Notícias > Ambiente > Consumo consciente > 

Sustentabilidade é uma oportunidade para inovar

= Revista IdéiaSocial/São Paulo, 7 de Agosto de 2007 - O especialista Andrew Savitz diz que as empresas estão sob pressão para mudarem. A sustentabilidade é um conceito que veio para ficar no mundo dos negócios. =

8 de Agosto de 2007.
Publicado por Lyanne Rehder  

= Revista IdéiaSocial/São Paulo, 7 de Agosto de 2007 - O especialista Andrew Savitz diz que as empresas estão sob pressão para mudarem. A sustentabilidade é um conceito que veio para ficar no mundo dos negócios. =

Revista IdéiaSocial/São Paulo, 7 de Agosto de 2007 - O especialista Andrew Savitz diz que as empresas estão sob pressão para mudarem. A sustentabilidade é um conceito que veio para ficar no mundo dos negócios. E a empresa que não compreender isso, tratando o tema como um risco a ser evitado, desperdiçará importantes oportunidades de inovação e de competitividade. A opinião é de Andrew Savitz, autor de A Empresa Sustentável (Editora Campus Elsevier), apontado como um dos 30 livros de negócios mais importantes da atualidade.

Ex-sócio da área de sustentabilidade da PricewaterhouseCoopers, hoje diretor da Sustainable Business Strategies, consultoria independente, com sede em Boston (EUA), Savitz veio ao Brasil para participar de um seminário na Mostra Sistema Fiesp de Responsabilidade Socioambiental, ocorrido entre os últimos dias 2 e 4 de agosto. Esbanjando bom humor e com uma verve afiada na defesa de suas teses, o consultor norte-americano deu o seu recado: "Há quem ainda acredite que a moda da sustentabilidade vai passar. E prefira, de modo cético ou cínico, ficar aguardando isso acontecer, apesar de todas as evidências em contrário. Hoje não dá para ser empresa como há 20 anos. As corporações estão sendo pressionadas a mudar, seja porque seus acionistas estão mais críticos, seja porque a nave-mãe da Terra já dá sinais claros de que não suportará tanta gente consumindo recursos".
Formado em Direito pela Georgetown University, Savitz também cursou o New College Oxford, onde se graduou em filosofia, política e economia. Há 20 anos, presta serviços a empresas, elaborando e implantando programas de sustentabilidade. Em seu livro, cita a 3M, General Electric, Toyota, Nike e PepsiCo como casos bem-sucedidos de implantação de programas de sustentabilidade que acompanhou e estudou em profundidade.
"Em comum, essas empresas, conseguiram identificar pontos de convergência entre suas estratégias de negócio e os interesses da sociedade, gerando lucro com bem-estar social", completa. A seguir, a entrevista exclusiva concedida pelo consultor:

Como se inicia o processo de implantação da sustentabilidade em uma empresa"
Andrew Savitz - Pode-se começar com os CEO’s, ou algum dirigente do topo da empresa. Mas também pode-se iniciar o processo com alguma gerência de departamento ou área. Vou dar um exemplo de processo iniciado no fundo da casa. Em 1985, em uma grande empresa química, a Monsanto, um engenheiro viu que podia eliminar substâncias tóxicas do processo de produção, economizando algo em torno de US$ 250 mil ao reutilizar insumos e evitar o descarte do material. Um superior inteligente viu isso e começou a incentivar outros engenheiros da empresa a ter idéias desse tipo. Desde então, a companhia já economizou cerca de US$ 1 bilhão. Esse é um programa famoso chamado "3P’s" ("Pollution Prevention Pays" ou "Prevenção de Poluição Paga"). Costumo aconselhar empresas e empregados a começarem o processo, de forma pequena e aos poucos, em seus próprios departamentos. Se o funcionário está no departamento de compras, deve começar a fazer certos requerimentos de conduta aos fornecedores. Se está na produção, pode mudar etapas do processo observando valores ambientais. Caso se encontre no setor de relações públicas, pode falar mais abertamente e de forma mais consistente com a comunidade.
Quais são os principais obstáculos"
Andrew Savitz - O primeiro é entender o que é sustentabilidade. Muitas empresas e empregados não compreendem exatamente essa idéia, achando equivocadamente que se trata de filantropia, uma estratégia de relações públicas ou mesmo que podem implantá-la sem envolvimento dos acionistas. Em segundo lugar, nem todas as pessoas enxergam o valor do tema para o negócio. Ou não sabem como colocá-lo em prática. Não entendem, por exemplo, que podem realmente crescer e fazer dinheiro por serem sustentáveis, além de protegerem a sua reputação.
Na ânsia do lucro imediato, elas acabam não conseguindo enxergar o que podem ganhar no longo prazo"
Andrew Savitz - Esse é o terceiro obstáculo. Muitas companhias adotam apenas visões de curto prazo, do tipo "precisamos lucrar essa semana, no máximo na semana seguinte". Alguns

