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Polui o meio ambiente? Então Não Quero!

Por Christye Cantero Noite de sexta-feira. Num dos corredores iluminados de um supermercado está a relações públicas Cristina Didoné, que olha atentamente as

1 de Agosto de 2007.
Publicado por Lyanne Rehder  

Por Christye Cantero

Noite de sexta-feira. Num dos corredores iluminados de um supermercado está a relações públicas Cristina Didoné, que olha atentamente as embalagens dos produtos que irá colocar no carrinho. Ela vai além de checar a data de validade ou a composição do produto e busca uma informação mais valiosa para a sua decisão de compra. Cristina quer produtos certificados, seja pelas ações das empresas em prol do meio ambiente ou de projetos sociais. Além dos alimentos orgânicos, produtos de empresas como Unilever, Alpargartas e Eucatex estão entre suas preferências.

Cristina passou a prestar mais atenção às empresas que têm a responsabilidade social nas veias (leia-se aí respeito aos clientes, fornecedores, funcionários e ao meio ambiente, e não só apoio a projetos sociais) no período em que trabalhou numa ONG (Organização Não-Governamental) que cuidava de mamíferos aquáticos. Nessa época, ela percebeu a importância do apoio das empresas ao terceiro setor e começou a exercer seu poder de consumidora. ´´O tempo todo estamos reclamando das nossas condições de vida, da violência, da poluição, dos crimes ecológicos. Mas é necessário pensar que temos instrumentos eficazes em nossas mãos, que é o nosso comportamento, enquanto cidadão, consumidor e contribuinte´´, aponta Cristina.

O preço para ela não chega a ser um problema. Ela acredita que paga bem mais barato, se pensar a longo prazo. ´´O grande problema está na visão imediatista. Pagando um pouco mais pelo produto ecologicamente correto, estarei exercendo a minha cidadania e pressionando as empresas a mudarem de comportamento´´, destaca.

Felizmente, hoje o consumidor começa a ficar mais atento às questões ambientais no momento de adquirir um produto - veja pesquisa do Instituto Akatu nesta reportagem. Porém é um processo que parece caminhar lentamente. A começar pelos personagens que ilustram esta reportagem. Não foi tão fácil, como eu havia imaginado, encontrá-los.

O mais comum de se encontrar são os adeptos aos alimentos orgânicos. ´´Em alimentos, a procura é mais forte porque alia o meio ambiente a produtos mais saudáveis´´, afirma a socióloga e consultora técnica do IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor), Lisa Gunn. Lisa acredita que a publicação, por parte das empresas, de seus balanços sociais contribuiu para aguçar no consumidor a consciência ecológica. ´´O consumidor quer mais do que filantropia. Ele avalia o comportamento da empresa como um todo´´, analisa.

Segundo o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná e presidente da Associação de Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná (Acopa), Moacir Darolt, entre os principais motivos que levam o consumidor a escolher os orgânicos são o sabor e o frescor do alimento, e também a questão ambiental. Afinal, a agricultura orgânica inclui vários cuidados, como a colheita de vegetais na época de maturação, sem processos de indução artificial; o uso de adubos orgânicos e reciclagem de materiais na propriedade; e tratamentos naturais contra pragas e doenças dos vegetais. A maior parte da produção orgânica, 70%, é proveniente de pequenas propriedades familiares. ´´Comendo um alimento orgânico, as pessoas estão ajudando a preservar o meio ambiente e a manter famílias de agricultores no campo´´, diz Darolt.

O movimento dos orgânicos começou a ganhar força no Brasil a partir da metade dos anos 80, mas o crescimento significativo aconteceu nos últimos cinco anos, quando o número de produtores passou de quatro mil para cerca dos 15 mil atuais. O que ainda falta" De acordo com Darolt, falta informação. Até mesmo a disposição dos orgânicos nos supermercados leva o consumidor a confundir produtos orgânicos com hidropônicos, light etc.. Outro problema é a falta de embalagem ecologicamente correta. ´´Trabalhar produto orgânico embalado em plástico e isopor não é coerente´´, aponta. A preocupação procede. Para se ter uma idéia, vários países europeus rejeitam importados embalados em isopor, já que esse é derivado do petróleo, leva pelo menos 400 anos para se degradar e não é reciclável.

Para o diretor de marketing da Hortifruti, Fabio Hertel, um dos problemas é que a oferta de produtos orgânicos ainda é pequena comparado com o número de pessoas que optam por esse alimento, mesmo que ele custe cerca de 30% mais que os não-orgânicos. ´´Recebo muitos e-mails questionando porque não colocamos mais produtos orgânicos nas lojas. E os clientes não querem nem saber de preço´´, diz Hertel. De tudo o que é vendido no Hortifruti, apenas 1% é orgânico.

