Desafios da pesca no Brasil foram tema de seminário na UFRJ

O estabelecimento de novos modelos de gestão e a profissionalização da pesca são condições para reverter a atual situação do setor no Brasil, onde o consumo de pescado é de apenas seis quilos per capita ao ano, contra média mundial de 14 quilos. Os da

  
  

O estabelecimento de novos modelos de gestão e a profissionalização da pesca são condições para reverter a atual situação do setor no Brasil, onde o consumo de pescado é de apenas seis quilos per capita ao ano, contra média mundial de 14 quilos.

Os dados são da FAO - Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação. Análise da Coppe/UFRJ - Coordenação de Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro mostra que o fato de a pesca no Brasil ser artesanal e de baixa produtividade decorre de razões históricas e não da natureza ou de seus ecossistemas.

Para o pesquisador da Coppe/UFRJ, Antonio Marcos Carneiro, a atividade não teve reconhecimento mais estratégico nas políticas públicas do país. O Brasil tem 10% da água doce do planeta, é um país costeiro exuberante e, no entanto, a produção de pesca de água marinha e de bacias hidrográficas interiores está muito abaixo do ranking mundial, afirmou Carneiro.

Segundo o especialista, outros pontos negativos são a falta de investimentos tecnológicos e a ausência de ensino técnico-profissionalizante.

`A gente não valoriza muito, historicamente, o uso da água, tendo prevalecido nas últimas décadas como política estratégica de desenvolvimento a utilização da água
como recurso hídrico para geração de energia e não como recurso de biomassa ou como fonte de alimento`.

Os desafios do setor foram apresentados no seminário `Gestão Sócio-Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável da Aqüicultura e da Pesca no Brasil`, que a Coppe/UFRJ realiza a partir da quarta-feira (25/9), na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro (RJ).

O representante da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca no Rio de Janeiro, Jayme Tavares, e o consultor de Pesca para a América Latina e Caribe da FAO, Miguel Petrere Jr., participam dos debates.

Carneiro informou que o Brasil perde divisas na produção de pescado, que tem um potencial mercado internacional. O país também não dispõe de frota adequada para a pesca oceânica, já que as embarcações não vão além das 12 milhas.

`Os outros países vêm pescar aqui e nós não conseguimos pescar sequer em nosso próprio mar`, disse.

Para Carneiro, o fato de o pescador não estar regularizado profissionalmente significa que ele está perdendo até seus direitos trabalhistas.

O objetivo do seminário é transformar o patrimônio ambiental em desenvolvimento econômico. Nesse sentido, o aproveitamento das áreas no entorno das usinas hidrelétricas para criação e desova de peixes, como já é feito na Noruega e no Canadá, pode ser uma das soluções para a atividade pesqueira, apontou Carneiro.

Fonte: Radiobrás

  
  

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