Estradas sustentáveis na Pan-Amazônia

As estradas da Amazônia são consideradas relevantes vetores de desmatamento na região.

  
  

As estradas da Amazônia são consideradas relevantes vetores de desmatamento na região. Historicamente construídas para integração da Amazônia ao território nacional, as rodovias não apenas provocam a degradação florestal no espaço aberto para a via, mas em seu entorno. Consequência da especulação imobiliária e grilagem de terras que chegam às áreas com as estradas.

No Brasil, 4º maior emissor mundial de gases de efeito estufa, 75% das emissões advém do desmatamento. No cenário de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, alcançar a meta oficial de desmatamento líquido zero em todo o Brasil até 2017 é urgente.

O Redd, ou redução das emissões por desmatamento e degradação florestal, pode ser um grande aliado nessa busca. Trata-se de um mecanismo criado para reduzir de maneira sustentável o desmatamento na Amazônia por meio de implantação de políticas de controle e forte mobilização de recursos.

Para a mobilização de recursos, um dos aspectos mais debatidos são os pagamentos por serviços ambientais; no caso do Redd, o pagamento pelo carbono que não foi emitido com a prevenção do desmatamento.

A implantação desse mecanismo em estradas como a BR-163 e a Pasto Mocoa, na Colômbia, foi o tema da reunião promovida pelo Projeto Diálogos e Iniciativa Amazônica da Rede-WWF para especialistas e órgãos envolvidos com o assunto.

Representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto de Pesquisa Ambiental (Ipam), Ministérios dos Transportes, Serviço Florestal Brasileiro, WWF-Colômbia e WWF-Brasil discutiram desafios e oportunidades para a aplicação do mecanismo de Redd nesses locais.

As vantagens de se desenvolver projetos de Redd nas estradas antes de sua abertura ou pavimentação, como é o caso de Pasto Mocoa e da BR-163, são o envolvimento de financiadores, tais como bancos de desenvolvimento, em ações de prevenção de desmatamento e obter oportunidades de barrar a degradação florestal por um custo mais baixo.

Após a apresentação de técnicos do Ipam e do WWF-Colômbia sobre a realidade da região das duas rodovias em questão, foram levantadas as lacunas e definidos os próximos passos na temática. Um arcabouço legal, líderes para o processo, como e quem acessará os recursos e promoção da participação dos atores sociais de maneira qualificada foram alguns dos aspectos levantados que ainda precisam de definição. Um ponto positivo identificado foi o Fundo Amazônia, que, de acordo com os participantes, pode ser uma porta de entrada para a discussão do processo na região.

Entre os próximos passos para a continuação desse debate ficou estabelecida uma maior atuação do Serviço Florestal Brasileiro para promover a definição legal do mecanismo e ainda uma atenção do BNDES para financiamento de estudos de viabilidade nesse sentido.

O que é a Pan-Amazônia?
A maior parte da floresta amazônica está situada no Brasil, no entanto ela se estende por mais oito países da América do Sul. Estes nove países juntos formam a região Pan-amazônica. São eles: Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname.

Fonte: WWF

  
  

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