Começa gestão integrada de unidades de conservação em Rondônia

O Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis se prepara para começar este ano uma experiência de gestão integrada em uma área de cerca de 400 mil hectares em Rondônia. As terras incluem a Estação Ecológica de Cuni

  
  

O Ibama - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis se prepara para começar este ano uma experiência de gestão integrada em uma área de cerca de 400 mil hectares em Rondônia.

As terras incluem a Estação Ecológica de Cuniã (53 mil ha), a Reserva Extrativista do Lago do Cuniã (55 mil ha) e a Floresta Nacional de Jacundá (220 mil ha).

Além das unidades federais, o projeto inclui também duas florestas estaduais que somam, juntas mais 100 mil ha. À exceção da Estação Ecológica, nas demais unidades de conservação é possível o uso sustentável dos recursos naturais da fauna e da flora nativas e a implementação de turismo ecológico. Tais atividades serão o foco do trabalho no estado.

O objetivo do projeto é levar desenvolvimento para as comunidades locais sem destruir o patrimônio natural, o que na linguagem técnica denomina-se `desenvolvimento sustentável`.

Na prática, o projeto começará com a elaboração de um plano de manejo compartilhado, onde a população, assessorada por um grupo de trabalho constituído por técnicos do Ibama, da ong CPPT Cuniã e da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, definirá quais são as atividades mais apropriadas para a região.

As atividades deverão incluir os habitantes das unidades de conservação (reserva extrativista e florestas) e os moradores do entorno dessas áreas protegidas.

As primeiras reuniões envolvendo as instituições e a população local ocorreram em junho de 2004, desencadeando o I Seminário de Lideranças Ribeirinhas, realizado em dezembro, no Distrito de São Carlos, Porto Velho (RO).

Outras reuniões estão previstas para o ano de 2005, conforme explicou a bióloga Carolina Fonseca, do Ibama, uma das integrantes do grupo de trabalho.

Segundo ela, a região tem enormes potencialidades econômicas e poderá receber projetos de desenvolvimento.

`Precisamos preparar as comunidades para a discussão que vai definir o futuro da região. Uma coisa é certa: as atividades terão que incluir os aspectos social e ambiental para que o crescimento se dê de maneira sustentável`, disse.

De acordo com o SNUC - Sistema Nacional de Unidades de Conservação na estação ecológica, a única atividade permitida é a pesquisa científica. Nas demais unidades envolvidas no projeto, a flexibilidade é bem maior.

Nesse caso, a lei permite o uso múltiplo dos recursos florestais e o manejo de alguns animais silvestres para uso comercial, desde que contemplados no plano de manejo da UC- Unidade de Conservação.

Nas unidades de uso sustentável, também deverão ser incluídos o turismo ecológico, artesanato, a extração de resinas e frutas e a gestão comunitária dos recursos pesqueiros, para garantir a manutenção dos estoques de espécies como pirarucu, tucunaré, tambaqui, jatuarana, entre outros.

Mosaico :

De acordo com a bióloga Sônia Mendonça, da Gerência Executiva do Ibama de Rondônia, a administração de áreas protegidas por meio da política de gestão de mosaicos é uma tendência mundial para governos e organizações ligadas à preservação, à conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável.

Segundo eles, as unidades escolhidas para integrar a experiência em Rondônia estão incluídas no corredor ecológico binacional Guaporé/Itenez-Mamoré (Brasil-Bolívia).

A bióloga esclarece que no tipo de gestão que se pretende implementar em Rondônia, as áreas protegidas, quando permitido, funcionarão como núcleos que integrarão atividades de sistema agro-florestais, manejo florestal, turismo e uso comercial sustentado de alguns animais silvestres como forma de promover a renda nas comunidades e garantir a preservação ambiental e a manutenção da cultura local.

Fonte: Ibama

  
  

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