Depois de 20 anos de Bhopal , Dow ainda pagou pelo desastre

O pior acidente industrial do mundo está sendo relembrado desde o dia 2/12, 20 anos depois do vazamento de gás tóxico em Bhopal, que causou mortes e sérios danos à saúde de milhares de pessoas na cidade indiana. O Greenpeace e a Campanha Internacional

  
  

O pior acidente industrial do mundo está sendo relembrado desde o dia 2/12, 20 anos depois do vazamento de gás tóxico em Bhopal, que causou mortes e sérios danos à saúde de milhares de pessoas na cidade
indiana.

O Greenpeace e a Campanha Internacional por Justiça em Bhopal exigem que a Dow Química, responsável pela catástrofe, pague pelo tratamento médico dos sobreviventes do acidente, dê fim aos enormes estoques de veneno abandonados em sua antiga fábrica de pesticidas desde o desastre, e limpe a água subterrânea contaminada.

Exigem também a criação de uma legislação internacional sobre responsabilidade corporativa, para garantir que desastres como o de Bhopal nunca mais aconteçam.

`As pessoas em Bhopal ainda sofrem porque a Dow Química se recusa a assumir a responsabilidade pelo seu bem-estar ou pelo lixo tóxico que até hoje contamina o solo e a água no local`, disse Vinuta Gopal, do Greenpeace na Índia.

`Bhopal nos remete ao perigo da era química, dos duplos padrões por parte das grandes empresas e da falta de responsabilização das corporações multinacionais`.

Em um mundo cada vez mais globalizado, é necessário que as corporações como a Dow utilizem padrões consistentes em todo o mundo, assumindo as responsabilidade por suas operações.

`Se o desastre de Bhopal tivesse acontecido na Europa ou nos EUA, o local teria sido limpo e as pessoas teriam sido indenizadas`, disse o diretor-executivo do Greenpeace
Internacional, Gerd Leipold, que participa de um seminário sobre Bhopal e responsabilidade corporativa em Bruxelas hoje.

No Brasil, o Greenpeace também exige que a responsabilidade corporativa faça parte da atuação das grandes empresas.

Casos gravíssimos de contaminação, como o da Shell Química em Paulínia, da Rhodia em Cubatão ou da Solvay em Santo André (SP) seguem, após muitos anos, sem solução.

A belga Solvay, por exemplo, possui um depósito a céu aberto com mais de um milhão de toneladas de cal contaminada com dioxinas (resíduos da fabricação do PVC), uma das maiores concentrações de POPs (poluentes orgânicos persistentes) da América Latina.

20 MIL MORTOS

Em Bhopal, na noite do dia 2 para o dia 3 de dezembro de 1984, 40 toneladas de gases letais vazaram de uma fábrica de pesticidas da Union Carbide, hoje pertencente à Dow Química.

No desastre, 20 mil pessoas foram mortas. Além disso, ao menos 150 mil sofrem hoje de doenças crônicas resultantes do vazamento, e 20 mil permanecem sob o risco de serem envenenados pelo lixo tóxico deixado no local, que inclui vários tipos de poluentes orgânicos persistentes (POPs) e metais pesados, como mercúrio, de acordo com estudos científicos do Greenpeace realizados em 1999, 2002 e 2004.

Os sobreviventes e suas crianças ainda sofrem de problemas de saúde como câncer ou tuberculose, ou defeitos de nascimento.

Na quinta (02/12), o governo indiano anunciou que pretende realizar uma pesquisa sobre a contaminação em Bhopal, como um `primeiro passo` para a limpeza do local.

O Greenpeace recebe bem a medida, porém alerta que o povo de Bhopal necessita de ação urgentemente, como por exemplo o fornecimento de água limpa para os sobreviventes e não de mais estudos.

`Depois de 20 anos, esse é o primeiro passo mais lento da história`, disse Vinuta Gopal.

`A falta de responsabilidade corporativa tem sido o maior obstáculo nas últimas duas décadas para a limpeza de Bhopal, assim como a vontade política para sua realização. A Dow Química precisa pagar a conta`, disse.

Fonte: Greenpeace

  
  

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