Palestrantes ressaltam importância da sustentabilidade

Representantes de instituições brasileiras e estrangeiras alertam para a preservação ambiental e para uma economia com mais justiça social durante a Conferência Internacional de Tecnologia Social

  
  

O tema desenvolvimento sustentável dominou as discussões da 2 ª Conferência Internacional de Tecnologia Social na tarde da última quinta-feira (16), em Brasília, durante a mesa ‘De Tecnologia Apropriada à Tecnologia Social’. A conferência prossegue nesta sexta-feira (17).

Na abertura, Flávio Cruvinel, do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), realizou uma retrospectiva sobre a história das tecnologias sociais. Segundo ele, o líder político indiano Mahatma Gandhi foi o precursor dessa metodologia. Gandhi elaborou programas para popularizar a roca de fiar, reconhecida como um dos primeiros instrumentos de tecnologia apropriada. A intenção dele era lutar contra a injustiça social e o sistema de castas da Índia.

Cruvinel lembrou do movimento nos anos 60 e 70. A tecnologia apropriada trazia preocupações como o significado sócio-político das tecnologias e o impacto ambiental provocado por elas. A tecnologia social, conforme contou o representante do MCT, sucedeu a apropriada e atingiu uma amplitude maior, com grau mais alto de participação popular e de comprometimento com o desenvolvimento sustentável.

Rodrigo Fonseca, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao MCT, falou ao público sobre como políticas de ciência e tecnologia podem atuar na promoção do desenvolvimento social e de acordo com a realidade brasileira. “É preciso pensar em como a tecnologia se relaciona com os sistemas de exclusão e inclusão da sociedade”, afirmou.

Fonseca lembrou que muitas vezes a tecnologia não se adéqua a soluções exigidas por comunidades carentes por ser pensada por agentes fora dessa realidade. Segundo ele, a tecnologia social propicia ações de democratização ao envolver os atores do processo social.

A mesa também teve a participação do professor Lynaldo Calvacanti, que já atuou em órgãos como a Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (Abipti) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Em sua fala, Lynaldo criticou modelos vigentes institucionais de apoio à ciência e à tecnologia.

Paradoxos

A Mesa IV teve como tema ‘Tecnologia Social, Sustentabilidade e Cidadania’, com palestra do professor Andrew Feenberg, da Escola de Tecnologia da Comunicação Simon Fraser, do Canadá. O professor falou sobre ‘Seis Paradoxos da Tecnologia e das Políticas de Desenvolvimento’, em que tratou de contradições referentes ao progresso das ciências.

Ao se referir ao princípio da ação e da reação, a Terceira Lei de Isaac Newton, o filósofo tecnológico alertou que agressões à natureza provocam reflexos que prejudicam a qualidade de vida do próprio homem, como o comprometimento de rios e do solo.

Feemberg chamou a atenção para que se pense a tecnologia de forma sustentável, pois quanto mais forte esta ferramenta, mais poderosos tornam-se seus efeitos. “Com o capitalismo o controle da tecnologia se concentra nas mãos das empresas e de seus agentes, com um objetivo limitado, que é o lucro. É necessário ter também um retorno das lições aprendidas pelos trabalhadores, pelos usuários e pelas vítimas da tecnologia, que no sistema do capital são ignorados”, observou.

Na quinta-feira, ainda houve a exibição de um vídeo com o economista francopolonês Ignacy Sachs, diretor de Pesquisas do Centro Brasil Contemporâneo na Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais, em Paris.

No vídeo, o economista falou da importância de implantação de uma política de desenvolvimento sustentável sobretudo para as camadas mais pobres das populações do mundo. Sachs disse que a crise mundial surgida em Wall Street tem como ponto positivo a evidência de que devem surgir novos paradigmas econômicos. “Precisamos de um estado enxuto, mas proativo na economia”, destacou.

Ignacy sustentou que no começo do século 21 a humanidade se depara com dois grandes desafios: reduzir as emissões de gases para deter o efeito estufa e a promoção de uma economia com condições dignas de trabalho. “Temos que ter um cenário com condições de remuneração razoáveis e relações de trabalho que não firam a dignidade das pessoas”, frisou.

Sachs mostrou em sua vídeo-palestra que as tecnologias sociais têm um papel relevante, pois apresentam um alto impacto, uso fácil e baixos custos. Ele citou as experiências de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais). “Com algo em torno de sete mil dólares, monta-se uma unidade do Pais, que irá gerar renda e permitir a sobrevivência de uma família”, calculou.

Na opinião de Sachs, projetos inovadores como o Pais devem ser divulgados pela Rede de Tecnologia Social, por meio de publicações e DVDs. Ele pediu a parceria da RTS com instâncias de governos, universidades e instituições de pesquisas para que se lancem editais estimulando a criação de novas ferramentas de tecnologia social.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7138 e 2107-9362
www.agenciasebrae.com.br
Site da Rede de Tecnologia Social - http://www.rts.org.br/

Fonte: Agência Sebrae de Notícias

  
  

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