslizamentos das encostas de rios e mares. Do ponto de vista da saúde, Nobre destacou a disseminação de doenças como malária, dengue, meningite, leptospirose e diarréias infecciosas. "Muitas doenças transmitidas por mosquitos resultam diretamente do desmatamento, pois, com a derrubada das árvores, os mosquitos descem para áreas mais baixas da terra e atacam a população", explicou.


Estratégias

Durante o seminário, Feldamn destacou quatro estratégias para combater os problemas climáticos:

- definição de políticas nacionais continuadas para reduzir a emissão de poluentes;

- instituição de políticas de fortalecimento dos sistemas coletivos de transportes (o crescimento do uso de automóveis nas grandes cidades contribui muito para o aumento da poluição da atmosfera);

- criação de instrumentos legais para incentivar a redução de poluentes pelas indústrias, como o Registro Público de Emissões (que está em estudo, mas ainda não foi implantado no Brasil);

- adoção das recomendações do Protocolo de Kyoto para reduzir a emissão de gases. Esse protocolo estabelece a diminuição de 5,2% da emissão de gás carbônico e metano até o ano de 2012 para os países signatários do documento.

Fonte: Agência Câmara

Del Valle Editoria
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