Cientistas descobrem mecanismo de desertificação natural, provocado por bactérias

Os chamados hidrocarbonetos halogenados voláteis (HHVs), substâncias que contribuem para a destruição da camada de ozônio, não são produzidos apenas pelas atividades industriais. Essa conclusão, que acaba de vir à tona, surge de uma pesquisa publicada na

  
  

Os chamados hidrocarbonetos halogenados voláteis (HHVs), substâncias que contribuem para a destruição da camada de ozônio, não são produzidos apenas pelas atividades industriais. Essa conclusão, que acaba de vir à tona, surge de uma pesquisa publicada na edição de janeiro do Geophysical Research Letters.

Um grupo de cientistas da Áustria, Rússia e África do Sul descobriu que as halobactérias que vivem nos lagos salgados do sul da Rússia também produzem os HHVs, que são liberados na atmosfera e acabam chegando em todas as partes do planeta.

Como esses compostos, além de destruir a camada de ozônio e contribuir para o aumento do efeito estufa, também interagem de forma negativa com a vegetação, pode-se ter descoberto uma causa natural para o fenômeno da desertificação.

Os HHVs bloqueiam o mecanismo de fechamento dos estômatos das plantas. Portanto, quando isso ocorre, uma grande quantidade de água evapora dos vegetais.

Em zonas secas, e em situações extremas, os cientistas acreditam que esse processo possa matar a planta literalmente de sede. O caminho para a desertificação, portanto, estaria aberto.

As bactérias estudadas, que vivem em lagos salgados, são uma das formas mais arcaicas de vida descobertas até hoje. Elas suportam viver em temperaturas quevariam de 25ºC negativos a 35ºC acima de zero. Normalmente, não são destruídas pela radiação ultravioleta. Elas apenas não conseguem viver em águas com baixas quantidades de sal.

A região ao sul da Rússia é uma das áreas mais afetadas pela diminuição da cobertura vegetal na Europa. O deserto russo aumenta cerca de 500 quilômetros a cada ano.

Além disso, um cinturão geográfico de aridez existente entre a Áustria e a China tende a crescer, segundo as últimas estimativas científicas. Os autores do estudo acreditam que essa via natural da desertificação agora descoberta poderá acelerar o processo de diminuição da vegetação se as mudanças climáticas que estão sendo detectadas seguirem o seu curso.

O artigo Sediments of salt lakes as a new source of volatile highly chlorinated C1/C2 hydrocarbons de L. Weissflog, do Departamento de Química Analítica do Centro para Pesquisa Ambiental UFZ, em Leipzig, Alemanha, e sete colaboradores, pode ser lido no endereço

Fonte: Agência Fapesp

  
  

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