WWF-Brasil e Ipê contribuem com a capacitação em favor da conservação ambiental

O objetivo é proporcionar aos participantes noções básicas e orientações para o exercício da gestão de UCs.

  
  

O Brasil vem sofrendo um progressivo processo de degradação de suas áreas naturais para dar lugar a atividades produtivas e instalações de infraestrutura, baseadas no desenvolvimento a qualquer custo. Por outro lado, as chamadas unidades de conservação (UCs) têm se mostrado uma estratégia eficaz de proteção desse território. Nesse contexto, os gestores de UCs são detentores de um papel importante no conjunto de procedimentos para garantir que essas áreas protegidas cumpram a função para a qual foram criadas.

Nasce, então, um desafio que pressupõe a superação de outros desafios, entre eles, o de se preparar, adquirindo conhecimento para enfrentar a missão de gerir com sucesso uma UC. Assim, espera-se que o gestor de uma área protegida procure aprimorar-se e busque assimilar informações relacionadas a questões como o manejo da fauna e flora, habilidades gerenciais e políticas, capacidades voltadas à administração dos conflitos entre os vários atores envolvidos, entre outras.

Não há, no entanto, muitos espaços e oportunidades para suprir essa necessidade no Brasil. Na expectativa de contribuir com esse processo, o WWF-Brasil, em parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), desenvolveu o “Curso Introdutório de Gestão de Unidades de Conservação na Amazônia”, que, no dia 25 de junho, concluiu a sua 16ª edição.

O objetivo é proporcionar aos participantes noções básicas e orientações para o exercício da gestão de UCs, baseadas em uma visão integradora das questões sociais, naturais e ambientais relacionadas à paisagem e ao contexto regional.

Sua realização e continuidade são inspiradas no fato de serem imprescindíveis os esforços de capacitação de recursos humanos para consolidar as novas unidades de conservação criadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e fortalecer a gestão das já existentes na Amazônia, especialmente diante da atual tendência de renovação do corpo técnico para a implementação dessas áreas protegidas no Brasil.

Gerando resultados

Jose Geraldo Magela Ângelo é analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e compõe a equipe de gestores da Estação Ecológica de Taiama, localizada na região do Pantanal Norte, nos municípios de Cáceres e Poconé (MT).

Ele conta que a rotina de trabalho em uma UC é sempre muito versátil e que um gestor deve estar preparado para fazer de tudo um pouco. “Damos apoio à pesquisa cientifica, acompanhamos as operações de fiscalização, somamos esforços para concluir com a elaboração e implementação do Plano de Manejo e trabalhamos para garantir o bom funcionamento do Conselho Consultivo que é um espaço democrático e de solução de problemas. Esses são só um dos ‘leões’ que temos que matar periodicamente”, falou.

Participante de umas edições do curso em 2006, José diz que o que mais marcou a experiência foi poder trocar informações com outros gestores e conhecer as dificuldades enfrentadas, bem como as soluções, relacionadas a gestão de UC nos âmbitos federal, estadual e municipal. “Consegui perceber alguns caminhos para solucionar os problemas na área em que trabalho”, completou.

Antônio Lisboa também é analista ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e gestor do Parque Nacional do Viruá, localizado no município de Caracaraí (RR). Antônio é um dos mais de 300 profissionais capacitados pelo curso, participando de uma de suas primeiras edições, em 2005. Nesse mesmo ano, assumiu a gestão do parque e passou a lidar com o desafio de gerir uma área protegida de 227.011 hectares, contando apenas com o apoio de quatro funcionários.

Ele lembra que, na época, a oportunidade de participar do curso, foi recebida com grande entusiasmo, uma vez que, com muito pouco ou nenhum conhecimento de causa, uma série de analistas ambientais recém contratados estavam prestes a assumir a gestão de algumas UCs em Roraima.

“Considero essa iniciativa como uma experiência pioneira e muito válida para suprir necessidade de se construir a tão necessária expertise em gestão de áreas protegidas no Brasil. Entre os conhecimentos adquiridos, os que mais têm influenciado minhas ações na prática são os ligados à gestão para resultado e planejamento estratégico, elementos essenciais para o sucesso de uma área protegida”, declarou o analista.

Em cinco anos de existência, o curso já proporcionou a capacitação de mais de 300 pessoas em todos os estados que compõem a Amazônia Legal. Além disso, já beneficiou, direta e indiretamente, cerca de 150 unidades de conservação.

Fonte: WWF

  
  

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