Controle da poluição por plantas é barato e possui potencial educativo

Controlar a poluição atmosférica é ótimo, certo? Mas como montar uma estação de controle confiável se estas custam milhares de dólares? Simples, é só usar plantas como filtros de poluentes. A solução encontrada pelo Laboratório de Poluição Atmosférica

  
  

Controlar a poluição atmosférica é ótimo, certo? Mas como montar uma estação de controle confiável se estas custam milhares de dólares? Simples, é só usar plantas como filtros de poluentes.

A solução encontrada pelo Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP - em parceria com o Ipen (Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares), Instituto Botânico de São Paulo, Universidade de Barcelona e Secretaria de Educação de Cubatão - além de barata, interage com crianças e alunos da rede pública, encampando uma nova proposta educacional.

A planta utilizada nos estudos é a Tradescantia, comum nos jardins de São Paulo, já que ela é eficiente para medir tanto o acúmulo de poluentes na planta como seus efeitos, que, na maioria das vezes, se traduzem em mutações.

Em um dos estudos foram distribuídas plantas ao lado do incinerador da rua Vergueiro em São Paulo, que emite diariamente diversos poluentes, e em dois outros locais que ficam a diferentes distâncias do incinerador: próximo ao museu Lasar Segal e na Escola Carandá, este último situado mais distante.

O resultado surpreende: as plantas localizadas no museu apresentaram uma taxa de mutação 4,5 vezes menor que as localizadas próximas ao incinerador e, as da Escola Carandá, 8 vezes menor.

Os testes em ambientes fechados também se mostraram eficientes. Plantas foram instaladas a diferentes distâncias da máquina de xerox da Faculdade de Medicina, que emite substâncias tóxicas como hidrocarbonetos e aldeídos.

“’À medida que se afastava da fotocopiadora a freqüência de mutações diminuía”, diz Paulo Saldiva, pesquisador do Laboratório de Poluição Atmosférica da USP.

“Assim, por exemplo, você pode-se demonstrar de forma muito clara para o dono da máquina de xerox que é preciso aumentar a ventilação do ambiente. Isso é uma possibilidade de interação direta com a comunidade que trabalha no local e com a comunidade escolar, pois para se compreender isto, os alunos têm que absorver uma série de conceitos, como o que é mutação, ciclo reprodutivo das plantas, entre outras”, afirma o pesquisador.

“Isso já vem sendo feito há dois anos implica num bom processo de educação e fortalece alternativas para o monitoramento da poluição”, continua.

De acordo com o Relatório de Qualidade do Ar no Estado de São Paulo, divulgado pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental), a taxa de poluição de São Paulo diminuiu nos últimos anos. Um dos responsáveis por esse quadro positivo é o Proconv (Programa de Controle de Emissões Veiculares), que forçou a indústria automobilística a implantar dispositivos catalisadores nos veículos.

“Um carro popular atual polui 80 vezes menos que uma Brasília”, afirma Saldiva. Entretanto, a tendência a partir de agora é que a poluição aumente, já que a evolução tecnológica está em seu aparente limite e o número de veículos nas ruas aumenta a cada dia.

Ainda de acordo com o Relatório, há dois poluentes que estão fora de controle na cidade de São Paulo: o ozônio e a fumaça, que é classificada como material particulado inalável. Congonhas, Guarulhos, Osasco, Parque Dom Pedro, Pinheiros e Cerqueira César foram eleitos os locais com a pior qualidade do ar na Grande São Paulo.

Uma boa dica para saber se o ar que você respira é de boa qualidade é observar a cor do caule das árvores do local – quanto mais escuro o caule, mais poluído está o ar – e se há a presença de líquens, organismos formados pela associação de algas e fungos, e que são extremamente sensíveis à poluição. “Se não há líquens por perto, isso é um mau sinal”, adverte o pesquisador.

Fonte: AUN - USP

  
  

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