Desastre do Prestige completa um ano e nenhuma lição foi aprendida

O Greenpeace apresentou hoje o relatório `Prestige: proteção a toda costa`. O documento aborda os principais impactos ambientais do maior derramamento de petróleo já ocorrido na costa espanhola, e exige soluções para o problema. Uma das principais solu

  
  

O Greenpeace apresentou hoje o relatório `Prestige: proteção a toda costa`. O documento aborda os principais impactos ambientais do maior derramamento de petróleo já ocorrido na costa espanhola, e exige soluções para o problema.

Uma das principais soluções apontadas pela organização ambientalista é a criação de uma rede de áreas marinhas protegidas, que acelere a recuperação dos ecossistemas marinhos costeiros afetados. Esta proteção proporcionaria uma melhora das economias ligadas ao meio ambiente marinho.

Segundo a União Européia, 88% da costa da Espanha é formada por habitats prioritários. Entretanto, atualmente, nos 2,6 quilômetros de costa afetados pela maré negra, existem somente duas áreas marinhas protegidas: O Parque Nacional das Ilhas Atlânticas, na Galícia, e o Biotopo protegido de Gaztelugatxe, na costa basca. O Greenpeace tem realizado um grande trabalho de análise sobre as ameaças dentro destes espaços protegidos que agravam os efeitos da maré negra.

A UE demanda a proteção do ambiente costeiro afetado pela maré negra, especialmente das áreas onde a riqueza pesqueira e marisqueira é maior, e em que a população dependa muito destes recursos. Apesar dos benefícios decorrentes da criação de uma rede de espaços protegidos, a Espanha não possui nenhuma proposta de proteção.

Alguns impactos ambientais causados pelo navio Prestige sobre algumas espécies - como o polvo, por exemplo - já são conhecidos. No caso desse animal, cujo habitat foi muito prejudicado pelo desastre, a proteção de determinados trechos da costa aceleraria gradualmente a recuperação definitiva da espécie.

A criação desta rede de áreas marinhas protegidas garantiria a reprodução dos organismos que sobreviveram à maré negra, recolonizando as zonas atingidas pelo petróleo e aumentando o número de organismos das espécies ameaçadas.

`Não podemos deixar que o tempo passe sem colocar em prática ações que minimizem o desastre ambiental. A criação de uma rede de áreas marinhas protegidas nos locais afetados pelo Prestige é urgente. A comunidade científica já está trabalhando no projeto e o governo não pode deixar de lado esta iniciativa`, declarou Maria José Caballero, responsável pela campanha de Oceanos do Greenpeace na Espanha.

Os impactos sofridos pelo meio ambiente também causam prejuízos em setores econômicos, como a pesca e o turismo. Os efeitos sobre os organismos marinhos e sobre as comunidades ribeirinhas ao longo da costa afetada serão sentidos por pelo menos uma década, segundo apontam os estudos científicos realizados na área.

As primeiras estimativas realizadas pela Câmara de Comércio de Pontevedra, na Galícia, relatam perdas de quase 1,4 bilhão de euros no setor pesqueiro e na indústria de transformação galega. O setor mais afetado foi o marisqueiro, com uma perda de 90% (54 milhões de euros).

Um ano depois do acidente com o Prestige, que derramou 77 mil toneladas de óleo depois que o navio partiu-se ao meio, o mar segue desprotegido e não foram tomadas as medidas necessárias para evitar novos acidentes. A Espanha continua sem planos operacionais de contingência que permitam lutar contra a contaminação marinha acidental.

Apesar disto, o Ministério do Desenvolvimento espanhol segue gastando com infra-estrutura, deixando de lado ações que permitam o desenvolvimento de uma legislação de segurança marinha.

No orçamento de 2004, uma verba de um bilhão de euros foi destinada para o plano de infra-estrutura da Galícia, que nada tem a ver com o Prestige. Ao Plano de Segurança Marítima do Estado foi destinado apenas 123,5 milhões de euros.

Tampouco foram realizadas novas ações para melhorar a segurança do tráfego marinho internacional também. A Organização Marítima Internacional (OMI) - organismo internacional das Nações Unidas responsável por garantir a segurança do tráfego marítimo e minimizar a contaminação marinha procedente de barcos - não introduziu qualquer mudança normativa para impedir que outro acidente como o do Prestige aconteça.

O Greenpeace exige da OMI que atue de forma urgente e reformule o regime de responsabilidade, contemplando a extensa cadeia de transporte. Atualmente, a responsabilidade sobre o derramamento de petróleo depende da quantidade de carga transportada e só afeta o proprietário do navio. Gerentes, fretadores e os donos da carga (que, no caso da maré negra, são as grandes multinacionais petrolíferas) ficam isentos de qualquer responsabilidade.

O Greenpeace também considera necessário que a OMI decrete a retirada progressiva de navios de cascos simples em todo o mundo, desenvolva um regime mais transparente de gestão e manutenção de barcos, e acabe com as lacunas legais que existem atualmente, como o uso de bandeiras de conveniência, que não exige responsabilidade dos países pelo abandeiramento dos navios.

`A OMI não assume sua responsabilidade e nada foi feito neste último ano. Dentro deste contexto, o interesse em intervir para melhorar a segurança dos barcos e do transporte marítimo é mínimo enquanto centenas de bombas relógio seguem navegando`, declara Juan López de Uralde, diretor do Greenpeace Espanha.

Fonte: Greenpeace

  
  

Publicado por em

Robert walter

Robert walter

15/04/2009 18:56:08
Eu acho que no navio Prestige faltava manutenção.