Descoberta pode contribuir na compreensão do grupo dos transmissores de leishmaniose

Pesquisadores da USP - Universidade de São Paulo, da Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz e da UFPI - Universidade Federal do Piauí descobriram no Piauí um novo tipo de inseto, nunca antes relatado. A nova espécie, denominada Edentomya piauiensis, foi encontra

  
  

Pesquisadores da USP - Universidade de São Paulo, da Fiocruz - Fundação Oswaldo Cruz e da UFPI - Universidade Federal do Piauí descobriram no Piauí um novo tipo de inseto, nunca antes relatado. A nova espécie, denominada Edentomya piauiensis, foi encontrada na caverna Cristovinho, no município de Picos, na região leste daquele estado.

A novidade pode contribuir no estudo da evolução do grupo dos flebotomíneos, conhecidos popularmente como `mosquito-palha`, e na compreensão e busca pela cura dos vários tipos de leishmaniose.

Apesar de ainda não haver indícios de que este novo inseto seja transmissor de algum tipo de moléstia, algumas espécies de flebotomíneos transmitem leishmanioses -doenças causadas por protozoário do gênero Leishmania - além de alguns vírus.

`Na América, existem 470 espécies de flebotomíneos descritos. Deste total, cerca de 10% podem atuar na transmissão de leishmaniose`, explica Eunice Aparecida Bianchi Galati, da FSP - Faculdade de Saúde Publica da USP e uma das cientistas envolvidas na pesquisa. Pelo fato de o inseto descoberto ser primitivo, ele pode proporcionar informações sobre a evolução dos flebótomos.

`A inclusão desta espécie em estudo por técnicas moleculares ajudará a encontrar a sua relação com os demais grupos de flebotomíneos do mundo. Para saber se este inseto tem alguma relação com a transmissão da doença existe a necessidade de estudos sobre o seu comportamento por um determinado período`, lembra a pesquisadora.

Eunice explica que as leishmanioses podem ocorrer na forma de úlceras na pele e/ou mucosa, ou na forma visceral. Dependendo do parasita e de características do infectado, as formas cutâneas, em alguns casos, podem evoluir para a forma mucosa, levando à sua destruição com deformações permanentes. A forma visceral, quando não tratada precoce e adequadamente pode levar o infectado à morte.

Espécie primitiva

A Edentomya piauienses faz parte dos dípteros (insetos com um par de asas funcionais e outro modificado em um órgão de equilíbrio) e pertence ao grupo dos flebotomíneos. É semelhante a pequenos mosquitos (com 2,5 a 3 mm) que se criam no solo em local úmido, sombreado, rico em matéria orgânica, em florestas ou embaixo de pedras, enquanto a maioria dos demais mosquitos se criam na água.

`Por ser uma espécie primitiva, nós não conseguimos incluí-la em nenhum agrupamento (subtribo) já existente. Essa nova espécie se aproxima de uma subtribo que ocorre na Europa, afastando-se da origem das que ocorrem na América`, enfatiza a pesquisadora.

Desde 1998, Eunice Galati, sua equipe da FSP e de duas universidades de Mato Grosso do Sul realizam pesquisas sobre a fauna de cavernas (fauna espeleológica), sendo a região de Bonito, Mato Grosso do Sul, a primeira analisada.

`Na Serra da Bodoquena (sudoeste de MS) encontramos uma espécie que nunca tinha sido descrita e mostrava-se muito abundante nas cavernas. O interessante foi saber que ela pica o homem e, a partir daí, iniciamos análises para descobrir se os parasitas flagelados que infectam esta espécie de flebótomos causam ou não doenças no ser humano`, conta Eunice.

Hoje, a pesquisadora desenvolve com outros cientistas um projeto nas cavernas do Médio e Alto Ribeira no Estado de São Paulo, com o patrocínio da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa.

`Há trinta anos me dedico à compreensão desta subfamília e minha pesquisa serve de referência para várias regiões do Brasil e da América`, conta a pesquisadora.

`Infelizmente são poucos os investimentos para continuarmos a realizar pesquisas mais apuradas na área de fauna espeleológica assim como em outras áreas, já que este tipo de trabalho representa uma grande riqueza ainda escondida`, desabafa a pesquisadora.

Na pesquisa realizada no Piauí, além da professora da USP, estiveram envolvidos os cientistas José Dilermando Andrade Filho e Alda Lima Falcão, ambos da Fiocruz, do Rio de Janeiro e Antonio Carlos Lima da Silva, do Núcleo de Entomologia da UFPI.

Fonte: Agência USP

  
  

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