Desenvolvimento sustentável é o grande desafio do Cerrado

Apesar de apresentar riqueza de fauna e flora, o Cerrado tem baixos índices de renda per capita no país. A explicação para a dicotomia reside no fato da população e dos empresários agrícolas da região desconhecerem o potencial comercial de sua vegetação,

  
  

Apesar de apresentar riqueza de fauna e flora, o Cerrado tem baixos índices de renda per capita no país. A explicação para a dicotomia reside no fato da população e dos empresários agrícolas da região desconhecerem o potencial comercial de sua vegetação, frutos e animais.

A tese foi apresentada na segunda-feira (9/2) pelo pesquisador da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária na área de recursos naturais, José Felipe Ribeiro, na palestra Vegetação do Bioma Cerrado no XXV Congresso Brasileiro de Zoologia, realizado na UnB - Universidade de Brasília.

Doutor pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, Ribeiro enumerou as características do Cerrado, seu potencial comercial, além de apresentar dados sobre a heterogeneidade de fauna e flora da região e as conseqüências do desmatamento da vegetação.

Para ele, o projeto de lei - que está em fase final para aprovação no Congresso - eleva o bioma à condição de patrimônio nacional e também coroa anos de trabalho de diversos pesquisadores para agregar a importância do ecossistema da região.

Estimadas em 8 mil, as espécies do Cerrado são diferenciadas das de outros tipos de vegetação que cobrem o país. Por se tratar de uma região com períodos de seca que chegam a sete meses, a fauna e a flora são limitadas, embora extremamente heterogêneas quando se observa a longa área ocupada.

Os números apresentados por Ribeiro mostram que apenas 38 espécies de plantas podem ser encontradas em mais de 50% do território pesquisado.

Segundo Ribeiro, plantas características do Cerrado, como o pequi e a cagaita, têm alto potencial comercial, assim como animais como a ema e a capivara. Porém, o histórico de ocupação desse bioma privilegiou o arroz, a soja e a pecuária, que não são nativas da região.

Assim, o ecossistema foi degradado durante anos, o que reduziu, por exemplo, a quantidade de espécimes de lobo-guará, condenando-os à ameaça de extinção em curto prazo.

`Nosso principal desafio é conscientizar as pessoas de que os produtos nativos podem ser comercializados, com margem de lucro até maior em relação aos utilizados habitualmente.`

Um dos resultados do desmatamento do Cerrado, especialmente, das vegetações que cobrem os leitos dos rios, é a calamidade apresentada após prolongados períodos de chuvas. Este ano, cidades como São Paulo sofreram com enchentes acarretando prejuízos facilmente evitados.

`Se a cidade tivesse atentado para o problema do desmatamento da mata ciliar, certamente não estaria dependendo do repasse de R$ 200 milhões da união para amortizar os custos das enchentes`, diz o pesquisador.

O Cerrado6,6 mil espécies levantadas pela pesquisa 8 mil espécies estimadas 38 estão presentes em 50% ou mais do território 3 a 7 meses de estação seca

Fonte:Ascom UnB

  
  

Publicado por em