processos

para construção de sustentabilidade prescindem de visão de

longo prazo

e de investimentos. Regra geral, as empresas se esquecem de um conceito simples que é investir agora para obter sucesso consistente no futuro. Nos setores em que é necessário ter visão de longo prazo, como o das empresas prestadoras de serviços públicos, o problema fica atenuado. Elas normalmente levam cinco anos para construírem fábricas e depois mais 30 para recuperarem o investimento, o que coloca os seus planos de negócio em horizontes de 30 ou 40 anos.
Em seu livro, o senhor menciona cinco etapas necessárias para quem quer implantar a sustentabilidade em uma empresas (ver quadro nesta página). Quais exemplos de empresa podem ser dados"
Andrew Savitz - A General Electric viu que alguns clientes vão ter que lidar com as mudanças climáticas e, por isso, criou um programa que dobrou a pesquisa no desenvolvimento de tecnologias limpas, como a eólica. A GE tem o segundo maior negócio de energia eólica do mundo, que cresceu 20 vezes desde 2002. E chegou a essa condição porque entendeu que a forma com que ajuda os clientes contribui, a seu modo, para solucionar a mudança climática. Ela está focada nas necessidades dos clientes. O Wall Mart possui 60 mil fornecedores. Recentemente, elaborou um guia de empacotamento que diz que os fornecedores precisam reduzir o montante dos pacotes enviados ao estoque da companhia. O Wall Mart recebe tantos produtos que uma pequena diminuição nos empacotamentos reduz os gastos com combustível em milhões de litros. Se eles puderem tirar apenas um quilo de cada pacote, estarão economizando muito espaço e milhões de litros de gasolina, o que significa menos impacto para a mudança climática. Na prática, essa medida tem permitido à companhia economizar US$ 4 bilhões e, aos fornecedores, US$ 7 bilhões.
Como se pode definir, em alguns passos, de que forma uma empresa pode alcançar a sustentabilidade"
Andrew Savitz - É difícil fazer uma definição geral, porque o conceito de sustentabilidade tem significados diferentes para as empresas. Depende do tipo de negócio que ela tem. Para uma empresa farmacêutica, por exemplo, pode ser como vender medicamentos para pessoas mais pobres, enquanto para o Wall Mart pode representar menos volume em cada empacotamento. Na minha teoria de sustentabilidade o segredo é achar, de uma perspectiva empresarial, a interseção entre os interesses do empreendimento e os da sociedade ou do meio ambiente. Os pontos de interseção são distintos para cada empresa. Dentro da sua estratégia de atuar com ênfase na preservação ambiental, a General Electric comprou várias companhias de água, porque anteviu que a qualidade da água e sua escassez vão estar associadas ao próximo problema climático. O presidente da companhia, Jeffrey Immelt costuma dizer: "Nós não fazemos isso porque somos abraçadores de árvores, mas porque é um negócio inteligente". Em sustentabilidade, a boa estratégia é fundamental para embasar as operações.
Qual a importância de uma liderança forte na implantação do processo de sustentabilidade na empresa"
Andrew Savitz - No mundo todo, as empresas começam a nomear vice-presidentes da sustentabilidade. Ter uma pessoa responsável pelo tema em um empresa é bom, mas também pode ser um problema. É bom porque algumas necessidades exigem conhecimento técnico e o responsável pode transmiti-lo para outras pessoas. Uma das razões pelas quais escrevi meu livro foi mostrar às pessoas que é menos complicado do que parece abordar o tema no universo corporativo. Por outro lado, os demais funcionários da empresa podem achar que se tem alguém responsável pelo tema, então eles não precisam se preocupar, protegendo-se sob o argumento "você que lide com a sustentabilidade e eu vou fazer meu trabalho aqui". Sustentabilidade precisa ser parte do trabalho de todas as pessoas em uma empresa. Não deve ficar presa em nenhum departamento ou gueto.
Qual deve ser o perfil desses líderes sustentáveis"
Andrew Savitz - Precisam ter visão, paixão, uma perspectiva de futuro. Ele ou ela devem ser bons comunicadores. E, principalmente, possuírem bom humor.
O senhor conhece alguma experiência de implantação de sustentabilidade em empresas brasileiras"
Andrew Savitz - Não sou um conhecedor do Brasil, mas acredito que a Petrobras esteja fazendo um bom trabalho. Chama a atenção o fato de que 36 empresas brasileiras fizeram os relatórios do GRI (Global Report Initiative), colocando o Brasil na terceira posição dos maiores usuários dessa ferramenta, atrás apenas do Japão e do Reino Unido. Tenho visto também que os bancos brasileiros já aderiram aos Princípios do Equador , com o objetivo de exercer finanças responsáveis. Isso tudo é um bom sinal.
O senhor acredita que a sustentabilidade, como novo modo de pensar os negócios, vai se instalar na cultura das empresas brasileiras"
Andrew Savitz - Acredito que o tema vai crescer muito rapidamente no Brasil por várias razões. Primeiro, por ter uma economia em crescimento e um sistema democrático, pelo qual as pessoas têm mais controle de suas vidas. Espero não parecer tão presunçoso, afinal estou aqui há apenas dois dias. Mas foi por isso que a sustentabilidade avançou entre empresas norte-americanas. E acho que vai ser assim aqui também. Com mais conhecimento sobre os impactos das suas escolhas e do impacto das empresas no mundo, as pessoas ficam mais desconfiadas das grandes organizações, perguntam mais e exigem mais respostas. Isso já deve estar ocorrendo aqui, acredito. Por outro lado, em uma economia globalizada, as indústrias brasileiras precisam exportar, o que exigirá delas prestar atenção a requerimentos sociais e ambientais. Uma empresa brasileira que utilizar mão-de-obra infantil, em qualquer ponto de sua cadeia de valor, vai ter dificuldades para vender seus produtos lá fora.

Veja mais no site: www.revistaideiasocial.com.br
(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 14)(Caio Neumann)

Fonte: Gazeta Mercantil

Compartilhar nas Redes Sociais

Comentários


 

Veja também

Sustentabilidade é compromisso do Banco do BrasilPolui o meio ambiente? Então Não Quero!

 

editar    editar    editar    1.185 visitas    0 comentários