Além do preço mais alto e da oferta - fatores comuns quando o assunto é produto ecologicamente correto - outra questão que pode servir de empecilho para as empresas que optam por fazer produto com matéria-prima reciclada é que elas acabam pagando a mesma quantidade de impostos que as outras. ´´A insustentabilidade do padrão de consumo não é justa. Se alimentos não-orgânicos têm problemas com agrotóxicos mas os orgânicos são mais caros, só terá acesso ao produto sustentável quem consegue pagar mais´´, comenta Lisa Gunn, do Idec. Segundo ela, é preciso ter instrumentos econômicos que facilite o acesso das pessoas ao produto, como reduzir impostos de quem produz com o padrão mais sustentável.

Na opinião da diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagens (Abre), Luciana Pellegrino, o que falta é informação ao consumidor. ´´Hoje ainda há quem pense que o reciclável é sujo, é material de segunda linha, e muitas vezes o fabricante não divulga que sua embalagem é reciclável porque sabe que isso é mais forte até que a consciência ecológica´´, diz Luciana.

Uma pesquisa feita recentemente pela Abre em São Paulo apontou que os consumidores não têm conhecimento de que, por exemplo, plástico pode ser reciclado. ´´Na hora de uma pesquisa a pessoa acha bonito falar que se preocupa com a questão ambiental, mas esse fator ainda não é considerado na hora da compra´´, diz Luciana. Segundo ela, isso acaba prejudicando o setor, porque se o consumidor souber descartar corretamente, por meio de coleta seletiva, ele contribuirá, e muito, para efetivação da reciclagem no Brasil. ´´Nossa maior preocupação é difundir o tema e a questão de que vários materiais são recicláveis. Um foco é a educação para as crianças, que podem se tornar multiplicadoras da questão´´.

Atitudes nota 10

Reunião de família no sábado à noite. Para evitar lavar a louça, você compra pratos e talheres descartáveis, certo" Não, se quem responder a essa questão for a professora Valéria Borgato. Nas reuniões de família e amigos, Valéria deixa a preguiça de lado e resiste aos descartáveis, usando a louça de sua casa. Nos encontros fora de casa, como festas de amigos que não resistem aos descartáveis, ela não troca de prato ou de copo cada vez que vai se reabastecer. ´´Uso apenas um durante minha presença´´, ressalta. Sempre que possível, ela também opta por produtos embalados em alumínio, como sucos, já que esse material é 100% reciclável.

Outra medida que, segundo ela, não é tão fácil como as anteriores, é a escolha de ovos de galinhas criadas soltas, como os da marca Label Rouge. A preferência de Valéria tem uma razão. As galinhas não precisam de grandes quantidades de antibiótico, já que não vivem confinadas em ambientes abafados e não recebem luz artificial 24 horas por dia para botar ovos incessantemente. ´´Há muita dificuldade em encontrar produtos politicamente corretos porque esses não são divulgados pela mídia e permanecem desconhecidos´´, diz ela. Os ovos Label Rouge, por exemplo, só são encontrados em grandes redes, como Pão de Açúcar, e são mais caros que os ovos comuns.

Outra professora que exerce o papel de cidadã na hora das compras é Ana Esmeralda Franco e Souza, que dá aulas de biologia em escolas estaduais. O empenho em prol da natureza foi reforçado depois que a professora fez o curso técnico de meio ambiente no Senac. ´´Me assustei quando tive acesso aos resíduos de algumas indústrias´´. Quando está no supermercado, Ana, que faz pós-graduação em educação ambiental, evita comprar produtos que venham em embalagem de isopor. Outra medida é adquirir cosméticos da Natura e de O Boticário. ´´Minha maior preocupação são as florestas. Além da qualidade, essas empresas têm ação muito forte na área ambiental, como a linha Ekos, da Natura´´.

Cadeia produtiva e social

Nem no momento de saborear um dos pratos preferidos do paulistano, a pizza, nossa entrevistada sossega. Ao entrar numa pizzaria, antes de espiar o cardápio, Ana repara se o restaurante leva o selo de usuário de madeira de floresta replantada. Ela não abre mão da preocupação ecológica nem mesmo na hora de deixar um lembrete para alguém. Ana usa o Post-it da 3M feito em papel 100% reciclado. O produto é produzido com um outro material que também faz parte da lista de compras dela, o papel Reciclato, produzido em escala industrial pela Cia. Suzano de Papel e Celulose. Como os produtos orgânicos, a oferta desse tipo de material no comércio também é pequena. ´´Existem prateleiras enormes com papel comum e o reciclado fica num cantinho´´, afirma Ana.

