Cientistas consideram Brasil um modelo no setor da biotecnologia

Brasil e Cuba são dois exemplos do crescente êxito das indústrias biotecnológicas em países em desenvolvimento, uma ferramenta fundamental para o futuro destas nações, segundo um estudo de alguns cientistas canadenses. O estudo foi publicado em um sup

  
  

Brasil e Cuba são dois exemplos do crescente êxito das indústrias biotecnológicas em países em desenvolvimento, uma ferramenta fundamental para o futuro destas nações, segundo um estudo de alguns cientistas canadenses.

O estudo foi publicado em um suplemento especial da última edição da Nature Biology e destaca o grande êxito que países como Brasil, Coréia do Sul, Índia, África do Sul e China têm no desenvolvimento de um setor até há pouco reservado aos países desenvolvidos.

`Os países em desenvolvimento são participantes ativos neste campo da indústria biotecnológica ao ponto de se poder falar de um novo amanhecer no setor, com um enfoque na produção para dar soluções às necessidades de saúde de sua própria população`, disse Halla Thorsteinsdottir, professora da Universidade de Toronto e uma das autoras do texto.

`Em nenhum outro lugar a necessidade de ciência e tecnologia como uma ferramenta para o desenvolvimento é mais relevante que em responder às necessidades de saúde dos mais pobres do mundo`, disse Peter Singer, diretor do Centro Conjunto de Bioética da Universidade de Toronto e outro dos autores do estudo.

Segundo Singer, `vacinas, ferramentas de diagnóstico e outros produtos de biotecnologia, que podem ser produzidos de forma relativamente fácil e barata por países em desenvolvimento, têm o potencial de salvar milhões de pessoas. Este estudo ajuda a revelar e compreender a receita utilizada` por estes países.

Por exemplo, dos 1.393 novos remédios produzidos entre 1975 e 1999, apenas 16 tinham como objetivo combater doenças tropicais ou sofridas predominantemente por pessoas nos países em desenvolvimento, e três desses 16 eram para a tuberculose, que também se padece nos países desenvolvidos. Em contrapartida, mais de 175 novos remédios estavam destinados a combater doenças cardiovasculares.

O estudo, financiado pela Genome Canada, mostra a importância de que os países em desenvolvimento se concentrem em necessidades de saúde locais, favoreçam o papel do setor privado na comercialização de produtos, aproveitem colaborações, especializem-se em um nicho do mercado e obtenham o apoio governamental a longo prazo.

Um dos exemplos destacados pelos pesquisadores canadenses é o de Cuba, país com um pequeno mercado doméstico mas que se viu forçado a desenvolver suas próprias soluções de saúde depois do colapso da União Soviética.

O resultado foi a criação de uma bem-sucedida indústria biotecnológica que gerou programas capazes de produzir a primeira e única vacina existente hoje em dia contra um tipo de meningite que provocou dezenas de mortes em meados dos anos 80.

Recentemente, Cuba desenvolveu a primeira vacina humana contra uma antígeno sintético para proteger contra um tipo de infecção que freqüentemente provoca pneumonia e meningite em menores de cinco anos de idade.

Como resultado do apoio das autoridades cubanas, atualmente Cuba exporta produtos biotecnológicos a mais de 50 países de todo o mundo, desde a América Latina até a Europa Oriental e a Ásia, e conta com mais de 400 patentes no campo.

Apesar desses sucessos, o estudo canadense concluiu que o embargo aplicado pelos Estados Unidos contra a ilha caribenha e a impossibilidade dos cientistas cubanos de irem aos EUA `foram obstáculos significativos`.

O diretor de Ética e Políticas do Centro McLaughlin para Medicina Molecular, Abdalah Daar, disse que `os países com uma base sólida na ciência estão bem situados para ter êxito, mas os benefícios econômicos estarão provavelmente vinculados a como podem envolver e sustentar o crescimento do setor privado`.

Fonte: Agência EFE

  
  

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