O consumidor ecológico talvez não tenha idéia da cadeia produtiva que alimenta. Mas ela é ampla e vai muito além dos interesses econômicos das empresas. Na Cia. Suzano de Papel e Celulose, a aquisição de aparas para a produção do papel é feita por meio da compra direta de material reaproveitável de cooperativas de catadores que trabalham na reinserção social do morador de rua. Parte da renda obtida com sua venda é destinada a projetos sociais e ambientais, geridos pelo Instituto Ecofuturo, organização não-governamental criada pela Suzano para promover o desenvolvimento sustentável do Brasil. ´´A Cia, Suzano tem me conquistado porque parte do dinheiro arrecadado com a venda do Reciclato vai para o Ecofuturo. Assim, a reciclagem do papel contribui para o combate ao desemprego e para reinserir pessoas socialmente´´.

Além de praticar o que muitos só teorizam, a professora de biologia também desenvolve projetos, como o de coleta seletiva, nas escolas estaduais nas quais dá aulas. No dia mundial do meio ambiente, 5 de junho, ela promoveu uma exposição na escola sobre a consciência dos 3Rs - reduzir, reutilizar e reciclar. Uma das atividades do evento foi o reaproveitamento de materiais como garrafas pet e papéis, que deram origem a vasos de flores e origami (dobradura feita em papel). As noções sobre a importância de preservar a natureza trouxeram até um resultado inesperado: o número de aviãozinhos de papel que voam pela sala de aula reduziu consideravelmente.

De onde vem essa madeira"

Infelizmente essa pergunta não é freqüente quando o consumidor vai comprar algum produto feito com madeira. Se é ou não proveniente de manejo florestal, pouco importa. Quem tem experiência, confirma. O designer André Marx cria todas as suas peças com madeira certificada há mais de cinco anos. ´´Ninguém está nem aí. O descaso é muito grande, há muito desinteresse´´, declara. Marx diz que suas peças têm o mesmo preço de outras que não são produzidas com madeira certificada. ´´Eu consegui fazer mais barato, mas não é todo mundo que consegue´´. Segundo ele, a única coisa que pode mudar esse comportamento são ações de propaganda e marketing. ´´Tem de ter marketing. Eu mesmo sinto o quão preguiçoso sou para procurar produtos ecologicamente corretos, têm pouca oferta. E também não pago 30 reais o quilo de uma fruta porque é orgânica´´, afirma ele.

Apesar do pouco interesse por parte do consumidor brasileiro, a busca pelo diferencial fez com que o número de empresas certificadas pelo Imaflora crescesse de 24 há cinco anos para as 94 atuais. O Imaflora é uma organização não-governamental que certifica empresas no Brasil com o mais importante selo mundial de produtos florestais, o FSC (Forest Stewardship Council). Porém, a maioria dos produtos certificados produzidos no Brasil é exportada. ´´As próprias empresas comentam que, de maneira geral, o brasileiro ainda não está preocupado com a origem dos produtos que está adquirindo e não tem consciência do seu poder como consumidor e cidadão´´, diz a auditora do programa de certificação florestal do Imaflora, Lúcia Massaroth. O Brasil hoje tem 35 florestas certificadas, o maior número da América Latina, somando 1,479 milhão de hectares.

De acordo com Lúcia, os produtos provenientes de manejo sustentável acabam tendo preço final mais alto porque são originários de um sistema de produção que leva em conta o impacto causado no meio ambiente. ´´Esse é o custo da legalidade que gera um sobrepreço no produto certificado´´, observa. ´´Infelizmente, percebemos que uma das principais dificuldades enfrentadas pelas empresas certificadas é a competição no mercado com produtos que foram feitos com madeira roubada de áreas indígenas, têm funcionários não registrados, usam trabalho infantil etc.. Produtos feitos sob essas condições inevitavelmente saem mais baratos ao consumidor´´.

Pesquisa - O perfil dos conscientes

No dia 15 de março, Dia do Consumidor, o Instituto Akatu divulgou a pesquisa ´´Descobrindo o consumidor consciente: uma nova visão da realidade brasileira´´.

O objetivo do levantamento foi encontrar no mercado brasileiro formas de identificar e caracterizar o consumidor conforme seu grau de adesão ao consumo consciente e identificar a evolução das preocupações com o consumo.

A análise da pesquisa foi feita com a divisão dos entrevistados em grupos. A segmentação foi baseada em 13 comportamentos, que pressupõem a consciência no ato de consumo de produtos, recursos naturais ou serviços. Entre os comportamentos listados estão apagar as luzes ao deixar um recinto, separar lixo para reciclagem e ler o rótulo de um produto antes de comprá-lo.

A segmentação originou quatro grupos de consumidores. Os conscientes representam 6%, e são aqueles que adotam de 11 a 13 dos itens listados. Nessa categoria estão pessoas com mais de 40 anos e grau de instrução mais elevado que nos outros três grupos. Um dos dados que chamou a atenção na pesquisa é que, entre o grupo dos conscientes, 52% dos entrevistados pertencem às classes C e D.

Os outros três grupos são o dos comprometidos (37%) que adotam de oito a dez comportamentos e estão concentrados na faixa dos 25 aos 59 anos; os iniciantes (54%) que têm de três a sete atitudes listadas, e os indiferentes (3%) que adotam até dois comportamentos. No grupo dos indiferentes há uma concentração na faixa de 18 a 24 anos pertencentes à classe D, com menor grau de instrução. A pesquisa mostrou que em todos os grupos há valores em que os entrevistados concordam, como, por exemplo, consideram errada a exploração do trabalho infantil e concordam com a economia de energia e preservação ambiental. O levantamento apontou também que 43% dos indiferentes acreditam que produtos feitos com material reciclado têm qualidade inferior. Já entre os conscientes, 89% costumam utilizar o verso de folhas de papel usado, bem como 68% dos comprometidos. Também entre os conscientes, 79% separam o lixo para reciclagem. Entre todos os entrevistados, 25% não separam porque acreditam que essa atitude não vai fazer diferença e 52% porque não há coleta seletiva no bairro/cidade.

Ainda no grupo dos conscientes, 37% consideram o fato de um produto ser ecologicamente correto e 76% compraram produtos reciclados nos últimos seis meses. 82% dos conscientes afirmaram estar dispostos a pagar mais para empresas que têm projetos em favor do meio ambiente.

Consumidor empresarial

As atenções aos produtos que são produzidos respeitando a natureza chegou também às peças promocionais. Um exemplo é uma das ações realizadas recentemente pelo Citigroup, que desenvolveu uma peça promocional sobre os projetos sociais apoiados pela empresa. Foram confeccionadas caixas de bombons, produzidos com matéria-prima obtida pelo trabalho dos produtores rurais de duas cooperativas do sul da Bahia - Cooperuna e Cabruca. O cacau utilizado para processamento dos chocolates e o cupuaçu e a graviola para recheio, provenientes de cultivo orgânico, foram transformados em bombons recheados, feitos artesanalmente. A madeira das caixas que abriga as guloseimas é certificada pelo FSC, o que atesta que foi retirada da natureza de forma controlada e sustentável. O revestimento de plástico do suporte dos bombons foi confeccionado a partir de garrafas pet recicladas, e os cartões que acompanham a peça foram feitos com papel reciclado.

Enviado por : Bioland Industria e Comercio de Composto Organico Ltda. - bioland@bioland.com.br

Fonte: Portal do Meio Ambiente

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Comentários

stefanne

 postado: 28/10/2008 13:52:48editar

acho que era pra parar de poluição o + rápido possivél............

 

dayane

 postado: 29/10/2008 11:16:19editar

eu acho que a reciclagem e uma forma de nós vivermos mais e n destruir a camada de ozono e se todos colaborar vai ajudar todo o mundo ernteiro e e isso que todos devem fazer

Isso mesmo Dayane, além de nos preocuparmos com a reciclagem, devemos pensar em nossas escolhas na hora de uma compra: Uma cadeira de plástico (poluente) ou uma cadeira de madeira certificada? Fazer compras e levar com sacolas plásticas ou levar uma charmosa EcoBag para trazer tudo. Precisamos pensar em nossas escolhas. Veja só esse vídeo que conta a história das coisas (é bem divertido e faz a gente pensar duas vezes) http://blablablogs.com.br/lyanne-br/a-historia-das-coisas-em-portugues/

abs|]]

dayane

 postado: 29/10/2008 11:19:03editar

queria dizer que quem fez este comentari e fabuloso

 

rafaela

 postado: 29/10/2008 11:19:58editar

eu acho que a reciclagem e para melhorar o ambiente e acho que quem recicla que e bem educado enquanto que os outros que nao reciclam nao sao la muito bem educados

 

Deborah Clanisa Pereeira de Jesus

 postado: 9/4/2009 15:54:21editar

Acho Bacana reciclar. inclusive estou realizando um tcc sobre uma empresa recicladora de papel , mas gostaria de saber como nao poluir o meio ambiente no processamento do papel reciclado por que ouvi falar que ele polui 15 vezes mais do que o papel comum

Obrigada pela atençao

 

 

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